Fotógrafo Juca Varella

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Eu não conhecia o Juca Varella mas as imagens de grandes acontecimentos do Brasil e do mundo eu vejo há mais de vinte anos através de seu olhar. Provavelmente você também.

Texto: Thaïs Roji/Jornal Daqui

 Luis Carlos Sanchez Varella Júnior, o Juca, nasceu há 47 anos em Bocaina, na região de Ribeirão Bonito, interior de SP. É um dos principais fotógrafos do jornalismo brasileiro, responsável por coberturas fotográficas marcantes. Cobriu duas Copas do Mundo  e os Jogos Olímpicos de Sydney . A morte de PC Farias e seu envolvimento com a máfia italiana foi uma cobertura de destaque, premiada com o Prêmio Folha de Jornalismo em 1996 e que virou o livro “Morcegos Negros”, de autoria do jornalista Lucas Figueiredo.

Trabalhando na Folha de SP, em 2003, foi o único repórter fotográfico brasileiro que cobriu a  Guerra do Iraque.  Dessa cobertura saiu o  livro “Diário de Bagdá”, em co-autoria com o jornalista Sérgio Dávila, hoje editor-executivo da Folha, e que rendeu a ambos o Grande Prêmio Folha de Jornalismo e o Prêmio Esso de Reportagem. Em 2009, juntamente com o jornalista Jamil Chade, cobriu a fome na Etiópia, que virou o livro “O Mundo não é plano”, editado em 2010.

Por três vezes,  Juca conquistou o Prêmio Comunique-se de fotojornalismo, como melhor fotógrafo do ano, e foi finalista em todas as edições. De 2004 a 2010  foi editor de fotografia do jornal O Estado de São Paulo e nesse ano voltou para a Redação da Folha, lugar que considera “sua casa”.

Persuasão, inteligência, sensibilidade e criatividade são fundamentais para conseguir uma boa foto. Mas Juca vai além: “Eu gosto de fuçar, trabalhar na diversidade. Tentar arrancar de uma cobertura, o diferencial. Por exemplo, fazer uma cobertura na mata, na selva, ficar horas dentro da lama… Vencer desafios físicos, emocionais.”

Há cerca de cinco meses se mudou para a Granja, para uma casa gostosa que divide com sua esposa Eliana, sua filhinha Juliana, a cachorra e ainda uma simpática coelhinha.

E com jeitão simples, sereno e simpático, Juca nos recebeu para contar um pouco suas histórias e aventuras.

JDA: A fotografia sempre esteve presente na sua vida, mesmo antes de estudar jornalismo?

Sempre esteve… Eu não sei exatamente por que, mas quando eu tinha uns 5, 6 anos, meu pai pendurava no meu pescoço uma Yashica J quando a gente saía pra passear.

Com sete anos ele me deu uma Xereta, aliás eu tenho até hoje essas câmeras. O meu maior prazer era levar aquela camerazinha na minha mala de escola, eu carregava pra todo lado. Aí fui crescendo e ganhando câmeras melhores e com 11 anos publiquei minha primeira foto no jornal! Pegou fogo numa fábrica em Ribeirão Bonito, eu tirei a foto e foi publicada.

Eu sempre fui apaixonado por foto. Com 14 anos vim trabalhar em São Paulo, no Banco do Brasil como Office boy e com 15 já estava no Mappin comprando a prestação uma câmera “profissional”.

Essa época, 79, o panorama político estava fervendo. Começava uma abertura política, os sindicalistas voltando, greves acontecendo e eu ia para a rua fotografar a confusão. E era violento, bem violento.

JDA:  Então teu gosto em retratar conflito já veio daí…

A primeira vez que cheirei gás lacrimogêneo já adorei! rsrs

Mas quase me dei mal. Estava fotografando a greve com uniforme do banco e fui detido pelo segurança. Quase fui demitido, pegaram minha câmera, chamaram meus pais…

JDA: E a carreira de fotógrafo começou como?

Essa época o sindicato já publicava algumas fotos mas eu não ganhava nada. Mas já estava engajado! Em 85, considero o ano em que comecei minha carreira, foi quando ganhei minha primeira grana com fotografia. Comecei com um estudiozinho e laboratório junto com um colega bancário e em 86 comecei a fazer freelas para empresas. Fotografava para o DCI, depois Editora Globo, e fui equipando  o estúdio. Mas continuava no banco. Trabalhava pra caramba!

JDA:  E a faculdade, foi estudar quando?

Em 83 entrei no Mackenzie para fazer Processamento de Dados. Fiz um ano… fiquei maluco me perguntando o que estava fazendo ali! Abandonei o curso e consegui um registro profissional. Dois anos depois entrei na Faculdade de Jornalismo, tendo a fotografia como foco.

