AUTOMATIZANDO METADADOS PARA IMAGENS EM BRIDGE
Fonte: Kodak Propass 15/12/2006
Millard Schisler*
Tenho certeza de que a maioria de vocês já deve ter ouvido sobre metadados. O assunto tem circulado há alguns anos, e os metadados têm se tornado um vital componente de informação. Metadados significa informação acerca da informação. As imagens não podem falar por si próprias, ao menos até onde a tecnologia se define atualmente.
Uma imagem de duas pessoas apertando as mãos em um arquivo digital nada mais é do que um punhado de pixels. E é processada de tal forma pelo computador. Os sistemas em uso hoje não têm como saber a que a imagem se refere ou o que ela significa. Portanto, precisamos acrescentar informação à informação digital, para sermos capazes de explicar, rastrear e localizar uma imagem.
Este dado adicional é inserido como texto. A Adobe tem sido de grande valia em empregar XMP (Extensible Metadata Platform), o portador dos metadados. XMP baseia-se em XML (Extensible Markup Language). Os campos de XMP que podem ser acessados através do menu “Arquivo>Informação” em vários aplicativos do Adobe nos permitem acrescentar uma enorme quantidade de dados a cada imagem. Arquivos de PDF, Illustrator e InDesign também podem ter metadados.
As imagens com metadados podem levar essa informação onde quer que elas vão. Conforme as bases de dados, servidores e arquivos, elas podem sempre ser obtidas com base em instrumentos de busca que rastreiam os metadados. O catálogo está agora inserido na imagem em si e é um componente dela. Tudo isso soa muito bem, mas porque tantas pessoas não tiram vantagem desses recursos? Recentemente, encontrei uma fotógrafa que me disse que não acrescentou os metadados, por demandar muito tempo; outros disseram que não viam benefício em fazê-lo; e outros, que não os incorporaram em sua prática. Mesmo na era pré-digital, muitos fotógrafos ainda não tinham um arquivo organizado de suas imagens. Hoje, como fotógrafos digitais, temos a chance de mudar essa situação rapidamente.
Metadados no Photoshop
Podemos dividir o processo de inserção dos metadados no Photoshop em três procedimentos, todos direcionados a “templates” (modelos). Como sempre, há vários modos de usar o Photoshop. Estou descrevendo uma das abordagens que mais utilizo no meu fluxo de trabalho:
1) No primeiro procedimento, criamos um “template” (modelo) baseado apenas na mais básica e genérica informação, não específica a nenhuma imagem em particular.
2) No segundo, criamos um “template” (modelo) para um grupo de imagens; portanto, especificamos coisas acerca dessas imagens.
3) No terceiro, identificamos cada imagem com informação específica somente sobre aquela imagem, após anexar o primeiro ou o segundo “template” (modelo).
Estas três abordagens podem ser implementadas em seu fluxo de trabalho, passo-a-passo. O primeiro procedimento é tão fácil que não há razão para não ser realizado imediatamente após você ler este artigo, caso você já não o tenha feito.
1 – Criando um modelo genérico de metadados
O primeiro passo que precisamos é criar um modelo (template) de metadados com informação básica, que aplicaremos a absolutamente todas as imagens que estivermos criando. Incluirão seu nome, informações de copyright (direitos autorais), endereço etc. Não se pode incluir nenhuma informação específica descrevendo uma seção de fotos ou lugar, uma vez que esta informação será aplicada a todas as imagens.
a) Construindo o modelo (template)
Abra qualquer imagem dentro do Photoshop e vá para Arquivo>Info. Você irá navegar através de menus no painel esquerdo. No campo “descrição” preencha seu nome e título em “Autor” e “Título de Autor”. Acrescente status de “direitos autorais” (copyright), nota de direitos autorais (o símbolo © é feito ao datilografar opção+G no Mac e alt+0169 no PC) e URL, se aplicável. Nos EUA, ao acrescentar informação de direitos autorais neste campo, não significa nada se sua imagem não tiver um registro de direitos autorais no Escritório Americano de Direitos Autorais (US Copyright Office) em Washington D.C. (www.copyright.gov). Título do Documento, Descrição e Palavras-Chave (Keywords) são específicas a cada imagem ou grupo de imagens e não deveriam ser inseridas neste caso. O próximo campo a ser observado é o contato IPTC. IPTC significa International Press Telecommunications Council (Conselho da Imprensa de Telecomunicações Internacional). Esta organização desenvolve e publica padrões industriais para a troca de dados de notícias (www.iptc.data). Aqui você pode acrescentar todas as suas informações pessoais: Criador (Creator); Título funcional do Criador, Endereço, Cidade, Estado, Código Postal (CEP), País, Telefone, E-mail e Website. Todas as informações nestes campos seriam as mesmas para qualquer fotógrafo e válidas para todas as imagens.
