Fotojornalismo de Guerra & Ética

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Imagens das câmeras do jovem assassinado na guerra da Síria

A reportagem que saiu esse mês na revista Zoom, sobre o jovem fotojornalista da Síria, morto enquanto trabalhava é uma verdadeira reflexão sobre o fotojornalismo de guerra contemporâneo.

O modelo de mercado para poder lucrar mais, afinal sai bem mais barato (e muitas vezes, eficaz) treinar rapidamente dezenas de fotógrafos locais que enviar fotojornalistas de outros países para áreas de conflito, nem sempre traz o melhor resultado.

Compartilho um trecho do texto, sobre o anuncio da morte do fotógrafo Molhem Barakat.

“Em decisão atípica para uma agência noticiosa, a Reuters aguardou o dia seguinte para divulgar o ocorrido, em nota sucinta e cuidadosa. Contrariando uma das regras básicas de todo manual de redação de obituários, omitiu a idade de Barakat.

Foi o bastante para que a questão ética da utilização de adolescentes locais em regiões de conflito adentrasse 2014 como uma das pautas mais urgentes para editores de coberturas de conflitos. E fez chegar à direção da Reuters uma série de questionamentos públicos por parte de representantes de mídias internacionais.”

Morrer em Alepo, o epicentro da insana carnificina que há dois anos desmembra a Síria, equivale a virar pó da história. Morrer em Alepo na semana de Natal, quando o resto do mundo menos quer ouvir notícias de uma guerra incompreensível, é ainda mais solitário e clandestino. Molhem Barakat foi a exceção. Fotógrafo local a serviço da agência Reuters, seu nome só adquiriu identidade, peso e significado mundial com a notícia de que morrera.

Não pelas imagens marcantes de sua breve carreira de repórter-fotógráfico. Mas por um dado biográfico que desencadeou uma oportuna reflexão sobre a cobertura de conflitos armados nos tempos atuais: Barakat era apenas um adolescente quando morreu fotografando, a serviço de uma das maiores agências noticiosas mundiais, a destruição final do hospital de Alepo. Tinha 18 anos incertos.

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