As mil faces de Bob Wolfenson

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Bob Wolfenson conquistou há mais de uma década uma invejável carreira como top fotografo fashion, de nus e publicidade. Durante os últimos anos desenvolveu um trabalho mais autoral, com exposições e livros onde exerce com sensibilidade particular sua maneira de interpretar o mundo.

Uma charada especial para testar a sua cultura geral: o que será a ultima campanha da marcas de calcinhas Hope estrelada por Gisele Bundchen, no auge de sua beleza, com curvas sinuosas, mas de discreta sensualidade, tem em comum com a exposição do Centro Cultural Maria Antonia, “Apreenções”? Aqui os trabalhos espalhados pelas paredes, denunciam e revelam de uma maneira contundente e trágica, imagens de um Brasil com tráfico de armas, animais silvestres, crimes ambientais e outras mazelas, bem distante  das páginas edulcoradas de revistas de moda. Se você respondeu, que o elo é o homem que está por detrás destas imagens, bravo! Você desvendou o mistério. Para este garoto de classe média judaica, nascido e crescido no Bom Retiro, na década de sessenta, no seio de uma família de orientação comunista, esta profissão era bem improvável.

Quando seu pai faleceu no início dos anos setenta, seu enterro mais parecia um comício da militância política, com palavras de ordem emocionadas e preocupações com o futuro do Brasil. É preciso lembrar que estes eram anos de chumbo da ditadura militar brasileira.

Bob, apesar de muito influenciado pelo ambiente familiar  e idéias do pai, logo abandonou a militância, deixou crescer os cabelos, comprou uma moto e começou a sonhar com outro tipo de herói: o fotografo de moda, do filme Blow-Up de Antonioni, baseado em David Bailey. A glamurosa  swinging London, suas garotas maravilhosas, a atmosfera onírica, esta era a fantasia poética de Bob, que acrescenta com uma boa dose de humor bem judaico: “Naquela época este era o sonho de todo moleque cabeludo que não fazia nada, já hoje é de ser web designer…” Enquanto o projeto não se materializava, ele freqüentava aulas de ciências sociais na USP e começava um estágio no estúdio Abril, descolado graças ao seu cunhado que trabalhava na revista Veja. Em 1977, Bob percebeu que estava há sete anos na profissão, tinha um estúdio com outro fotógrafo, mas se sentia medíocre. Com ironia, ele ironia, ele acrescenta: “E de fato eu era.” Apesar de ter feito a capa do disco “Outra Palavras” de Caetano Veloso, e de ter no currículo retratos de Hélio Oiticica, Burle Marx, Bruno Barreto e Norma Benguel, ele estava muito longe de seus colegas de profissão como Tripoli, Miro ou Duran. Foi um dia no seu estúdio, enquanto estava fotografando uma “glamurosa” tampa de ar condicionado, acompanhado de um jovem assistente, cheio de entusiasmo por fotografia, Paulinho Vainer, que a ficha de Bob caiu, e percebeu que estava patinando, correndo atrás do próprio rabo e que tinha que mudar sua vida. Vendeu tudo, seu carro, sua Hasselblad velha, e partiu com a cara e a coragem para Nova York, onde ficou hospedado na casa de parentes. Lá não perdeu tempo, e num gesto corajoso ou tresloucado, escreveu para cinco maiores fotógrafos de moda da cidade, Irving Penn, Avedon, Arthur Elgort, Barry Lategan e Bill King. Sua estrela estava lançada, o fotógrafo Bill King precisava de mais um assistente, e ele ainda ia receber um modesto salário. Viva! Foi uma experiência forte, e apesar de ser o terceiro assistente de Bill, ele teve contato com um mundo de moda, atitude e muito profissionalismo, diferente do padrão dos estúdios brasileiros que ainda engatinhavam. “Aquilo foi para mim, uma lição de vida e de autoconfiança”.

De volta ao Brasil, com outro status, logo foi chamado por Regina Guerreiro, a toda poderosa editora do Vogue na época. Ele deslanchou na moda, e comenta, “Eu era o Bill Kinguisinho dos miseráveis, mas aos poucos foi encontrando meu estilo, formando meu repertório, começando a colaborar para todas as revistas de moda, as vezes eram cem paginas de editorial por mês”. Outra grande reviravolta na carreira de Bob foi ter fotografado Maitê Proença para a revista Playboy nos anos noventa. Ele propôs uma nova visão da fotografia de nu, mais arte em contraste com uma foto burocrática, com nu de todas as partes do corpo da mulher, bumbum, seios etc. A matéria foi um sucesso total e ele passou a fotografar as musas mais cobiçadas do Brasil: Vera Fisher, Angela Vieira, Milla Christie, Carol Castro, Cleo Pires e Fernanda Young, elas todas se sentindo seguras ao mostrar seus encantos para ele! Bob também passou a fazer muitas campanhas publicitárias e ganhou prêmios com as fotos da Grendene com Gisele Bundchen, com quem trabalha desde seu debut quando ela era uma linda e desconhecida adolescente.

Foi no final da década de oitenta que ele se lançou num trabalho autoral , com “Minhas Amigas do Peito” e “Insólito”. Depois veio o “Jardim da Luz” com referências a sua infância, assim como a exposição o “Caminho do Mar”, na galeria Millan em 2007, com reminiscências do caminho da praia da Serra do Mar. E ele completa: “Cubatão vista a bordo da janela do fusca familiar, um lugar que simbolizava repulsa e atração, entre o mundo do lazer e do trabalho, uma pausa do dever e o paraíso que eram as férias na praia.” Tenho a impressão que o tempo inteiro acabo traduzindo a infância, acho que tenho me permitindo partir da experiência emocional e talvez por isto minhas fotos até hoje estão mais melancólicas, meu último trabalho hoje é mais crítico e tem a ver com a formação política, só que consegui traduzir essa experiência de maneira particular, me reconciliei com o passado de uma forma sutil, sem ser panflertária, denunciando de outra forma”. Bob conseguiu passar o que sente e pensa de uma forma poética com fotos maduras.

Quando não esta fazendo campanhas, editando a revista S/N° ou viajando a trabalho, ele gosta de ir acompanhado de Mariza Guimarães, sua esposa e companheira destas três décadas, e adora percorrer o circuito Elizabeth Arden visitando Paris, Londres e especialmente Nova York, onde se sente em casa. Acha que a cena de fotografia no Brasil está efervescente e gosta muito do trabalho coletivo de fotógrafos, como SX70, Cia de Foto e coletivo Rolê. Lá fora, admira o trabalho de Steven Meisel que é sempre inovador e super instigante, pois se arrisca a cada estação e de Robert Polidori, que com suas fotos serviu de inspiração para a exposição “Apreensões”.

Fonte: Revista Talk, n.08, paginas 34 a 41.

 

Sobre o autor

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