Como a Kodak quase inventou a câmera digital décadas antes de sua época

em Artigos e Entrevistas, Equipamentos.

direito autoral, fotografia protegida por lei, obras intelectuais, obras fotográficas, autoria, direitos morais, direitos patrimoniais, obra literática, artística, científica, buy out, direito moral, lei autoral, prova judiciária, disposições legais, plano de marketing para fotógrafos, fotografia, curso de fotografia, focus, focus fotografia,  escolas de fotografia focus, cursos de fotografia online, abrafoto,   Kodak, invenção da câmera digital, aparelho original, fotos digitais, smartphones, tecnologia fotográfica, Appple, Samsung, LG, Steven Sansson, luz bidimensional, The New York Time, primeiro computador, sistema fotográfico, câmera totalmente eletônica, ideía certa, momento errado, evolução tecnológica , métodos de digitalização , tecnologiasa de compressão de imagem, iKodak, câmera digital, Apple, Google, Facebook, Amazon, Microsoft, Samsung, Adobe Systems, HTC,

O criador e a criatura. O aparelho original agora está em exposição no Museu Smithsonian

Carlos L. A. da Silva

Mas tudo poderia ter sido diferente. Você, eu, as pessoas ao redor, todos nós poderíamos estar registrando nossas fotos digitais em máquinas Kodak, subindo as imagens para o Kodakgram e compartilhando as melhores poses e selfies em alguma rede social com Kodak no nome.

Talvez a empresa fosse líder também no mercado de smartphones se tivesse conseguido direcionar seu potencial nos anos 90 ou pelo menos ser a fornecedora oficial de tecnologia fotográfica para gigantes como a Apple, Samsung ou LG. Essa realidade paralela onde a Kodak não desapareceu dos holofotes começou quando Steven Sasson, um jovem engenheiro de 24 anos se juntou à empresa em 1973. Inicialmente, como quase todo funcionário novo, a ele foi conferida uma tarefa de baixa responsabilidade: testar um dispositivo que capturava um padrão de luz bidimensional através de um sensor e convertia em um sinal elétrico.

Em entrevista para The New York Times, Sasson lembra que o projeto não era considerado importante dentro da empresa. Poucas pessoas sequer sabiam que ele estava trabalhando naquilo. Ele acreditava que era uma tarefa frívola para evitar que ele causasse confusão em alguma outra área. Ele deveria avaliar a utilidade prática daqueles dispositivos.  E, de fato, não havia muita em uma análise superficial. O sinal elétrico convertido se dissipava muito rapidamente e não havia o que se fazer com aquilo.

Mas então, Sasson teve uma ideia: e se fosse possível transformar aquele sinal elétrico em números? Ele teria uma versão digital de uma imagem bidimensional. Ele teria uma fotografia digital. Uma ideia leva a outra e o engenheiro se deparou com outro problema: como armazenar aqueles dados e, principalmente, como recuperá-los depois, voltando a ter uma imagem que um ser humano consiga entender?

Para o primeiro desafio, Sasson acoplou um gravador de fita magnética ao dispositivo original. Para resolver o segundo, conectou a parafernália a um televisor. Antes mesmo do primeiro computador chegar ao mercado, antes mesmo da Apple sair daquela mítica garagem, o jovem engenheiro plugou alguns fios, algumas placas de circuito, um par de lentes de uma câmera Super 8, o sensor que convertia a imagem analógica para impulsos digitais, o tal gravador de fita, 16 baterias de níquel-cádmio e plugou aquilo tudo em um aparelho de TV.

 Era tosco. Mas funcionava

Sasson tinha perfeita noção do que havia criado: “Aquilo era mais do que apenas uma câmera. Era um sistema fotográfico que demonstrava o conceito de uma câmera totalmente eletrônica que não usava filme e não usava papel, e nenhum produto consumível de forma alguma para capturar e exibir imagens fotográficas”.

Em outras palavras, era uma sentença de morte para toda a cadeia de produção da Kodak, uma empresa que naquela época tinha o monopólio das câmeras, dos filmes fotográficos, dos dispositivos de flash, dos quiosques de revelação, do papel usado nos laboratórios e até dos produtos químicos empregados no processo.

Ainda assim, Sasson exibiu seu invento em diversas reuniões da Kodak, para executivos do departamento técnico, do marketing e do setor de negócios. E então para os seus chefes. E os chefes daqueles chefes. Quanto mais subia na cadeia hierárquica da empresa, mais se dava conta de que tinha algo grandioso em mãos.

Em cada reunião, ele demonstrava a geringonça tirando uma foto digital dos presentes e exibindo na televisão. Não era grande coisa para os padrões de hoje. O processo de capturar a imagem demorava apenas 50 milisegundos, mas a gravação em fita se arrastava por longos 23 segundos.

A fita precisava ser ejetada do gravador, passada para um assistente, que colocava no decodificador que passava a imagem para a TV.

Tinha apenas 100x100px de resolução e não oferecia cores

 Mas para os padrões da época, era algo aterrador. Era 1975, o processo de revelação era uma ciência secreta praticada em laboratórios escuros e o usuário poderia demorar dias até receber suas fotos de volta.

