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Foto recente de Araquém Alcântara, no Pantanal Mato grossense 

Considerado o maior fotógrafo de natureza do Brasil, Araquém Alcântara faz suas imagens uma arma contra a destruição do nosso maior patrimônio.

Araquém em uma de suas primeiras entrevistas para os professores da Focus Escola de Fotografia

Zen budismo. xamanismo, literatura, ecologia, cinema, jornalismo, são muitas as áreas de interesse e as influências do fotógrafo brasileiro que mais vende livros. Perto de completar 35 anos de carreira, Araquém Alcântara não tem papas na língua e não esconde seu idealismo. Logo na sua primeira exposição, em Santos (SP), já disse a que veio, expondo fotos cobertas por panos que precisavam ser levantados. numa alusão à primeira foto que considera ter feito, de uma prostituta que levantou a saia e ofereceu o retrato, no cais do porto de Santos. O título da exposição: “Os Primeiros Souvenires do Apocalipse”. Apreciador do povo e dos bichos, engajado e apaixonado pela profissão que escolheu Araquém não tem dúvidas de que está cumprindo uma missão: mostrar um Brasil que sofre enorme agressão. Passa metade do ano viajando, enfiado nas matas, se arriscando e mirando sua lente entre o belo e a destruição. Dono de um arquivo que beira 250 mil imagens, conquistou reconhecimento e polêmica. Não poupa editores e veículos de imprensa e decidiu montar sua própria editora para ter mais autonomia. Chegou a um patamar em que não faz mais concessões e, apesar da grife do seu nome, publica em revistas de qualquer porte, sem restrições. Ainda que com um discurso ácido, Araquém se considera um otimista que acredita na vitória da natureza. Apesar do status de maior fotógrafo brasileiro de natureza, não usa digital, não gosta de multidões e luta por organizar seu escritório e sua equipe. Em meio a uma agenda atribulada, Araquém recebeu os professores da FOCUS, em fevereiro de 1998 para uma conversa. Veja como foi.

FOCUS – Na opinião do senhor; o que é uma grande fotografia?
ARAQUÊM – Lembrei do Bresson. Ele dizia que uma boa fotografia tem que seduzir o espectador, ter impacto e uma unidade rigorosa de formas. Comover. O impacto tanto pode ser através do horror quanto da beleza. A fotografia é feita para testemunhar, para refletir. Tem a força que o cinema já não pode ter, como disse Abbas Kiarostami. Acho lindo quando ele diz que o filme tem que contar uma história completa ou não,já a fotografia não precisa, ela pode manter um mistério. A fotografia é um código privilegiado entendida por toda a familia humana. Quanto mais você consegue sintetizar uma realidade complexa com arte, e colocando na mesma linha de mira a mente, a visão e o coração, quando une isso tudo, você tem uma grande foto. Normalmente os fotógrafos fazem uma em mil (Áraquém abre o livro de Kiarostami e lê um trecho): “No cinema infelizmente é preciso contar uma história ao passo que na fotografia somos mais livres e uma estrada que se estende em direção a um certo lugar que você
vê pode abrir-nos um mundo desconhecido. Esta fotografia não conta uma história mas deixa-nos a liberdade de imaginá-la. Ante uma fotografia o espectador pode fazer sua própria viagem, por isso às vezes penso que a fotografia é uma arte mais completa. Que uma fotografia, uma imagem estática, vale muito mais que um filme, o mistério de uma fotografia permanece em segredo porque é sem sons, não há nada em seu entorno. Uma fotografia não conta uma história, por isso esta em perene transformação”.

FOCUS — O retrato do seu pai segurando outro retrato, com ossos das vítimas de Hiroshima, na praia da Juréia, é uma imagem que mexeu com muita gente?
ARAQUÉM – O meu pai se transformou num ícone para mim. Eu queria ter um elemento que reproduzisse um pescador sábio e que soubesse o que as pessoas estavam levando para a juréia que eram duas usinas atômicas. Daí a idéia de usar aquela imagem dos ossos das pessoas mortas em Hiroshima e demonstrar que os pescadores não são burros, eles sabiam o que houve e o que poderia haver. Esta imagem tornou-se emblemática entre os ecologistas, ganhou o mundo e ajudou a evitar que Juréia recebesse as usinas.

