Luiz Garrido: o segredo da simplicidade

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Livro “Retratos” de Luiz Garrido, 2011

Para o carioca Luiz Garrido é preciso “quase nada” para fazer um bom retrato. A resposta do experiente fotógrafo parece simplória, mas vem daí sua razão de ser. Ele é defensor da idéia de que “menos é mais”.

 Em janeiro de 2011, Garrido lançou o livro Retratos.Em linguagem didática, onde expõe alguns de seus trabalhos mais emblemáticos. Entre eles, infelizmente, não esteve a série que fez com o casal John Lennon e Yoko Ono, em 1969, logo após a lua de mel que o mundo acompanhou na época. Garrido passou um dia em Paris, um em Amsterdã e sete em Londres vivendo com o casal. Tudo foi documentado para a revista Manchete, para a qual trabalhava na época. E o material ganhou atualidade, já que os 30 anos da morte do ex-Beatle foram lembrados em dezembro de 2010. Ele pensa em outro livro especialmente para essas fotos, de um momento em que Lennon e Yoko faziam um movimento mundial contra a Guerra do Vietnã.

 O livro Retratos trouxe breves explicações técnicas: em um dos trabalhos, uma mesma modelo foi clicada em uma só situação, com seis diferentes posições de um único flash. O que se nota são seis fotos completamente diferentes. “Minha técnica é bastante simples. É só não complicar o momento da foto. É como se você estivesse conquistando uma pessoa. Quanto mais direto for, melhor. Muito blábláblá, a pessoa vai embora”, compara ele, que no livro ensina um pouco da técnica de composição e direção.

 Garrido adiantou alguns de seus “segredos” de trabalho ao fazer uma análise do que costuma produzir. “Meus retratos são críticos. Não tenho retrato bonito, com luz perfeita. A diferença é o lado que mostro. Não gosto de foto bela tecnicamente falando. Ela é boa quando causa emoção e mostra a alma da pessoa, quando você consegue extrair essa emoção. Se não for assim, jogo fora, apago na hora”, afirma.

 Qual é o caminho que Garrido percorre para forçar uma pessoa a se desvendar? “É como um interrogatório, só que feito em imagens. Como uma conversa de sedução, é preciso induzi-la a se mostrar. Quando fotografo um picareta, por exemplo, preciso fazê-lo ser no mínimo um tanto cínico. Tenho que passar esse lado dele para o retrato. Se ele for inteligente, tenho que reforçar isso. Apelo para a psicologia de cada personagem, apenas conversando”, explica o fotógrafo.

 Para conseguir tal resultado, Garrido diz que o trabalho precisa começar bem antes do momento da foto. “A pesquisa é essencial”, diz.

 Na polêmica série Heróis, que ele produziu há cerca de dois anos, várias personalidades brasileiras foram fotografadas, como o ex-presidente Lula, o sociólogo Betinho, o ex-presidente Fernando Collor, a atriz Fernanda Montenegro, entre outras celebridades.

 A imagem do rosto do Betinho, por exemplo, é de uma tristeza só. “Tenho que saber que momento pegar. É rápido, não posso demorar muito. Já vou com uma idéia em mente para tentar fazer. Quando ele me olha triste, está lá o que eu quero. É um trabalho intuitivo”, conta.

 A preferência por fotos em preto e branco tem uma explicação. “A simplicidade do p&b aproxima mais a figura, não há as cores que extrapolam em informação, é mais cru. A foto tem que ser boa, nada pode distrair você. É ela, a imagem, que conta o que pretendo mostrar”, defende.

 Pouco material – Essa intuição na forma de trabalhar é expressa também na quantidade de equipamentos que carrega. Garrido tem apenas três objetivas Nikkor (20mm f/2.8, 35mm f/1.4 e 105mm micro f/2.8), uma câmera (Nikon D300s) e um flash macro. “Uso pouca luz, o mínimo possível. Quanto mais simples, mais perto chego do personagem. Costumo dizer que você tem que ter a técnica necessária para exercer a criatividade. Você tem que criar e saber fazer, isso é o mais importante. Quanto menos equipamento com que se preocupar, mais contato você tem com o personagem. O cara vai embora se você tiver de montar dez flashes para fazer uma foto. Não dá pra ser assim”, afirma.

 Ele tem ainda uma Canon G2 como reserva, mas quase nunca tira da bolsa. “O mais importante é a máquina chamada olho. É com ela que saio todo dia procurando cenas interessantes para fotografar. A dica que dou é essa: treinar o olho, exercendo assim a criatividade. Não se preocupar tanto com o equipamento e sim com o olhar”, sugere. O uso de uma objetiva 35mm, de fato, não é tão convencional para retratos. Ele explica: “Aí tenho que saber fazer, né. Preciso me garantir. Me acostumei com essa lente para fotografar, conheço tudo que ela pode me dar e como extrair o que quero dela”, diz.