JDA: Valeu ter feito faculdade?

Sensacional! Porque aí agregou.  Quando terminei já trabalhava na Folha de SP.

JDA: Seu interesse como fotógrafo sempre foi indo para o lado político, de conflitos?

Sempre…

JDA:  E as coberturas das Copas, Olimpíadas?

Quando a gente está na final de Copa do Mundo, dentro do campo, é uma grande emoção. E você vive de perto os acontecimentos como o fiasco de 98, quando o Ronaldo passou mal, a derrota para a França mas aí vem a Copa de 2002… Puxa, estava lá no gramado, quando o Cafú levantou a taça…

JDA:  Pois é, ia te perguntar justamente isso. Como manter o controle da emoção nesses momentos?

Eu tinha um amigo e guia, que me disse uma frase que nunca esqueci: “Você tem que se comportar como se estivesse cobrindo Bragantino e Americano no campinho de Várzea. Porque é a mesma coisa. São 22 caras e 1 bola.” Se você começar a pensar e projetar que é final de Copa do Mundo, etc, vai atrapalhar teu trabalho. E isso eu penso pra tudo. É jornalismo de imagem e você trabalha em linha de frente. Você tem que desconectar das suas emoções, é claro que a emoção interfere, é o tempero mas não pode dominar, não pode interferir.

JDA:  Imagino que na Guerra do Iraque ou na Etiópia tenha sido difícil lidar com as emoções… como foram essas experiências?

Na Etiópia era um trabalho de risco. Não corria risco de vida mas era uma situação perigosa pois estávamos lá clandestinamente. O governo etíope não permite equipe jornalística. Entramos como turistas, com apoio da ONU. Mas pior do que esse risco, o duro era ver aquele país abandonado. O governo inexiste no país e a população vive em completa miséria. Crianças morrendo de fome, a vontade é trazer uma com você. Mas é óbvio que não adianta e é preciso lidar com a emoção. A mesma coisa na Guerra, embora aí tenha o elemento do risco, você testemunhas civis morrendo, perdendo familiares, serem mutilados, é preciso lidar com isso.

JDA:  E a experiência também vai ajudando você a lidar com a emoção, não?

Vai. E você vai começando a ter um perfil para cobrir eventos de risco. É interessante por que aí quando você é chamado para uma pauta de risco, como a do Iraque, é sempre numa forma de convite. As pessoas, ás vezes perguntam que curso eu fiz mas não fiz nada.

JDA:  A vida foi te levando…

Justamente. A vida foi me dando subsídios e meus editores começaram a enxergar e foi criando o perfil dentro do meu trabalho. E eu achei ótimo! Não tem preparação…

Eu vou me preparar para cobrir o ataque americano ou o israelense ao Irã se isso ocorrer daqui uns dias – bem provável que aconteça, embora eu espere que não! –  mas, enfim, não tem como se preparar!

JDA: Você tem uma filha pequena. Mudou muita coisa na tua vida? Fazer coberturas de risco agora é diferente para você?

Mudou bastante, claro. Mas eu não rejeitaria um convite para cobrir um conflito. Com certeza eu ia pisar na área de conflito de uma outra forma, não que eu tenha pisado errado lá no Iraque, mas hoje a situação muda…Eu não me exporia demais, sinto que fiquei mais seletivo. Mas sem dúvida nenhuma, é um tipo de cobertura que me atrai.

JDA:  E o que te motiva mais? Que tipo de cobertura?

O que mantém o ser humano sobrevivente, trabalhador, lutando pela vida, por melhor condição social, econômica, isso me atrai.

Eu sempre gostei de trabalhar em situações adversas. Tanto numa final de Copa como numa Guerra, o trabalho a gente executa, é simples mas ser bem ou mal sucedido vai depender de como lidamos com as adversidades. Por exemplo, fazer uma cobertura na mata, na selva, ficar horas dentro da lama… Vencer desafios físicos, emocionais para executar o trabalho.

JDA:  E a Granja Viana? Como está sendo morar aqui?

Aqui é uma maravilha! Outra vida! Estamos ainda descobrindo as coisas, os restaurantes. Mas estamos adorando.

Engraçado que as pessoas às vezes falam que é loucura ir morar longe, etc., mas quando a gente vem pra cá, fica tão claro que a loucura está é lá, na cidade!

Fonte: http://www.jornaldaqui.com.br/materia.php?id_artigo=4644&id_categoria=2

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Comentários

  1. Nelson Esposito -

    Eh isso aih Juca!!!!!! Grande profissional e ser humano Fantastico. Forte abraco. Nelson Esposito

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