FOCUS — O senhor é um idealista?
ARAOUÉM – O idealismo não pode acabar. Porque com esse idealismo eu fiz a exposição “Os Pnmeiros Souvenires do Apocalipse”. Era a minha época, eu era jovem. O fato de ser precursor de um determinado tipo de fotografia criou muitos problemas quando eu ainda não fazia sucesso: que era o preconceitodo brasileiro contra a sua própria terra. Lá vem aquele cara de novo com seus bichos…

FOCUS – O senhor era qualificado como fotógrafo “ecochato”?
ARAOUÉM – É, poderia ser por af, mas ninguém sabia o que era ecologia. Havia uma cultura de que a floresta era muito longe. O Brasil conhecia muito menos a sua visualidade há trinta anos. Só que agora o processo de destruição é mais acentuado.

FOCUS – Na fotografia, o senhor foi seduzido pela natureza?
ARAQUÊM – Eu queria ser escritor, só que fui assistir ao filme “A Ilha Nua” (de Kaneto Shindo, 1960) e fiquei alucinado, em transe, é como se estivesse descobrindo que tem água fria e água quente. Como curtia uns rocks na boca em Santos, pensei: vou fotografar hoje na boca. Fui pela praia e acho que o fotógrafo de natureza já se manifestou ali. Coloquei o filme na máquina, passei pela praia, vi aquele pôr-do-sol e fui para a boca. Só que não consegui fotografar aquelas pessoas barras-pesadas. Como mirar a lente numa p… acompanhada. Fiquei constrangido, não fiz nada, Na hora de partir, de madrugada, cruzei com outra e resolvi fotografá-la. Ela me xingava e levantava a saia, falando “fotografa, vai”. Eu fiz, aquela foi a primeira foto, foi um desafogo. Como é difícil fotografar gente, tão difícil quanto fotografar bicho.

FOCUS — O senhor ainda escreve?
ARAOUÉM – Quando viajo tenho os caderninhos, tipo Walter Benjarnin. Tem um texto no meu livro “Brasil Iluminado”, que reflete o meu sentimento, porque sempre tive uma linha zen e influência da cultura oriental. A começar pelo filme que me levou a ser fotógrafo. Sempre tive gosto por cinema e nunca tinha percebido que poderia fazer. A outra coisa é que eu gostava de literatura. Desde “Apanhador nos Campos de Centeio”. Harry Potter naquela época era Hernian Melville. Lia Guimarães Rosa, Kurosawa, Câmara Cascudo, João Cabral de Melio Neto, Machado de Assis, Lima Barreto, via filmes do Glauber Rocha. Percebi que o jeito era andar pelo país. Me interessei por documentar e registrar o Brasil. Ninguém fazia isso sistematicamente. Comecei a fazer e tematicamente: Cubatão e os horrores; Serra do Mar.

FOCUS — Como é seu contato com os que vieram depois do senhor?
ARAQUÉM – Existe e necessariamente a gente se encontra. Dou aulas. Quando a alma não é pequena o cara diz assim: “Este é o mestre”. Quando a alma é pequena, ele diz:
“Ele é o maior marqueteiro, aquela foto ele preparou”. Confundem obra com autor, falam da sua vida pessoal. A maioria é do primeiro grupo, e me enxerga como um cara que batalhou. Não é só a batalha, mas é que deu certo porque é muito difícil você escolher uma coisa para fazer com o coração e fazer só isso. Há 35 anos fotografo a natureza e o povo brasileiro.

FOCUS – A sua popularidade é grande, até os guias lhe indicam fotos…
ARAQUÉM – As vezes tem uma imagem falsa do autor. Acham que tenho grana. Mas eu logo me encarrego de detonar isso.

FOCUS – E o glamour?
ARAQUÉM – Esta é uma questão importante. Muita gente acha que nas minhas fotos de cachoeira ou na maioria de bichos, cheguei de carro ou avião. E não é nada disso. É um trabalho árduo, de castigar os olhos. O fotógrafo de natureza vive com desconforto, dorme em qualquer lugar. Ganhei uma artrose na quarta vértebra. Passei a pegar assistentes ou pessoas do lugar. Acabei aprendendo uma outra coisa que é a necessidade que o brasileiro tem de ser útil, mostrar seu lugar e ajudar. A melhor fotografia é aquela que você passa ali um tempo vivendo com o sertanejo. Tem que deixar claro que o fotógrafo de natureza, além de carregar peso, comer mal, dormir em condições absolutamente desfavoráveis, perde 90% das fotos que faz na mata. Porque a mata é escura, a maioria dos bichos tem hábitos noturnos. Tem muita situação em que chego ao local reclamando e o cara tem um urubu de estimação, aí você fotografa, o que não é dizer que só faz animais selvagens.