 Pouco equipamento e grandes idéias parece ser o lema de Garrido. “Você acha que vai fazer uma boa foto só porque tem o melhor equipamento do mundo? Não funciona. Sei que meu raciocínio é meio diferente do que muitos pensam. Mas é assim que sempre fotografei. Chego simples, devagar, tranqüilo na casa da pessoa. A técnica não pode acabar com a criatividade”, pondera o profissional.

 Até o cartão de memória, ele diz, não precisa ser de tamanho exagerado. “ O sujeito me diz que tem um cartão de 8Gb. Se este cartão der problema, vou me ferrar oito vezes. Por isso, uso cartões com 1Gb para ter só um problema”, brinca.

 Atuação – O fotógrafo conta que geralmente tem pouco tempo para fazer o retrato de uma personalidade e que a pior coisa que ocorre é quando a pessoa pergunta: “Já acabou?”.

 Com uma receita simples, traduzida em criatividade, é que Garrido fez retratos que incluem nomes como Alfred Hitchcock, Gina Lollobrigida, Alain Delon, Tom Jobim… Quanto ao tempo em que passou ao lado de Lennon e Yoko na reportagem para a revista Manchete, ele recorda: “Todo mundo sempre esperava revelações bombásticas sobre o casal. Mas fui contra a maioria e eles me aceitaram como uma pessoa normal, porque não era mais um urubu rondando a carniça. Não queria colocá-los em xeque, mostrar atitudes irresponsáveis. Trago comigo essa lição até hoje na hora de um retrato. Chego falando que sou seu amigo, que faço parte da turma”, diz.

 Repercussão das fotos – o carioca Garrido, de 65 anos, feliz torcedor do Fluminense, quase se formou em Economia. Mas se mudou para Paris e descobriu a fotografia em pela efervescência da década de 1960. Fez diversos cursos no exterior e, após passar por alguns veículos de comunicação, se dedicou também à fotografia de moda e publicidade – tendo sido colaborador de revistas como Vogue (Brasil e França), Moda Brasil, Elle (Brasil, França e Itália), Interview, Cláudia Moda, Playboy e GQ (Inglaterra).

 Em 2007, ele foi assunto nos jornais por causa de uma foto polêmica da exposição Heróis que, após passar pelo Rio, foi para Brasília, no Salão Negro da Câmara dos Deputados. Entre as fotos que seriam expostas (incluindo a do presidente Lula) estava a da atriz e travesti Rogéria, nua.

 “Me ligaram da assessoria da presidência avisando que Lula queria me ver. Fui ao shopping e comprei uma roupa nova… Um carro me buscou, Lula me recebeu numa sala, brincou comigo e lhe dei sua foto, que fiz em outra ocasião, fumando um charuto. Quando voltei à exposição, recebi um comunicado de que a foto da Rogéria deveria ser colocada dentro de um biombo, porque era inapropriada”, conta. Lógico que a imprensa presente na Câmara, ávida por notícias, alardeou a censura à foto da Rogéria e o assunto foi parar nos jornais.

 Esse é apenas um dos diversos episódios que os retratos costumam causar. “Até me surpreendo com algumas coisas que consigo com certos personagens”, diz, um tanto modesto.

 Entre as preferidas está a do cartunista Ziraldo com uma panela na cabeça, como seu famoso personagem, o Menino Maluquinho, feita para uma entrevista da Vogue. Recentemente, seus trabalhos entraram no mercado dos retratos como obras de arte. “Estão tendo uma saída muito boa, vendidos em leilões e na bolsa de arte de São Paulo”, comenta o fotógrafo, que prefere não falar em valores, mas cita o retrato de Oscar Niemeyer como o de maior procura.

 Em plena era digital, para ele programas como o Photoshop só devem ser usados para pequenos retoques. Garrido acha que está havendo exagero de utilização. “O cara que faz uso disso para melhorar o rosto e a pele não sabe fotografia. Se você pega uma senhorinha, ela precisa ficar velha, com rugas. Ela é uma senhora, caramba! Essas atrizes ficam parecendo bonecos com caras plastificadas nas capas de revista. Ridículo. Se você souber usar luz, não precisa de Photoshop”, afirma. E volta à simplicidade. “Basta uma luz para fotografar. Não é só uma luz, a do sol, que ilumina a Terra? Então para quê inventar tanto”, finaliza.

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