EQUILÍBRIO

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No coração da composição está o conceito de equilíbrio

Equilíbrio é a resolução da tensão, forças opostas que são equiparadas para dar sentido de harmonia. É um princípio fundamental da percepção visual que o olho tente equilibrar uma força com outra.

Equilíbrio é harmonia, resolução, uma condição que, intuitivamente, parece esteticamente agradável. Neste contexto, o equilíbrio pode referir-se a qualquer elemento gráfico em uma figura (no Capítulo 3, analisaremos cada um deles).

Por exemplo, se considerarmos dois pontos fortes em uma figura, o centro do quadro torna-se uma referência contra a qual vemos suas posições. Em outra imagem, se uma linha diagonal cria um forte sentido de movimento em uma direção, o olho está ciente da necessidade de um sentido de movimento que se oponha a esse.

Nas relações entre cores, contrastes simultâneos e sucessivos demonstram que o olho tentará dar seus próprios tons complementares.

Ao falar do equilíbrio de forças em uma figura, as analogias comuns tendem a ser as extraídas do mundo físico: gravidade, alavancas, pesos e pontos de apoio. Essas são analogias bastante razoáveis de se usar porque o olho e a mente tem uma resposta ao equilíbrio objetiva, real, que funciona de modo muito semelhante ás leis da mecânica. Podemos desenvolver as analogias mais literalmente pensando em uma imagem como uma superfície equilibrada sobre um ponto, como uma balança. Colocando qualquer coisa em um lado da imagem – isto é, descentralizada -, ela torna-se desiquilibrada, e sentimos a necessidade de corrigir isso. Não importa se estamos falando de massas de tom, cor, um arranjo de pontos ou o que for. O objetivo é encontrar o “centro de gravidade” visual.

Considerando desta forma, há dois tipos diferentes de equilíbrio. Um é simétrico ou estático; o outro é dinâmico. No equilíbrio simétrico, o arranjo de forças é centralizado tudo está equidistante do meio da figura.

Podemos criar essa situação colocando o assunto de uma fotografia bem no meio do quadro.

Na nossa analogia com a balança, ele ficaria bem em cima do ponto de apoio, do fulcro, do ponto de equilíbrio. Outro modo de atingir o mesmo equilíbrio estático é colocando dois pesos idênticos um em cada lado do centro, a distâncias iguais. Acrescentando a isso mais uma dimensão, vários elementos gráficos igualmente arranjados ao redor do centro tem o mesmo efeito.

O segundo tipo de equilíbrio visual opõe pesos e forças desiguais, dando, assim, mais vida à imagem. Na balança, um objeto grande pode ser balanceado por outro  menor, contanto que este esteja suficientemente longe do fulcro. De modo análogo, um objeto gráfico pequeno pode opor com sucesso um objeto dominante, contanto que seja situado próximo às bordas do quadro.

A oposição mútua é o mecanismo pelo qual, na maioria das vezes, atinge-se o equilíbrio. Ele é, obviamente, um tipo de contraste  (ver Contraste, nas páginas 34-37). Essas são as regras básicas do equilíbrio visual; porém precisam ser tratadas com certa cautela. Tudo o que fizemos até agora foi descrever o modo pelo qual o equilíbrio atua em circunstâncias simples. Em muitas figuras, interagem uma variedade de elementos, e a questão de equilíbrio pode ser solucionada apenas intuitivamente, de acordo com o que parece estar certo. A analogia com a balança é boa até certo ponto- para explicar os fundamentos -, mas, certamente, eu não recomendaria usá-la de fato como auxílio à composição.

Não apenas de um modo óbvio – onde colocar o centro de interesse, por exemplo -, mas no sentido de ver quanta tensão ou harmonia criar. Ao compor a imagem, os polos são a simetria e a assimetria. Simetria é um caso especial, perfeito, de equilíbrio, que não é necessariamente satisfatório, além de muito rígido. No decorrer natural das muitas cenas com as quais espera-se4 que o fotógrafo venha deparar-se, a simetria não é exatamente um caso comum.

Agora, devemos também considerar como a tensão atua em uma composição desequilibrada. A mecânica envolvida é, consideravelmente, mais sutil do que o que pode ser mostrado pela analogia com a balança. Ainda que os olhos e o cérebro busquem o equilíbrio, seria errado presumir que seja satisfatório entregá-lo de bandeja. O interesse por qualquer imagem é diretamente proporcional à quantidade de trabalho que o espectador deve ter, e um equilíbrio muito perfeito deixa pouco para ser trabalhado pelo olho. Portanto, o equilíbrio dinâmico tende a ser mais interessante que o equilíbrio estático. Não só isso, mas na falta de equilíbrio, o olho tenta produzi-lo de modo independente.

Um segundo fator envolvido nas imagens compostas fora do centro é a lógica. Quanto mais extrema a assimetria, mais o espectador acha que deve haver uma razão para tal. Teoricamente, ao menos, alguém que olhe para uma fotografia assim estaria mais disposto a examiná-la com cuidado procurando a justificativa. Esteja avisado, porém que a composição fora de centro pode facilmente ser tomada por fabricada.

Finalmente, todas as considerações a respeito do equilíbrio devem levar em conta a enorme complexidade gráfica de diversas imagens. Para estudar o design de fotografias, estamos fazendo o melhor que podemos neste livro para isolar cada um dos elementos gráficos que vemos. Muitos dos exemplos, tais como o da foto do campo de arroz, são deliberadamente descomplicados. Na verdade, a maioria das fotografias contém várias camadas de efeito gráfico.

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