FOCUS – Como é seu escritório?
ARAQUÉM – Mantenho um assistente que geralmente me acompanha, um cara para arquivar e outro pra tratar as imagens, assessora, que deveria só fazer relações públicas, mas preciso de assessoria comercial, uma agente, que abra novos caminhos, indo às agências, e uma secretária.

FOCUS
– De onde vêm os recursos
ARAQUÉM – Dos meus projetos editoriais, reportagens, dos cursos e sobretudo do banco de imagem. O banco de imagem tem possibilidade comercial grande, desde se encare que é um grande problema divulgar mundo afora. Quando sai a Photo (revista francesa) dizendo que meu site é muito bom, é uma satisfação. Tudo precisa de patrocinador. Estou aqui para construir obra e a minha obra é de identidade deste país, de memória.

FOCUS – O senhor sabe o perfil quem compra seus livros?
ARAQUÉM – Acho que isso começa a se definir, se o “Terra Brasil” é o livro de fotografia mais vendido desde que foi lançado, é sinal de que as pessoas se interessam pela terra brasileira mesmo pagando um preço alto,160 reais. O “Amazonas” custará 220. Como posso colocar 200,300 imagens no livro e cobrar barato se o mercado é caro? Gostaria de fazer com material reciclado mas não dá, então o que vou começar a fazer livros paradidáticos, chegar mais a jovens,crianças, e abrir a editora Terra Brasil para outros fotógrafos. Tem muita gente jovem por aí que vai ter milhões de dificuldades como eu tive. Se tiverem talento, serei cúmplice deles. Já lancei quatro livros pela minha editora, porque consigo eliminar a figura do editor que leva a maior parte da grana. O autor ganha 10%,quando não consegue patrocinador. Ganhar grana com livro nunca foi minha idéia básica,o meu barato é criar belezas, me sinto extemamente feliz de ter imagens, captar uma imagem de beleza que seduz as pessoas.

FOCUS – O senhor tem problemas com direitos autorais?
ARAQUÉM – O direito autoral criou um garrote para o fotógrafo. Porque sou humanista, então não vou chegar ao sertão do Amapá e pedir para aquela velhinha analfabela assinar um documento, acho um acinte. Se não comprarem esta foto, paciência. A fotografia sempre rouba alguma coisa, é uma intrusão. Mesmo nos meus livros, também não peço assinatura, acabei ganhando dois processos. É gente safada. Você tem que saber com quem trabalha.

FOCUS – O senhor tem algum projeto não realizado?
ARAQUÉM – Está nascendo um projeto que ainda não sei quem vai levar comigo. Custa uns quatro, cinco milhões de reais. São vários livros que mostram o que o menino da Mata Atlântica aprende, o que ele faz. Fica um almanaque gostoso, bem diagramado com fotos belíssimas. Mas tem que ser subsidiado porque entrou foto, é caro.

FOCUS — E os livros no exterior?
ARAQUÊM – Está zerado. Não tem nada. Tem uma distribuição aleatória, a Melhoramentos manda. Tem que meter a cara, e para meter a cara tem que parar um pouco.

FOCUS – O senhor se preocupa com marketing?
ARAOUÉM – Você precisa vender o seu trabalho, qual é o marketing? Publicando, dando entrevista. Quando lanço livro, contrato assessoria. Estou sempre aberto a idéias. Se tiver intimidade contigo, para te sugerir uma idéia em que esteja envolvido, não tenho a menor dúvida. Estou sempre sugerindo pautas. Agora cansei, é duro, pagam muito mal, mas estou sempre publicando.

FOCUS – Depois de fotografar costuma acompanhar a produção do livro?
ARAQUÉM – Eu gostaria de acompanhar mais. Olho aqui e ali, várias coisas me incomodam. Não quer dizer nada para ninguém, mas para mim são importantes.

