FOTOCABINES E O PODER DA FOTOGRAFIA IMPRESSA NA HORA

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A queridinha dos eventos e a possibilidade de trabalhar com a fotografia como lembrança

Um mercado em franca expansão, que tem tudo a ver com o crescimento dos eventos dos mais variados tipos e estilos no Brasil, tanto em corporativos quanto sociais, as cabines fotográficas e suas diferentes vertentes fazem sucesso onde são expostas.

Fhox/News

Elas funcionam como atrações e são populares por alguns motivos. Primeiro, porque geram um apelo imediato, mesmo em tempos de selfies e smartphones.

As pessoas se empolgam com a chance de posar para uma foto e levar uma impressão para casa. Segundo, trazem reconhecimento e servem como ativação de marketing ou como um eficiente branding. Afinal, quem vai jogar fora uma foto sua (mesmo que ela tenha um logo)?

O terceiro motivo tem a ver com o retorno da impressão. Quando tudo é muito digital, o que é impresso ganha valor. E é isso que ocorre. Para Alan Cappucci, da Fangroup, que já está no mercado desde 2011 em São Paulo, o setor está aquecido e existem vários nichos que podem ser explorados, das mais variadas maneiras, com as cabines e totens.

Segundo o empresário, que de 2017 até agora já teve um crescimento de 76% em seus negócios, isso é reflexo da popularização entre os clientes e empresas que desejam oferecer o serviço em seus eventos por já estarem familiarizados com a possibilidade.

Hoje, com cinco cabines e oito totens, Cappucci consegue atender simultaneamente oito eventos, realizando, em média, entre 30 a 36 trabalhos por mês. Boa parte deles é social, mas o empresário afirma que isso varia também da temporada. Em finais de ano o volume de eventos corporativos passa a ser maior.

“Eu acredito também que hoje o segmento está em expansão pelo fato dos fornecedores, como fabricantes de câmeras, impressoras, entre outras, estarem se tornando cada vez mais acessíveis para as pessoas. Por conta da crise, todos estão buscando novas formas de renda, e com o mercado de cabines, se bem trabalhado, é possível ter um faturamento bom, por ser algo que as pessoas gostam”, afirma Cappucci.

Só nos últimos seis anos, o mercado de cabines cresceu tanto aqui quanto lá fora. Já existe, inclusive, uma feira exclusiva em Las Vegas com novidades frequentes para quem deseja investir no negócio. Uma das mais recentes (que nem é tão nova assim) é o Espelho Mágico.

Ele, além de servir de apoio para planejar a pose, traz uma câmera embutida e uma impressora que cuida de gerar as fotos. Chama tanto a atenção quanto as cabines clássicas.

Ideias móveis também estão ganhando o gosto do público, como as kombis, vans e bicicletas, que podem ser levadas para ambientes abertos, e também as bicicletas.

Mas por que as cabines se popularizaram tanto? A elevação dos números do setor se deu por conta de dois grupos específicos: empreendedores que notaram a oportunidade e não faziam parte do mercado fotográfico e fotógrafos e alguns empresários do ramo que perceberam uma chance de compensar perdas.

Entre os fotógrafos que decidiram apostar na ideia está Felipe Menezes de Almeida, da My Photo Cabine, de São Paulo, que antes só fazia a cobertura de eventos, mas percebeu que era um nicho no qual ele também poderia entrar.

Eu trabalho com fotografia há mais de 15 anos e acabei sentindo que o público que eu atendia estava precisando de cabines. Às vezes o cliente queria fechar um pacote completo, desde um pré-wedding até a festa, e chegava na hora de oferecer alguma coisa a mais a gente não tinha, que no caso era a cabine”, conta.

No início, o fotógrafo acabou fazendo parceria com uma empresa que oferecia o serviço para eventos. Entretanto, decidiu apostar na própria cabine. “Deu tão certo que hoje eu trabalho só com cabines. Ainda tenho uma equipe que faz filme e foto quando o cliente pede, mas é aquele cliente mais antigo, da época do estúdio, não é uma coisa que eu ofereço”, explica.

Já Fabiano Rodrigues Pereira, dono da Prime Shot Foto Cabine de São Caetano do Sul (SP), hoje, além de ser fotógrafo é também empreendedor. Passou a oferecer serviços de fotocabine em uma feira de noivas, na qual já trabalhava há bastante tempo.

