Fotógrafo Robert Polidori registra como catástrofes afetam o ambiente urbano

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Furacão Katrina, Chernobyl e conflitos no Líbano são temas de seus trabalhos

As ruínas, sob as lentes de Robert Polidori, instigam o espectador a refletir sobre o futuro do mundo contemporâneo

 Quarenta e três fotografias colocam o espectador diante de um tema incômodo: a vulnerabilidade do ser humano durante as catástrofes. E o fazem de forma particularmente potente ao registrar, em grandes formatos, o rastro de destruição deixado em casas, hospitais e escolas por furacões, desastres nucleares ou conflitos armados, econômicos e sociais. Assim é a exposição de trabalhos do canadense Robert Polidori, de 61 anos, em cartaz no Centro de Arte Contemporânea e Fotografia, em BH.

“Essas fotografias trazem reflexões sobre a nossa fragilidade diante da natureza, o nosso pretenso controle sobre a tecnologia e a respeito da capacidade de nos organizarmos socialmente”, afirma Sérgio Burgi, curador da exposição em parceria com Heloísa Espada. A mostra inaugura o projeto do Instituto Moreira Salles com fotógrafos internacionais contemporâneos.

Burgi explica que Polidori trabalha a documentação urbana sob duas vertentes: da atenção às concentrações populacionais (seja em regiões centrais ou na periferia das cidades) e dos interiores, mas sem a figura humana. Ambas revelam o efeito das tragédias no espaço físico. “Não se trata de um olhar que traz postura ideológica ou política definida, mas de trabalho que reflete sobre questões contemporâneas”, acrescenta.

Para fazer suas fotos, Polidori se vale de grandes negativos (20cm x 25cm), pois eles têm a capacidade de capturar muita informação – e com detalhes. Outras características de sua obra: o controle absoluto da cor, imagens seriadas criando narrativas e a opção por formatos maiores. “É documentação, mas com caráter fortemente artístico. O uso extremo de elementos fotográficos, ao criar visualidade e leitura da imagem, que não se encontram em outras mídias, puxa o espectador para dentro das fotos”, pontua.

A recorrência de construções em ruínas no contexto da fotografia contemporânea, analisa Sérgio Burgi, remete à construção da imagem que trabalha o aspecto conceitual. Esse elemento, observa o curador, muitas vezes antecede a expressão visual. “Não é busca de beleza nem de harmonia, mas de algum questionamento. Não se trata de um tema, mas de objeto para a reflexão sobre processo mais amplo, sobre questões mais gerais da existência e as nossas fragilidades”, conclui.

Cidadão do mundo

 Robert Polidori nasceu em Montreal, no Canadá,em1951. Atualmente, o fotógrafo mora em Nova York. Nos anos 1970, ele atuou como assistente de Jonas Mekas no Anthology Film Archives e fez filmes experimentais. Em 1979, concluiu mestrado na State University of New York e passou a se dedicar integralmente à fotografia still.

 Entre 1998 e 2007, Polidori trabalhou como fotógrafo da revista The New Yorker, além de colaborar para publicações como Geo, Architectural Digest Germany, Nest Magazine, Newsweek e Vanity Fair. Em 1985, começou a desenvolver as séries que o tornaram conhecido.

Um dos primeiros ensaios de Robert Polidori registrou gangues vandalizando apartamentos em Nova York, fechados depois da morte dos proprietários. Mais tarde, ele fotografou conflitos armados em Beirute, no Líbano; as consequências do embargo econômico sobre Cuba; a área abandonada de Chernobyl, 15 anos depois do acidente nuclear; e os efeitos do furacão Katrina emNova Orleans (EUA).

As fotos em cartaz em BH reúnem obras pertencentes ao acervo d oInstituto Moreira Salles (IMS).É meta da instituição receber projetos internacionais e participar da elaboração deles, o que faz com que as ações dialoguem com o contexto cultural brasileiro.

ROBERT POLIDORI – FOTOGRAFIAS

Centro de Arte Contemporânea e Fotografia. Avenida Afonso Pena, 737, Centro – BH.

De terça-feira a sábado, das 9h30 às 21h; domingo, das 16h às 21h. Até 6 de janeiro.

Fonte: http://bit.ly/SsYUbA

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Sobre o autor

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