FOCUS – O senhor opera o Photoshop?
ARAQUÊM – Brinco mas não gosto. Para mim, os tons do computador não reproduzem os da natureza. Às vezes o processo é agressivo, tem um tipo de verde que não tem na natureza, um tipo de azul provocado por essas máquinas, quando vejo na tela fico mal. Estamos acostumados com o produto final, com cromo. Quando olho, vejo oito tons. Você vê aquela imagem com que se preocupou tanto indo para tratamento e o cara nivela tudo. Por isso que nessa banalização, a sutileza da captura, da luz, dos detalhes, se perde.

FOCUS – A sua captura é em película?
ARAQUÉM – Sempre foi e eu espero que sempre seja.

FOCUS — O senhor se preocupa com o que está acontecendo com o filme?
ARAQUÉM – Até agora não. Esses dias eu fui para o Amazonas, e levei duas bolsas térmicas com 200 filmes. Sei que no digital não levaria peso algum, mas prefiro assim. O ver ali atrás, na hora, não gosto. Tem a questão da luz e tal, ela banaliza. né? Pra mim é impor-
tante esse mistério na apreensão da imagem, da captura do momento, não saber o que aconteceu, o engano que a máquina te provoca. Hoje você já tem controle, pode editar um monte de coisas, eu acho legal essa coisa do não saber totalmente, o fotômetro te engana, você começa a ter uma acuidade visual. Começa a dominar e a transgredir o que essa luz está dizendo. Nesse momento da transgressão, você começa a se sentir mais senhor da coisa. Em alguns momentos pode fazer isso, porque tem técnicas de panning. Mas o legal é quando se transgride a luz e ela vem com um efeito interessante no teu trabalho, um efeito visual. Acho que quem desenvolveu uma linguagem pessoal, própria, das pessoas falarem assim: “Olhei aquele negócio e vi que era seu sem ler o crédito”. Acho que ali é possível viver do trabalho autoral, portanto prescindir do digital. Fora isso, impossível. No meu caso é difícil. Meu check-in para ir ao mato são: dois facões, duas lanternas, uma de cabeça e uma de mão, pilha sobressalente, canivete, binóculos. Laptop ainda? Não dá. Tem que levar uma câmera mecânica senão é arriscado, levo uma Leica. Vivo essa saga, fui gostar de bicho. Esta é a história que estou fazendo, uma história instantânea deste país há trinta anos.

FOCUS – Tem que ter um lado meio zen, uma paciência fenomenal?
ARAQUÉM – A fotografia é um exercício de percepção. O fotógrafo de natureza tem que desenvolver, tem que ser xamã e antes humanista. Segundo tem que ser biólogo. Terceiro tem que ser um monge, ou então você tem que ser um sábio, ter intuição, sorte, porque às vezes você levanta a câmera e o tucano está ao sol e pula para sombra, aí tu volta para sombra, e fala vou esperar, abaixa, oh! já é um gesto zen, cara, já é um gesto de recolhimento, é clássico isso. O fotógrafo é um caçador mas também ele pode ser um bailarino. recolhe, fecha, deixa ali, o bicho te olhou. Vamos falar do tucano. Um bichinho desgraçado: come ovo, filhote, é um malandro, só quer moleza. Mas aí se você ficar quieto, ele te viu, daqui a pouco ele desce mais, porque tem um ninho, dai é teu.

FOCUS — O senhor pratica esporte?
ARAQUÉM – Futebol. Parece que o Jaguar falava isso, intelectual vai à praia. intelectual bebe. Mas na verdade há uma força maior, e agora com 55 anos, tem que ter prática de andar. Sou de uma geração de autoflagelação, geração que bebe, que topa mesmo, que adora uma conversa de bar,uma balada. E uma coisa que atrapalha, mas é loucura de adulto, charuto e coisa e tal, eu gosto. Mas já o fato de não carregar peso, está me dando uma sobrevida danada.

FOCUS — Se não fotografasse natureza teria uma outra área de interesse?
ARAQUÉM – A documentação antropológica. Na verdade eu faço isso, mas não tão sistematicamente quanto natureza. Como não posso, vou fazendo aos poucos. O p&b gostaria de desenvolver mais, para trabalhar com os dois. Mas como é difícil pensar nas duas coisas, mesmo tendo à disposição as lentes, você está indo com um objetivo daí na hora você vê aquilo, para passar para o preto-e-branco que você não vai usar depois, a não ser que os dois estejam na mesma linha de interesse.

