Estereoscopia, a primeira fotografia 3D

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Junto com a invenção da fotografia, surgiu a estereoscopia, técnica que acrescentava profundidade a reprodução das imagens

O sentido da visão é obtido no cérebro humano através da pupila, que recebe os raios paralelos e os concentra sobre a superfície da retina formando assim as imagens. O olho humano foi a grande inspiração para que o homem, após milênios de pesquisas, pudesse finalmente se aproveitar dessa idéia magnificamente criada pela natureza até ser capaz de construir um instrumento que imitasse a vida.

 O significado “estereoscopia” envolve as técnicas que utilizam o mecanismo visual binocular do ser humano, para criarem uma sensação de profundidade a partir de duas  imagens bidimensionais do mesmo objeto representado através de diferentes perspectivas. A palavra “estereoscopia” vem do grego “stereos”e “skopein”, que significam, respectivamente, “relevo” e “ver”, ou seja, visão em relevo. A freqüente interpretação de “estéreo” no sentido de “dois” é resultante do fato de necessitarmos de dois olhos e dois ouvidos para termos a sensação de espacialidade.

 Embora os inventos de Hercules Florence (franês, radicado no Brasil, precursor mundial da fotografia, em 1832) e de Louis Daguerre – Paris, 1939, resgatasse a verossimilhança das cenas fotografadas, a fotografia ainda era bidimensional onde a sensação de profundidade visual era ilusória, resultantes dos efeitos estéticos da perspectiva, do volume e dos diferentes tons e matizes reproduzidos pela objetiva.

 Para compreender melhor esse fato, basta fechar um olho e observar uma determinada paisagem… O efeito de profundidade visual é automaticamente anulado! Para isso, quando fotografamos devemos pesquisar visualmente nosso tema e procurar o angulo que apresente melhor resultado visual possível… Essas necessidades  foram essenciais para criar o estereoscópico.

 O primeiro instrumento foi projetado em 1837, por F. A.   Elliot,  anterior ao advento da fotografia. O princípio era muito simples: cada olho humano capta a imagem de diferente angulo, temos um leve deslocamento do eixo óptico entre um olho e outro, e é justamente na fusão dessas duas imagens que teremos a sensação da tridimensionalidade.  Após Elliot, outros, como Wheatstone, em 1838, continuaram a pesquisar essa nova técnica com duplicatas de desenhos e pinturas matematicamente calculados para produzir o efeito tridimensional.

 Mas, já no início de 1860, uma nova febre fotográfica contagiava toda a Europa e os Estados Unidos. Finalmente as fotografias estereoscópicas causavam maior impacto de realidade. As novas cameras possuíam duas objetivas, gerando um par de imagens, com o mesmo deslocamento da vista humana, que depois examinado por um visor de duas lentes, possibilitava a fusão de duas imagens em uma só, viabilizando o efeito espetacular da tridimensionalidade.

 A maioria da classe média ascendente dessa época se orgulhava de possuir esse novo aparelho. Famílias, amigos ficavam impressionados com os resultados do novo engenho. As pirâmides do Egito, cenas das principais avenidas de Paris, as maravilhas da China, paisagens da Terra Santa – todas com grande realismo, com vida e notável senso de perspectiva.

 O principio originalmente descrito por Elliot, baseava-se em um antigo fenômeno: os olhos recebem duas imagens ligeiramente diferentes de uma cena, que são interagidas pelo cérebro, numa única imagem tridimensional.

 Portanto, duas fotografias, do mesmo assunto, aparentemente iguais, observadas por cada olho, criavam a sensação real de profundidade, quando observadas através do estereoscópio

 O fabricante de equipamentos ópticos inglês, foi um dos pioneiros a construir câmeras especiais para essa revolucionária técnica: o invento, patenteado em 1856, possibilitava fotografar ao mesmo tempo através de duas objetivas cuidadosamente separadas.

 Havia modelos de luxo, com pedestal e modelos mais comuns e baratos, segurando com as mãos, conforme ilustração acima.

 A magia do cinema, no início do século XX, foi desviando a atenção desse público, sempre a procura de maior realismo e impacto.

 Mas, a estereoscopia não ficaria esquecida por muito tempo. Já na década de 70, a Indústria Cinematográfica de Hollywood, lançava o Cinema em Três Dimensões, onde os espectadores se entusiasmavam com os resultados, usando óculos especiais durante as projeções.

 No início de 80, surge a holografia. Adequando á óptica fotográfica ao sistema de feixes de lazer, obtinha-se a imagem tridimensional projetada no espaço ou em suportes especiais.

 Mas, como o custo dessa tecnologia era muito alto, a partir de 95, usando câmeras profissionais analógicas de médio e grande formato, com equipamentos especiais, consegue-se aperfeiçoar cartazes, outdoors e back lights publicitários diretamente em suporte próprio, sem necessidade de instrumentos adicionais para apreciar seus efeitos. Mas, g esta nova técnica não durou muito tempo. As atenções foram concentradas para a popularização da fotografia digital.

 Com o advento do 3D digital, podemos também conferir melhor a sensação de tridimensionalidade.

 Texto: Enio Leite

 

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