“IMAGENS DE CELULAR NÃO SÃO FOTOGRAFIA” DIZ SEBASTIÃO SALGADO

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Fotógrafo brasileiro mais conhecido no exterior está finalizando um projeto sobre índios da Amazônia

Vinícius Mendes/CapitalNews

O fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado é uma lenda viva da imagem documental. Durante quatro décadas, ele retratou por meio de suas lentes as atrocidades do ser humano ao mesmo tempo em que procurava pelos lugares mais esplêndidos do planeta.

Aos 75 anos, renomado no mundo todo — acabou de ser
tema de uma exposição no Musée de l’Homme, em Paris, na França –, ele está na
reta final de um projeto sobre tribos indígenas da Amazônia.

Salgado saiu do Brasil durante a ditadura militar, em
1969, deixando no país uma carreira de economista e abraçando, por um presente
fortuito de sua esposa, a fotografia. Ainda que tenha começado tarde, como ele
afirma sempre, hoje tem todos os prêmios e reconhecimentos possíveis da área.

Ganhou o Eugene Smith, premiação de fotografia
humanitária, em 1982, recebeu a Legião de Honra da França e a condecoração
Príncipe de Astúrias das Artes, da Espanha, além de ter na sua galeria um World
Press Photo (1985) e um Hasselblad (1989).

Natural de Aimorés, pequena cidade de 25 mil
habitantes em Minas Gerais, a 484 km de Belo Horizonte, Salgado deu mais pistas
sobre seu projeto amazônico em entrevista à revista espanhola Verne: segundo o
fotógrafo, o que mais lhe surpreendeu durante as viagens ao Norte do Brasil foi
perceber que a floresta também é muito montanhosa. “Você tem a impressão
que está nos alpes. Eles são colossais. Qualquer foto da cadeia de montanhas
vai surpreender”, comentou.

O livro, ainda sem data de lançamento, será na verdade
uma coleção de 30 foto reportagens sobre 13 tribos amazônicas, como os korubos,
que só entraram em contato com o homem branco há quatro anos. “Eu pensava
que ficaria meses em processo de adaptação a eles [índios], mas foi um processo
de horas. Porque somos os mesmos. Só há uma pequena diferença física, os pés.
Eles são uma deformação, estão doentes porque os colocamos em sapatos que
deformam sua forma. Os pés dos seres dessas comunidades são triangulares, a
parte de trás é fina e a da frente é larga”, disse.

E quando questionado sobre o uso em massa de
fotografias por causa das câmeras embutidas em celulares e smartphones, Salgado
é enfático: não se trata de foto, mas de uma “linguagem de
comunicação”. “A fotografia é algo que se toca, se guarda. Agora
estão mudando as demandas. Com um celular se faz imagens com uma qualidade
incrível, mas não é fotografia”, afirmou.

“Pelo meu tipo de fotografia, sou como aqueles
homens que, na Idade Média, movidos pela curiosidade, iam de cidade em cidade
para conhecer as coisas e transmiti-las. A vida dos fotógrafos é assim:
descobrir, conhecer e transmitir. A fotografia que eu faço é o espelho da
sociedade. É uma função que não existia há 100 e não acho que vai existir mais
dentro de 20″, completou.

Fonte: https://bit.ly/2ZfwmhF

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Sebastião Salgado no blog da Escola Focus.

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Sobre o autor

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