“Alguns clientes me perguntavam se eu tinha cabine fotográfica ou totem e eu dizia que não, que não era o meu perfil, pois eu gostava da parte da emoção do fotógrafo de casamento. Não queria ter somente um produto, mas algo que emocionasse”, explica.

Com o tempo, Pereira acabou cedendo, pois percebeu o quanto os convidados ficavam felizes em ganhar uma foto de lembrança. Depois disso, começou a mudar a sua ideia de negócio. Para ele, o mercado está em propagação.

“Virou moda ter este tipo de serviço em eventos, principalmente casamento e festa de debutantes”. Ainda, segundo ele, hoje é muito difícil o consumidor final não querer ter este tipo de equipamento em seu evento.

Porém, o que o incomoda é a concorrência desleal com a multiplicação de empresas no setor. “Existe uma concorrência um pouco desleal, pois há aqueles que cobram valores muito abaixo do que deveria.

Na minha opinião não adianta apenas estar em eventos todo o final de semana se não há uma mudança crescente na conta bancária, pois somos empresários e uma empresa tem vários riscos. Não dá para trabalhar com uma margem pequena de lucro, pois precisamos garantir um futuro saudável, para nós e nosso negócio”, diz.

Quem compartilha da mesma opinião é Menezes de Almeida. Ele acredita que isso enfraquece todo o trabalho e esforço de quem está batalhando para oferecer boas condições e qualidade. Além de reforçar que é preciso saber trabalhar.

“O mercado de eventos é um bom lugar para se investir, em qualquer ponto. Se você quiser vender brigadeiros e trabalhar para isso, vai ter retorno.

Mas eu também acho que não dá para você simplesmente comprar uma lata de leite condensado e colocar para vender a um preço baixo. Tem que estar preparado”, explica. “Existe muita gente boa por aí, por isso você tem que investir fazendo a coisa certa”, conta.

Investir em qualidade é um ponto importante. E engana-se quem pensa que consumidor final não se atenta a isso. E esse é um fator que pode ajudar a combater os preços desleais oferecidos por aí. Segundo Pereira, o empresário de cabines precisa apresentar isso para quem deseja contratar o serviço.

“Muitos clientes vêm em busca de preço, mas eu quero mostrar o porquê da minha empresa ser melhor. Apresentar o papel, a câmera, o software e outros benefícios que eu posso dar.

Não quero vender porque sou barato, quero vender porque os clientes desejam a minha empresa e meu produto” diz ele. Em termos de equipamento, a Prime Shot usa impressoras HiTi com câmeras Canon. O empresário conta com quatro impressoras HiTi, mas leva só uma para cada evento.

INVESTIMENTOS E ESTRUTURAS

Marco Madeira é dono da Diversão Cabine Fotográfica. Ele investiu no segmento depois que a família sentiu o baque da crise a partir de 2015. “Me vi obrigado a trancar o curso de engenharia no segundo ano da faculdade. Eu trabalhava com fotografia nos finais de semanas, e em um deles, no

interior de São Paulo, encontrei a oportunidade de trazer para a baixada santista uma novidade, que era a cabine fotográfica”, explica.

Como não tinha condições de investir em uma cabine pronta, Marco criou sua própria solução. “Decidi que eu mesmo desenharia, cortaria e criaria minha própria cabine.

E no meio da crise, quando não vemos possibilidades, precisamos criá-las mentalmente e fisicamente. Passei a oferecer o serviço para vários profissionais da área de eventos”, relembra.

Depois de um ano trabalhando pesado, ele decidiu ampliar a estrutura da empresa, e a demanda cresceu. Hoje ele conta com uma equipe de dez pessoas, possui duas cabines, dois totens e um InstaPrint que faz impressões de hashtag. O enfoque é na qualidade e satisfação dos clientes.

“Minha ideia na empresa vai além da quantidade de eventos e mais no foco da ‘diversão cabine’”, explica sobre a métrica utilizada por ele para medir a quantidade de clientes felizes com o serviço.

Assim como Pereira,  Madeira vê essa emoção da impressão no evento com satisfação e também crê que o mercado segue crescendo. Ele diz que sua empresa foi uma das pioneiras na categoria.

Para ele segue sendo um bom negócio. A ética concorrencial, por conta do aumento da concorrência, se diluiu com atitudes questionáveis. Gente copiando modelos de negócio e até conceitos de produtos e serviços.

