Fotografia: a paixão que resiste ao tempo

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Primeira Câmera Leica, 1917

É num armário empoeirado, numa casa onde o tempo insistiu em parar, que o aposentado Mário José da Silva, 65 anos, guarda sua maior herança. Um acervo com lentes, flashes e mais 25 câmeras fotográficas antigas.

 A maioria do início do século XX. “Todo esse material foi deixado pelo meu pai. Eu tinha mais de 50 máquinas, mas com o passar dos anos, infelizmente, algumas acabaram se perdendo. Essas aí foram as que eu conseguir preservar. Mas a minha preferida mesmo, é esta aqui” revela o aposentado, com um sorriso de uma ponta a outra do rosto, apontando para uma câmera Leica de 1917.

A paixão de seu Mário pela fotografia resistiu ao tempo. Atravessou gerações. “Tudo começou com o meu pai que era fotógrafo do centro de identificação da Central de Polícia. Eu queria ser médico, mas com o passar do tempo, com os ensinamentos forçados do meu pai, eu fui me envolvendo muito com as técnicas da fotografia e acabei me apaixonando. Quando percebi já era fotógrafo profissional”, conta.

Seu Mário começou cedo. Aos 14 anos já trabalhava com o pai, fotografando e revelando fotos de identificação criminal para a polícia. Foi nessa época que ele ganhou a primeira câmera. Uma Yashica Mat. A rigidez com que o pai ensinava os processos de revelação em preto e branco, fez com que a fórmula do revelador fotográfico ficasse gravada até hoje em sua memória. “Metol, hidroquinona, sulfito, carbonato e brometo. Se eu errasse essa ordem, ou a quantidade desses compostos químicos, eu queimava a revelação. E se queimasse eu apanhava e o meu pai mandava fazer de novo, e de novo até eu aprender”, lembra.

Vontade era não parar de trabalhar

De todos os irmãos que também foram obrigados a passar pelos ensinamentos de fotografia impostos pelo pai, seu Mário foi o único que decidiu seguir os passos do genitor. Depois de mais de duas décadas como fotógrafo da Central de Polícia, ele foi transferido para o Centro de Perícias Científicas Renato Chaves. Lá, realizava sozinho um trabalho que, hoje em dia, é feito, pelo menos, por umas cinco pessoas.

“Nessa época eu fazia de tudo. Fotografava cadáver dentro do IML, fazia fotos para perícia na rua, fotos de identificação de presos e ainda realizava todo o processo de revelação manual para entregar o material no mesmo dia”, conta. Entre as muitas histórias vividas como fotógrafo do IML, a que seu Mário mais se recorda foi a vez que fotografou o útero de uma mulher.

“A cena está na minha cabeça até hoje. Eu usava uma câmera Pentax, os médicos abriram as pernas da mulher e eu usei o zoom da lente para registrar os detalhes do útero perfurado. O mau cheiro na hora, a situação toda, e aquela imagem muito forte, foi o serviço que mais me marcou nesse período”.

O excesso de trabalho no Centro de Perícias Científicas teve um preço. Seu Mário sofreu uma fadiga que o tirou à força do serviço que ele mais gostava de fazer. “O cansaço foi tanto que eu desmaiei lá mesmo no laboratório de fotografia e só me acharam no chão muitas horas depois”. O fato foi decisivo para a direção do CPC afastá-lo do trabalho e pedi a aposentadoria para o velho fotógrafo. A lembrança desse momento faz o aposentado chorar. Ele pede uma pausa na entrevista, segura as lágrimas e diz que não queria ter parado de trabalhar. “Eu adorava o meu serviço. Eu queria voltar a trabalhar”, diz, com a voz abafada, tentando segurar as lágrimas.

Longe da sua grande paixão, seu Mário resolveu montar um pequeno estúdio fotográfico improvisado na própria casa. O lugar, com pouquíssima estrutura, servia apenas para ele tirar foto 3X4 dos vizinhos do bairro onde mora, no município de Ananindeua.

A ideia que começou apenas como uma forma de manter vivo o amor dele pela fotografia teve um resultado que o aposentado não esperava. O estúdio improvisado despertou na filha mais velha do segundo casamento dele, Linda Clara Monteiro da Silva, 18 anos, a mesma paixão que ele teve ao ganhar a primeira câmera fotográfica.

Fotografia já seduziu terceira geração da família

“Foi um amor à primeira vista mesmo. Quando ele começou a trabalhar com fotografia aqui em casa eu fazia questão de estar do lado, acompanhando tudo. A minha curiosidade foi tanta que eu com nove anos já fazia fotos 3X4. E o mais engraçando é que tinha gente que fazia questão de fotografar apenas comigo. E na época, eu já me achava profissional”, conta Linda.

Ao ver o entusiasmo da filha pela fotografia, Seu Mário não teve dúvida. Colocou o nome dela no estúdio improvisado na casa. Era como se ele tivesse dado um veredicto. Linda Clara representava agora a continuação de uma paixão que começou com o avô e já resiste a três gerações. Mas uma coisa, o aposentado faz questão de lembrar. “Diferente do meu caso, que fui forçado pelo meu pai a trabalhar com isso, eu nunca forcei a Clara a nada. Se ela escolheu a fotografia foi por livre vontade”, ressalta.

A jovem lembra que o ciúme do pai pelas câmeras antigas era tanto que ele escondia elas até mesmo da família. “Antes ele não deixava nem eu pegar nessas câmeras, mas como eu era saliente, eu fuçava as coisas dele e sempre mexia em uma e outra máquina”. Foi essa curiosidade que, segundo ela, despertou o seu amor pela fotografia e a vontade de preservar o acervo deixado pelo avô.

O avanço da tecnologia não mudou o pensamento deles sobre a fotografia. Para Clara, as melhores câmeras ainda são as analógicas e ela faz questão de defender isso. “Eu não sei se foi porque eu cresci no meio de todas essas câmeras manuais e isso acabou me influenciando tanto, mas uma coisa é certa. Eu não gosto de câmeras digitais. Sei lá, acho que perde o charme da fotografia”, afirma.

“Hoje eu utilizo câmera digital, mas por falta de opção. Tem muita coisa dessas máquinas manuais que a gente já não encontra mais no comércio e por isso temos que recorrer ao novo. Mas se eu pudesse mesmo, eu só utilizava as manuais. Inclusive, essas que eu guardo. Elas são minha paixão”, declara o aposentado.

Diferente do que seu Mário pensava, o acervo de câmeras antigas guardadas pela família não possui somente um valor sentimental. Ele disse que levou um susto quando a filha revelou que o acervo é o sonho de qualquer colecionador de fotografia. E que o material poderia render muito dinheiro. “Eu guardei as câmeras pelo valor que elas representam pra mim e não por um valor financeiro. Enquanto eu tiver vivo, eu quero  elas aqui comigo. Mas quando eu morrer. Aí já não posso fazer mais nada. É a Clara que vai decidir o destino delas”, conta, com os olhos umedecidos, tentado novamente segurar as lágrimas.

Clara abraça o pai, e diz para ele não se preocupar. Ela não pretende se desfazer do que considera uma parte da história de sua família. “Eu sei se eu colocasse todo esse material pra vender eu poderia ganhar muito dinheiro. Mas eu não quero vender. Essas câmeras representam a memória do meu pai. E isso não tem preço”.

Fonte: http://goo.gl/icvM5

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