A fotografia crônica

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Av. São João, São Paulo,  anos 50

Por: Alessandro Araujo

O céu nublado trançado aos fios do metrô e pela janela viu as casas passarem rapidamente. Eram amontoadas e pessoas sorridentes ou confusas andavam em ruas curtas. Pouco antes de completar seus trinta e nove anos e em parte calvo em poucos fios de cabelos brancos. Caminhou na calçada do prédio onde ficava o seu trabalho.  Há oito anos repetia o mesmo percurso.

Sua aparência, como diziam os colegas de escritório, beirava os cinquenta. A camisa social branca era a preferida e apesar de todo o cuidado ao levar as roupas para a lavanderia de seu bairro no mesmo dia da semana, as brancas eram amareladas. No almoço com os colegas, preferia o self-service de mesmo cardápio. Conhecia o garçom, o cozinheiro e o dono chamado de Supimpa.

Apelido dado pelo pessoal do escritório. Supimpa, respondia quando perguntavam se o almoço estava bom. Uma gíria tão antiga quanto a decoração do restaurante. Cadeiras na altura do balcão e palitos de dente sem embalagem. O garçom andava como o verdadeiro dono do restaurante. Anotava com pulso forte os erros dos garçons iniciantes. Usava uma caderneta sempre à mão, acenava a pressa do cliente e seus passos ecoavam na madeira escura. A amarelada camisa branca de Josias dava certa credibilidade no escritório de contabilidade S. Costa & Associados. Os clientes sentiam os anos de experiência de Josias na camisa amarelada.

Ele simplesmente auditava noções básicas de planejamento. Olhava por cima dos óculos de armação dourada, rabiscava números e imprimia planilhas. A gaveta de sua mesa regurgitava de manuais, apostilas e livros com edição atualizada e corrigida. Um mártir do relógio, não atrasava um prazo. Josias cumprimentava com gesto superficial nas mãos. Mexia muito as mãos, fácil sentir seu nervosismo.

Espalmava as bochechas e nos happy hours contava piadas de programa de televisão de canal aberto. Só bebia uísque. Empolgava-se com as piadas como uma novidade que só ele sabia. Em seu copo, uísque e gelo de água de coco. Uma dádiva divina, segundo Josias. Sou o melhor contabilista, após copos ele aumentava a voz e gritava. A bebedeira até as vinte e três horas e quarenta minutos. Um mártir do relógio, falavam seus colegas. No dia seguinte, os cumprimentos e a camisa amarelada desfilavam no escritório. Nada acontecia. Se algum colega insistisse para Josias contar a piada do dia anterior, ele movia os dedos. Não entendia, dissimuladamente.

O escritório de contabilidade estacionava no quinto andar de um prédio velho da rua Aurora. Cadeiras verdes desbotadas anunciavam os anos de uso. Duas máquinas de escrever elétricas e mesas brancas. Ao lado da cafeteira, uma impressora para folhas perfuradas. Carpete bordô, um relógio central grande que rangia no passar dos minutos. Computadores que lembravam as primeiras invenções da Microsoft e da mesma cor da camisa de Josias.

O porteiro adorava o inquilino do apartamento número 717. Josias era o morador que todos os síndicos adotariam como representante dos condôminos. Sem visitas, sem barulho, aluguel em dia e sorridente no bom dia, mesmo após as bebedeiras. – Foi curtir a vida dura, Josias?  – Para não perder a mania, respondia com as mãos. Uma luminária na mesa central da sala, carpete amarelo, mesa e cadeiras brancas. Muitas fotografias em molduras de plástico espalhadas na estante ao lado de bibelôs de vidro.

Geladeira com frutas, legumes e macarrão congelado. Enquanto requentava no micro-ondas, ouvia em sua vitrola La Muette de Portici, de Daniel Auber. Sentia-se no verdadeiro Palais Garnier. Dançava e gesticulava suas mãos finas. Foi numa tarde quente de domingo, festa de confraternização do escritório de contabilidade S. Costa & Associados.

Todos os contábeis com roupas de feriado e eram nitidamente desconfortáveis fora do traje camisa. Comiam carne de porco e picanha em guardanapos encharcados de óleo que faziam os lábios cintilarem. Cerveja em copos de alumínio com o logotipo do escritório. As sandálias e bermudas deixavam à mostra pernas desacostumadas com o verão.

A premiação da festa, viagem à Paris. O anunciante, a cada cinco minutos, tomava o microfone para si com voz grossa. Ressoava uma imitação estranha de indicação ao Oscar. A estátua francesa vai para… Aumentava a tonalidade no fim da frase e Josias sacudia a cabeça e os braços. Vidrado no locutor. Supimpa e os garçons novatos do self-service estavam lá, convidados de honra. Serviam, mas também bebiam.

O locutor fazia apelações em momentos curtos, iniciava por times de futebol e novamente a frase marcante. A estátua francesa vai para… Josias caminhava lentamente pelo gramado com o copo de alumínio cheio de uísque. Agitava-se sempre com a microfonia das caixas de som.  Os contabilistas se abarrotavam ao lado da churrasqueira, eufóricos, suados e copos derramavam cerveja nas camisetas. A distinta aparição do locutor tomou voz. Todos arregalaram os olhos.

A estátua está dentro dessa urna! Quem vai? Supimpa soltou um palavrão embrutecido. A noite começou com o berro contido do vencedor Josias e seus braços agitados. E, em sua estante viçosa de madeira, ao lado de bibelôs de vidro e sob a luz refletida no carpete amarelo, Josias segurava o talher com macarrão, legumes e olhava fixamente para sua antiga foto em frente ao Palais Garnier.

 Fonte: http://goo.gl/Jpp3Lb

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