Os outros painéis como o IPTC Content, IPTC Image e IPTC Status carregam informações específicas de imagem e não são parte deste modelo genérico de metadados. Agora, ao invés de clicar OK na parte inferior direita da tela, vá para o canto direito superior e clique no menu de saída. Selecione “Salvar Modelo de Metadados” e dê a este modelo um nome significativo. Você poderia chamar este modelo “Direitos Autorais_Contato_Info_SeuNome”, (Copyright_Contact_Info_YourName). O nome é um tanto grande, mas carrega a informação sobre o que faz. Agora você clica OK e fecha a imagem sem salvá-la. Nós só usamos a imagem para construir o modelo.
b) Adicionando o modelo a um grupo de imagens
O próximo passo seria aplicar este modelo a um grupo de imagens. Este modelo é permanente e residirá em seu computador. Abra “Bridge”, dê uma olhada numa pasta de imagens que não contenha nenhum metadados ainda. Certifique-se de que o seu painel de metadados esteja visível: “Visualizar>painel de metadados” (“View>Metadata Panel). Selecione todas as suas imagens (Command/Control+A) e então clique no menu suspenso no canto superior direito da palheta dos metadados. Selecione “Anexar” (Append) ou “Substituir” (Replace) os metadados. O(s) modelo(s) que você tiver criado irá/irão ser aberto(s) agora. Selecione o modelo que você desejar. Neste caso, o modelo “Direitos Autorais_Contato_Info_SeuNome”, (Copyright_Contact_Info_YourName). Anexar (Append) é acrescentado aos metadados existentes .
Anexar é adicionar. Você não irá apagar os metadados já presentes na imagem. Substituir os metadados apagará a informação quando colocar nova informação em um campo com informação. Se o modelo substituído tiver um campo vazio, não irá substituir os dados, pois estão ausentes. Clique em “Sim” para a mensagem, avisando-o que você está aplicando suas edições para todos os arquivos – é exatamente o que queremos fazer.
No canto inferior direito do “Bridge”, se você selecionar a visualização de “Detalhes”, você poderá ver cada imagem com os metadados básicos acrescidos à imagem. Você pode também selecionar uma imagem e ir para Arquivo>Info e trazer para a frente a caixa de diálogo dos metadados. Este processo pode, instantânea e automaticamente, adicionar esta informação a centenas de imagens sem gastar praticamente tempo algum.
2 – Criando um modelo mais específico de metadados
O segundo passo é criar um modelo de metadados com informações mais específicas, para que possamos aplicar a absolutamente todas as imagens que pertençam a uma categoria específica. No ano passado, eu fotografei no Brasil. Eu tinha milhares de imagens. Eu gostaria de aplicar os metadados a estas imagens que ampliam a informação aplicada no item 1. O país e o lugar específico que eu fotografei aplicam-se a todas as imagens. Portanto, eu podia gerar um modelo que fosse genérico a esta viagem ao Brasil.
O que eu farei será abrir qualquer imagem, adicionar o modelo anterior do item 1 e modificá-lo para acrescentar informação à Descrição, Escritor da Descrição (a pessoa que estiver escrevendo no campo de Descrição, Palavras-chave, e os campos de localização no painel de Imagens do IPTC. Eu preencherei a Localização, Cidade, Estado/Município, País e Código de ISO do país. Toda informação digitada tem que se aplicar a todas as imagens. Este novo modelo é salvo como “Brazil_2005_MSchisler”.
Então eu repetirei o processo ao selecionar todas as imagens na pasta em que desejo aplicar os metadados, clicar no menu de saída descrito anteriormente e selecionar anexar o novo modelo de metadados, neste caso nomeado “Brazil_2005_MSchisler”
Ambos os passos, 1 e 2, são extremamente rápidos de fazer. Eles fornecem informações básicas de metadados que irão ajudar a informar e localizar suas imagens.
