Grandes Mestres: Ansel Adams

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Ansel Adams: Moonrise, Hernandez, New Mexico, 1944

“A maneira como fotografo baseia-se na admiração que tenho pelo contraste entre o que é grande e pequeno a nossa volta.”

Ansel Adams é o autor das fotografias de paisagem mais grandiosas dos Estados Unidos.  A mais conhecida talvez seja Moonrise, Hernandez, New Mexico, 1944, a imagem de uma aldeia, com uma igreja e um cemitério, numa planície escura, com uma cadeia montanhosa ao fundo, tudo alinhado em faixas estreitas sob um vasto céu. As imagens de Adams são especialmente do Oeste americano, e de paisagens montanhosas e despovoadas da Califórnia, Wyoming, Novo México e Arizona. O seu trabalho levou-o por vezes mais longe, ao Alasca e ao Hawaí, em 1947 e 1948, para fotografar os parques nacionais; mas o seu tema principal foi a paisagem do Oeste.

Outros fotógrafos trabalharam com estas mesmas paisagens, mas as fotografias de Adams têm características específicas. Procurou, e conseguiu, a grandeza e registrou formas que traduzem bem a imensidão. Os seus horizontes são longínquos, extensos e coroados por céus enormes. Com frequência sublinha a imensidão com pormenores, pequenos mas significativos, em zonas próximas; um cavalo, por exemplo, junto das árvores numa faixa iluminada pelo sol, numa cadeia de montanhas recortadas, ou as construções delicadas de Hernandez, no seu ambiente imenso.

O trabalho de Adams revela a sua preocupação pelo equilíbrio. É possível que sua visão da América do Norte seja extensa e muito bem conservada, mas não se pode dizer que seja selvagem. Encontrou e fotografou zonas em que os rigores da rocha e da neve têm como contraponto a suavidade das águas calmas e da vegetação. Os céus que nos deixou raramente se abrem para o infinito; surgem neblinas e nuvens à deriva, que transportam consigo indícios de capricho e imaginação. Fotografou a América como qualquer coisa muito próxima do paraíso, cheia de rios, florestas e pastagens ondulando ao vento, e decorada com belezas naturais como a da luz do alvorecer que incide nos bosques na Primavera.

As fotografias de Adams são nítidas e muito bem preparadas. As imagens tendem a  representar pormenores microscópicos das pedras, as nervuras da madeira, a casca, o gelo, os líquens e a areia amontoada.

Em 1932 contribuiu para fundar o conhecido Grupo f/64, nome derivado do menor diafragma disponível numa câmera para o grande formato. Com f/64 produzia imagens com grande nitidez e profundidade de campo. O grupo de onze fotógrafos, que incluía Imogen Cunningham, Edward Weston e o filho, Brett, realizou apenas uma exposição coletiva em S. Francisco, em finais de 1932, e teve reuniões informais até 1935.

O que escreveu em 1932 é de um romântico que sente profundamente as belezas da terra: “Um espírito de beleza sobrenatural movia-se no escuro e falava em forma de canção com a música débil dos violinos”. As suas fotografias produzem quase sempre uma reação mais desapaixonada. Adams escreveu sobre isto uma nota que não está datada, citada por Nancy Newhall: “Se tenho algum credo, talvez seja o seguinte: se decido fotografar uma pedra, tenho de representar uma pedra… a fotografia tem de reforçar e ampliar a experiência de uma pedra… realçar o tom e a textura… mas, contudo, sob nenhum pretexto, deve “dramatizar” a pedra, nem sugerir conotações emocionais ou simbólicas, além das que se associam evidentemente com uma pedra”.

O purismo fotográfico do tipo que Adams praticava interessava a uma minoria, que tinha apoios na Califórnia e em  Nova Iorque, por parte do idoso Alfred Stieglitz. A sobrevivência da tradição purista na paisagem e o seu esforço na década de cinquenta é, em certa medida, obra de Ansel Adams. Depois de Stieglitz foi provavelmente o fotógrafo norte-americano que maior influência exerceu como professor, como técnico e como artista. Harry Callahan, famoso artista fotógrafo nas últimas décadas, admite em relação aos seus anos de formação: “Foi Ansel quem me libertou”. Também libertou outros e, o que é mais importante, pôs a paisagem no centro da fotografia norte-americana, onde permaneceu mais ou menos até o presente.

Sobre o autor

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