FOCUS – A Amazônia é sua casa?
ARAQUÉM – Agora fui fazer uma viagem que comecei em Cuiabá e fui até Santarém (Araquém se levanta e vai até o mapa mostrar o roteiro). Para ter idéia, cortei aqui, comecei a subir e quando chegou aqui entrei para alta floresta e fiz a harpia. Aqui tem uma reserva, poderia ter ido para lá também, seria uma loucura, daí voltei pela pior estrada do Brasil, Cuiabá-Santarém, que é pior que a Transamazônica. Não tem nada. Atravessei para ltaituba, desci e vi que era barra- pesada voltar para casa, falei: Vou por outra. Voltei tudo, fui até Altamira, de Altamira voltei para Santarém, peguei um avião e fui fazer Paritins. De Paritins fui para Manaus. Quando você acaba uma viagem destas, sente a sua roupa, as suas coisas, é outra pessoa. Você pega aquilo tudo e manda lavar, toma um banho daqueles, que jamais vai tomar em um hotel de beira de estrada, não dá, é um banho assim em um local legal. Kiekergaard fala, o aventurar-se é uma coisa de você soltar a pele. Esta é chamada de a última área, (Araquém continua a mostrar no mapa) é a área do meio, entre o Xingu e o Iriri, essa e a última área verde do Pará, rompeu isso aqui já não tem mais nada no Pará também. Em Rondônia já foi. Já tem 10,20%. Tanto é que já se vê no mapa o branco. Então, acabou Rondônia, acabou Pará, Matogrosso já está bem detonado. O negócio fica sendo essas áreas mais de serra, esse lado, este aqui que é o lado de várias tribos, inclusive algumas ainda não contatadas.
Isso significa o seguinte: em pouco tempo 30 a 40 % da Amazônia estarão perdidos, coisa de vinte anos. Daí o cálculo, de que se não houver uma reversão de novas políticas, novas reservas, novos quadros, nova viabilidade econômica, em 2070 a Amazônia inteira será só mancha. E ela se transforma como a Mata Atlântica. Dizem os institutos metereológicos da inglaterra, que ela se viraria um cerrado. As árvores começam a descer de tamanho. O que evidentemente provoca uma série de mudanças. Catástrofes. Câncer de pele. Em alguns lugares já têm alguns fenômenos de lixiviação tão grande, que já se vê uma areia, daí desenvolve ali uma tal de Campina Arana. Não tem mais florestas, são árvores tipo coqueiro. De tanto o rio mudar de lugar pela lixiviação da chuva, acaba transformando a paisagem. As árvores não crescem, porque o solo é uma área muito pequenininha de fertilidade.

FOCUS – O senhor é casado, tem filhos?
ARAQUÉM – Não sou casado, tenho uma filha de 30 anos. E uma pergunta que costumeiramente me fazem. Acho que naturalmente comecei a atrair um coração afim, harmonioso. Com essa história da natureza. Os dois têm que ser criativos, geralmente as minhas namoradas são das áreas de artes plásticas, de humanas, jornalistas, fotógrafas. Se eu tivesse um modo de vida normal, não seria fotógrafo de natureza. Quando me separei já era fotógrafo de natureza, mas não viajava. No máximo cinco dias. Se não houvesse separação, se tudo fosse um mar de rosas, talvez isso impedisse a minha vocação. Quando me separei, já era fotógrafo de natureza, daí falei: A Ritinha vai ter de entender que vou vê-la menos, e assim foi. Como diz um carinha que entrevistamos para a revista Terra, que tentou fugir três vezes de Ilha Grande, e dançou nas três. Agora é jardineiro, com barba comprida e um cajado. Todo final de frase, ele conclui desta forma: “E assim sucessivamente…” A matéria tinha que acabar. O jornalista que estava comigo disse: ‘Araquém, vou terminar a matéria usando ‘e assim sucessivamente’. Com mulher, vale isso, porque esse “assim sucessivamente” quer dizer otimismo. Que aconteça isso, este papo aconteça outras vezes e que as compreensões aconteçam… e assim sucessivamente.

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