E Sasson estava ali, então com 26 anos, discutindo um processo que demorava segundos. E ainda mencionou a possibilidade de transmitir o resultado pelas linhas telefônicas, antecipando o compartilhamento online de fotos em quase duas décadas.

O invento foi engavetado sem dó nem pena

 Não foi apenas o medo da revolução que a fotografia digital provocaria no monopólio da Kodak. Havia também uma farta dose de falta de visão. “Eles estavam convencidos de que ninguém jamais iria queria ver fotos em um televisor.

Impressão vinha nos acompanhando por mais de 100 anos, ninguém estava reclamando de fotos impressas, elas eram muito baratas, então por que alguém iria querer ver suas fotos em uma tela? ”. Era a ideia certa, no momento errado. E Sasson sabia disso também.

Segundo seus cálculos, seriam necessários 2MP para uma foto digital atingir o mesmo nível de detalhe de uma foto tirada com um filme colorido de 110mm.

A evolução tecnológica necessária para otimizar o processo e chegar a esse nível de qualidade demoraria de 15 a 20 anos. Esse era o tempo que a Kodak tinha para se preparar para liderar o mercado ou se armar para a competição. O engenheiro não era cego: “cada câmera digital que fosse vendida seria uma venda perdida para uma câmera de filme (…)

Esse era o argumento”. Mas ele enxergava algo que mesmo os executivos de marketing ou negócios não viam: “o problema é que muito em breve você não seria mais capaz de vender filmes  – e essa era a minha posição”. O máximo que a empresa fez com o conceito foi registrar uma patente em 1978.

 Patente da Kodak

 Apesar da recepção fria, Sasson recebeu carta branca para continuar trabalhando nos métodos de digitalização e nas tecnologias de compressão de imagem e cartões de memória desde que o engenheiro não comentasse com ninguém sobre o que estava desenvolvendo ou mesmo demonstrasse a câmera fora das instalações da Kodak.

Onze anos se passaram nos porões da Kodak. Em 1989, Sasson e seu colega Robert Hills construíram o que viria a ser a primeira câmera digital acabada. Era um produto, com 1.2 MP, lente profissional, compressão de imagem e cartão de memória. Bastava colocar o protótipo em produção para que a Kodak fosse a pioneira e formasse um novo e digital monopólio.

E é nesse ponto que nosso universo diverge do paralelo. Lá, a Kodak assumiu a liderança e hoje todos postam no Kodakgram as fotos que tiram em seus smartphones iKodak ou algo assim. Aqui, o departamento de marketing vetou o invento de Sasson. Sua câmera acabada jamais saiu dos escritórios da empresa.

Ele tinha enterrado mais de uma década de sua vida naquilo. “Aquela câmera nunca viu a luz do dia”, relembra frustrado o engenheiro. Ironicamente, a patente de 1978 ainda renderia bilhões de dólares para a Kodak. Ainda que a empresa não tenha entrado no mercado de câmeras digitais até ser tarde demais para se tornar relevante, o conceito registrado lá atrás garantiu que a empresa recebesse royalties de todos os fabricantes até 2007, quando a patente expirou.

Em 2009, Steven Sasson, foi condecorado pelo presidente Barack Obama com uma medalha de National Medal of Technology and Innovation, em uma cerimônia na Casa Branca.

Em 2012, a Kodak abriu falência. A empresa conseguiu se recuperar, dissolvendo diversas divisões de negócios, demolindo 80 prédios, demitindo 27 mil funcionários e vendendo outras patentes relacionadas às descobertas de Sasson para uma aliança formada por empresas como Apple, Google, Facebook, Amazon, Microsoft, Samsung, Adobe Systems e HTC.

O sonho da fotografia digital não estava mais em suas mãos. “Era apenas uma questão de tempo e ainda assim a Kodak nunca absorveu isso”, lamenta Sasson.

Fonte: http://goo.gl/Vig43S

FOCUS Escola de Fotografia – Desde 1975: http://focusfoto.com.br
 Conheça os novos cursos da Focus: http://focusfoto.com.br/cursos/

Conheça os trabalhos de nossos alunos: https://goo.gl/FAflIK
Fale com a Focus: cursos@focusfoto.com.br

Atualize-se com o Blog da Focus: http://focusfoto.com.br/blogs/
Seja fotografo regulamentado. Obtenha seu registro Mtb de fotografo profissional

Clube Focus: http://focusfoto.com.br/clube-focus/
“Faça bem feito, faça Focus! – 1975 – 2016 = 41 anos” 

