Instantâneos poéticos das ruas

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Praça Ramos de Azevedo, 1970

A obra de Carlos Moreira ergue-se na fotografia de rua num diálogo denso com os mestres da arte

                Todo dia Carlos Moreira faz tudo igual: sai pelas ruas acompanhado de sua câmera fotográfica. O exercício vem desde 1964, ocasião em que decidiu não seguir a carreira de economista, então recém-formado. Nesses anos acumulou um patrimônio imenso. São mais de 200 mil negativos, sem contar os arquivos digitais que brevemente até ultrapassarão a marca em película.

            O exercício do olhar em Carlos Moreira expressa o seu gosto pela rua. “É onde as pessoas andam, fazem coisas. Não se trata de questão social, é mais a poética desse vagar pela cidade”, diz. Para isso se inspirou nos mestres André Kertész e Cartier-Bresson, à procura de um parentesco que justificasse seu cotidiano. “Tentei vivenciar o trabalho deles com o mesmo espírito. Houve partes em que consegui, em outras não cheguei aos pés deles”, avalia.

            Profundo conhecedor dos grandes mestres da fotografia, Moreira passou 15 anos dando aulas na Escola de Comunicação e Artes (ECA/USP). Também marcou presença no Senac.  Em seu currículo, exposições nacionais e internacionais. De todas as mais representativa para ele foi a da Pinacoteca, em 2004. “Foi uma oportunidade de avaliar 40 anos de fotografia”, diz.

            Laboratório – Até 1985, Moreira ampliava suas próprias fotografias. Afastou-se da tarefa em função do desenvolvimento de uma alergia a químicos. “Não tenho grandes preocupações atualmente com o print, mas com a poética e a interpretação do olhar. É isso que procuro”, destaca. Longe do laboratório pb, foi a vez de o fotógrafo se aproximar das cores. “O momento da cor é muito interessante. Você está andando e de repente de depara com uma cena em que as cores estão perfeitamente harmônicas; mas de uns tempos pra cá, volto à fotografia preto-e-branco”, constata.

            Hoje sua fotografia é gerada em câmera digital. Segundo ele, a passagem da Leica para uma Nikon XT, coolpix,  e uma D90 foi gradual. O processo se iniciou em 2000 e trouxe facilidades para quem mantém o “vício” de fotografar diariamente. “Na fotografia, o importante é a admiração aos mestres e aquilo que você acredita. E mesmo que você não chegue a seu sonho, tem que fazer. Esse é o valor. A fotografia é um exercício de consciência, não digo política, mas da vida, das coisas e do que se vê pelo olhar”, justifica-se.

Fonte: http://goo.gl/g0AOO

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