“Vi muita gente entrando e também desistindo desse mercado. Hoje nossa empresa tem uma estrutura completa, com o diferencial de levar equipamento extra em todos os eventos. Pois se der problema, temos back up”, diz Madeira.

Assim como outros empresários do ramo consultados, ele indica a presença quase obrigatória das cabines em eventos. Seja por ser uma atração, diversão e por gerar lembrança física.

“Tanto as cabines quanto os totens divertem pessoas de todas as faixas etárias, das crianças aos mais velhos. Os equipamentos geram filas para serem usados e quando os convidados entram, escutamos de fora as risadas”.

 Sua empresa trabalha com impressoras Epson e o tamanho mais usado é no 10 por 15 cm, além do formato de tirinhas, que é um clássico das cabines.

O marketing da Diversão Cabine Fotográfica é na base do boca a boca, que se pode ter trabalhando em eventos que geram clientes satisfeitos. “Trabalhar com eventos requer muita responsabilidade, pois lidamos com sonhos, nada pode dar errado, um casamento, um aniversário de 15 anos. É uma vez só para o contratante, não há possibilidade de repor o serviço em uma outra data” conta.

APOSTAS

Maiara Schmeing, da Cabine MyClick, entrou no mercado de foto lembrança faz quatro anos. Em julho de 2014 ela estava organizando o próprio casamento quando teve contato com as cabines. Ao pesquisar a contratação do serviço, não encontrou opções em sua região. Atuando em Sinop (MT),

naquele momento só existia o serviço de cabine fotográfica na capital, Cuiabá, a mais de 500 km de distância. A aposta de Maiara deu tão certo que ela largou o emprego, cresceu e hoje possui duas cabines, um espelho mágico e ainda um lambe-lambe.

Maiara diz prezar muito pela qualidade e trata cada evento como se fosse o seu. “Consigo me manter no mercado com o maior preço do que a concorrência, porque tento sempre fazer a melhor pós-venda possível”. Ela já nota uma forteconcorrência na cidade.

 E em sua percepção sobre os eventos, hoje quando acontecem festas e não há fotocabines as pessoas sentem falta. Além disso, para ela a evolução virá de uma integração maior com as redes sociais e dos dispositivos móveis com impressoras. Algo que ela aguarda para poder oferecer. A empresa dela trabalha com impressoras CS2 da Alfa Olmec e câmera T3i da Canon.

O FUTURO É DAS SELFIES

O futuro do mercado de cabines não parece preso às lembranças físicas. A visão de Maiara, que é correta, prevê integração cada vez maior entre os itens físicos e virtuais.

Isso quer dizer que existirão fotocabines com impressão cada vez mais rápidas e até mesmo avanço de soluções sem fio integrando smartphones com as impressoras.

Por outro lado, há evoluções da cabine parauma verdadeira atração do evento. Isso, na prática, já ocorre, seja no formato clássico da cabine no canto até no espelho mágico ou veículos de entrada como Kombis.

E já evoluiu para as bicicletas e câmeras instantâneas, pois marcas como Polaroid e Instax Fujifilm avançam como opção para fotocabine no evento.

E no quesito virtual a grande novidade é a realidade aumentada, ideia que já vem sendo estudada e planejada por diversos dos entrevistados na matéria. Várias impressoras e cabines já trazem isso como grande avanço lá fora.

As marcas que fabricam impressoras e papéis preveem crescimento mundial. Até porque selfies, autorretratos e o números de pessoas fotografando só tende a crescer. E poder levar uma lembrancinha com a foto do evento é sempre uma atividade divertida.

Segundo Douglas Cho, da BM Works, que além de representante da DNP na Grande São Paulo também vende totens prontos, o negócio está muito bem espalhado por diversos estados do País e, consequentemente, despertando novas possibilidades.

“Eu vejo pelo número de cabines que estão sendo vendidas, o investimento é alto. Existem empresas que atendem eventos com uma média de 10 cabines por semana”, afirma.

Para ele, há um potencial muito forte a ser explorado, inclusive, em outros setores além dos eventos, como lojas, pet shops, salões de beleza, parques temáticos, pontos turísticos, estádios e arenas poliesportivas.

O fato é que as cabines, tidas antes como itens ultrapassados, agora voltaram com tudo renovado para a nova fase conectada da fotografia.

E a onda retrô puxou um retorno inesperado. Ao que tudo indica, elas vão continuar crescendo, iguais as filas quilométricas dos eventos para levar a selfie impressa para casa.

Fonte: https://bit.ly/2KYVvGz

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