Sobre o autor

ATENÇÃO: OS TEXTOS, MATÉRIAS TÉCNICAS, APRESENTADAS NESSE BLOG SÃO PESQUISADAS, SELECIONADAS E PRODUZIDAS PELOS ALUNOS, PROFESSORES E COLABORADORES DA FOCUS PARA USO MERAMENTE DIDÁTICO E COMPLEMENTAR ÁS AULAS DE FOTOGRAFIA NAS MODALIDADES DE CURSOS PRESENCIAIS OU A DISTÂNCIA EAD, MANTIDOS PELA FOCUS ESCOLA DE FOTOGRAFIA, SEM QUALQUER OUTRO TIPO DE PROPÓSITO, RELEVÂNCIA OU CONOTAÇÃO. PARA MAIORES INFORMAÇÕES CONSULTE https://focusfoto.com.br A Focus é a única escola de fotografia no Brasil, que oferece ao aluno o direito de obter seu REGISTRO LEGALIZADO DE FOTÓGRAFO PROFISSIONAL, emitido pelo Ministério do Trabalho, por meio de cursos com carga horária total de 350 horas, incluindo períodos de estágio, preparo e defesa de TCC OS CURSOS DA FOCUS ESCOLA DE FOTOGRAFIA SÃO RECONHECIDOS PELA LEI N. 9.394, ARTIGO 44, INCISO 1 (LEI DE EDUCAÇÃO) O REGISTRO DE FOTÓGRAFO PROFISSIONAL é unificado, sendo o mesmo obtido pelas melhores Universidades Públicas do Estado de São Paulo. E você poderá obtê-lo EM QUALQUER MODALIDADE DE CURSOS DA FOCUS, presenciais ou a distância EAD em menos de 6 meses de curso. O aluno obterá seu REGISTRO DE FOTÓGRAFO PROFISSIONAL diretamente nas agências regionais do Ministério do Trabalho e Emprego. Este registro é fundamental para o exercício legal da profissão, constituição de seu próprio negócio, ingressos em concursos públicos e processos admissionários em empresas de fotografia, públicas ou particulares, bancos de imagens, agências de notícias, jornalismo e consularização de seu registro de fotógrafo, caso queira trabalhar em outros países ou Ongs. Internacionais, como "FOTÓGRAFOS SEM FRONTEIRAS" entre outras modalidades. SEJA FOTÓGRAFO DEVIDAMENTE REGULAMENTADO. QUALIDADE E EXCELÊNCIA EM EDUCAÇÃO FOTOGRÁFICA É NOSSO DIFERENCIAL HÁ MAIS DE QUATRO DÉCADAS. Os alunos recém-formados pela Focus competem em nível de igualdade com fotógrafos profissionais que estão no mercado há mais de 30 anos. Na FOCUS, o aluno entra no mercado de trabalho pela porta da frente! Os alunos, após formados, são encaminhados para o mercado de trabalho. Cursos 100% práticos, apostilados e com plantão de dúvidas. Faça bem feito, faça Focus! Há mais de 44 anos formando novos profissionais. AUTOR DO PROJETO e MEDIADOR DESSE BLOG: Prof. Dr. Enio Leite Alves, Professor Titular aposentado da Universidade de São Paulo, nascido em São Paulo, SP, 1953. PROF. DR. ENIO LEITE: Área de atuação: Fotografia educacional, fotografia autoral, fotojornalismo, moda, propaganda e publicidade. Pesquisador iconográfico. Sociólogo, jornalista, físico, fotoquímico, inventor e docente universitário. Fotografo de imprensa desde 1967, prestando serviços para os Diários Associados e professor do Sesc e do Curso de Artes Fotográficas Senac Dr. Vila Nova, São Paulo. Fotografo do Jornal da Tarde em 1972 -1973. Em 1975, funda a FOCUS – ESCOLA DE FOTOGRAFIA, primeira instituição de ensino técnico e tecnológico da AMÉRICA LATINA. No mesmo ano, suas fotos são premiadas na 13ª Bienal Internacional de São Paulo, quando a fotografia passa a reconhecida pela primeira vez como obra de valor artístico. Enio Leite, fundador do MOVIMENTO PHOTOUSP no início dos anos 70, com Raul Garcez e Sergio Burgi, entre outros, no centro acadêmico da Escola Politécnica, na Cidade Universitária, São Paulo-SP. Professor de fotografia publicitária da Escola Superior de Propaganda e Marketing, (ESPM), 1982 a 1984. Mestre em Ciências da Comunicação em 1990, pela Escola de Comunicação e Artes, USP. Doutor em História da Fotografia, Fotoquímica, Óptica fotográfica e Fotografia Publicitária Digital, em 1993, pela UNIZH, Suíça. No ano de 1997 obteve Livre Docência na Universitá Degli Studi di Roma Tre. Professor convidado pela Miami Dade University, Flórida, 1995. Pesquisador e escritor, publicou o primeiro livro didático em língua portuguesa sobre fotografia digital, Editora Viena, São Paulo, maio 2011, já na quarta edição e presente nas principais universidades brasileiras portuguesas. Colabora com artigos, ensaios, pesquisas e títulos sobre fotoquímica, radioquímica, técnica fotográfica, tecnologia digital da imagem, semiótica e filosofia da imagem para publicações especializadas nacionais e internacionais. (Fonte: Agência Estado - 12/03/2019)

Deixe seu comentário

  • (não será mostrado)