3 – Criando informação específica de metadados
Este passo requer adicionar informação específica de metadados para cada imagem, individualmente. Isto é feito quase uma a uma dentro do “Bridge”. Você pode selecionar meia dúzia de imagens ou mais que tenham informações similares que você queira adicionar. Então, é só datilografar os metadados no campo desejado para tais imagens. Adicionar informação individualizada para cada imagem será crucial se você quiser realmente encontrar essas imagens mais tarde. Se você tiver uma fotografia de mãos e pés na areia da praia, eu preciso adicionar esta informação na descrição e nas palavras-chave, para que essas imagens (areia, praias ou pessoas e areia), quando solicitadas, apareçam.
Esta é uma tarefa mais difícil e toma mais tempo, mas importante, se cada imagem tiver de ser valorizada individualmente. A descrição e as palavras-chave de uma imagem podem referir-se a qualidades abstratas, e não descrever literalmente o significado da imagem, pois também estão baseadas em nossas interpretações. A imagem da criança na areia pode remeter a brincadeira, a relacionamento com a natureza, ou pode dar a idéia de trabalho e ser usada numa propaganda, para representar o ser humano cavando a areia em busca de algo.
Os possíveis usos para cada imagem devem ser imaginados por você à medida que seu arquivo for sendo catalogado com metadados. Se você não quer carregar cada imagem com uma enorme quantidade de informação, para que ela se torne mais específica, deve fazer uma seleção procurando por “Trabalho” e conseguir milhares de imagens, muitas das quais mal se assemelhariam a “Trabalho”.
Na foto de tela (figura 3), você pode ver que adicionei, no campo “Descrição” do modelo de núcleo do IPTC dos metadados, as palavras “Jogo de futebol, estádio cheio à noite”, para um grupo de imagens que foram tiradas uma noite na final de um jogo de campeonato estadual. Eu selecionei todas as imagens na pasta e anexei “Jogo de futebol, estádio cheio à noite” a elas .
Ao começar a ter controle dos metadados em suas imagens, é hora de você procurar os aplicativos de software que possam gerenciar seus arquivos. Novos produtos, como o “Aperture”, da Apple, e “Lightroom”, da Adobe, foram feitos com para esse propósito. Outros aplicativos, tais como “Extensis Portfolio” (www.extensis.com), ou mais complexos softwares de gerenciamento de bens digitais, como o “Cumulus” (www.canto.com), também são indicados. Eles permitem que você organize, pesquise, compile e procure a base de dados de imagens organizadas em metadados, entre outros atributos. Este será seu próximo passo, quando adicionar metadados a suas imagens se torne parte do seu fluxo de trabalho.
Trata-se de um novo e excitante campo para nós, que se torna mais complexo à medida que começamos a ver padrões para nomear convenções, como o padrão de metadados “Dublin Core”, em www.dublincore.org/documents/usageguide; códigos de assunto e cena que estão definidos em www.newscode.org; códigos de países definidos pelo padrão da ISO 3166 etc. Estamos, definitivamente, começando a combinar as ciências da catalogação, e os futuros usuários instruídos irão precisar de um mínimo de experiência neste campo. Não podemos apenas sentar e observar, enquanto esse processo passa por nós. Devemos saltar para dentro desse ônibus e curtir o passeio, aprendendo como os metadados podem nos habilitar e mudar o modo como trabalhamos, ou nos arriscaremos a ser deixados para trás.
* Millard Schisler é professor online para cursos a distância do Rochester Institute of Technology (RIT), sediado nos EUA, nas áreas de impressão, novas mídias e imagem digital. Participou da formatação do primeiro bacharelado em fotografia da América Latina, criado pelo Centro Universitário Senac em 1999, e é autor do livro Revelação em preto-e-branco, pela Editora Senac São Paulo. Foi professor da Focus Escola de Fotografia no periodo de 1984 a 1993.
Focus Escola de Fotografia
Desde 1975
http://www.escolafocus.net
http://www.focusfoto.com.br
Veja mais dicas em:
http://www.focusfoto.com.br/HTML/dicas.htm
http://focusfoto.com.br/fotografia-digital/blog2.php
http://www.escolafocus.net/dicas.html