Mar congelante, crocodilos e tubarões: fotógrafo relata perigos do ofício

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Fotógrafo brasileiro Daniel Botelho já ficou cara a cara com crocodilo do Nilo e nadou ainda com tubarões, baleias, lulas gigantes e um elefante

Como quem desdenha da sorte, Daniel Botelho faz da vida uma aventura recheada de perigos. Em 2011, por exemplo, ficou cara a cara com um crocodilo de 6 m nas águas do Nilo e, ao contrário de outras centenas de pessoas que topam com o predador africano anualmente, voltou – e com as provas do ato. Não pense, contudo, que ele é apenas alguém que desafia a lógica levianamente, pelo prazer do risco.

Fotógrafo profissional há mais de seis anos, especializado em imagens da vida selvagem – especialmente as submersas -, Botelho conhece os limites entre a segurança e a irresponsabilidade que margeiam cada missão que aceita. Para conseguir manter uma vida de trabalho integrada à natureza, ele sabe que precisa ter um planejamento minucioso, o que garante o suporte necessário para ir atrás de flagras inéditos nos lugares mais inóspitos.

Envolvido há alguns meses na produção de imagens entre a região das Malvinas, da Geórgia do Sul e da Antártida – um dos quatro trabalhos que realiza simultaneamente -, Botelho, carioca, 32 anos, já programa um retorno aos mares gélidos do Sul para dezembro, quando o verão possibilitará que se mergulhe na água fria sem congelar. O projeto renderá o livro Frozen Atlantic (Atlântico congelante, em tradução livre), já encomendado por um editor e com previsão de publicação em 2015.

A seguir, confira a entrevista exclusiva do fotógrafo ao Terra, em que ele fala do último projeto e detalha como foi se aventurar entre crocodilos, tubarões, baleias, lulas gigantes, elefantes…

Terra – Daniel, qual a sua especialidade? ​Daniel Botelho – Minha especialidade é foto em baixo d’água. Mas queria mostrar que também faço foto fora d’água. E o bom é que os editores me liberaram. Mas foi uma coisa natural estar submerso, pois sempre mergulhei. Mas é o mercado que demanda. Gosto também de predadores, é uma das minhas especialidades.

Terra – Quando foi sua última viagem para fazer essas fotos nos mares do Sul? Quando será a próxima? Botelho – A última foi em dezembro de 2012. A produção ainda está acontecendo. Já fiz duas viagens e farei mais duas até 2014. Devo voltar em dezembro deste ano, mas, ao contrário de 2012, desta vez quero voltar ao Rio para as festas (Natal e Réveillon). Depois, em janeiro, retornaria pra lá. É verão, não está tão frio, é a época em que os pinguins filhotes estão um pouco maiores, começando a nadar – e sendo atacados por predadores.

Terra – Como é a logística para ir a Antártida fotografar? Quanto tempo costuma levar uma expedição dessas? Botelho – É uma logística complexa, que envolve até mesmo planejamento de resgate aéreo. Fiquei mais de dois meses por lá, e ainda vou ficar mais 60 dias até o fim do projeto.

Terra – Você trabalha sozinho? Quem te dá apoio durante esses projetos? Botelho – Tenho sempre uma equipe preparada para me dar suporte. Costumo contratar um mergulhador local. De preferência, o melhor e mais experiente, pois é mais fácil, mais barato e mais seguro. Às vezes levo assistente, mas depende muito. Quando as fotos são com objetivo turístico, muitas vezes tenho de levar modelos também.

Terra – Ficar submerso por duas horas em água gelada, como já ocorreu com você, deve ser algo extremamente perigoso. Como funciona com a equipe? Botelho – Nesse caso (da expedição à Antártida), como precisava criar “intimidade” com os pinguins, não podia ter gente em volta. Por isso, a equipe ficava à distância, longe, me monitorando por binóculo. Combinamos um sinal para que fossem me resgatar se fosse preciso.

Terra – Entre tantas, qual foi a situação mais extrema em que você já se meteu? Botelho – Destacaria as 120 horas que passei fora da gaiola com tubarões brancos e meu mergulho sem proteção com crocodilos de 6 metros no Nilo como sendo as duas coisas mais extremas que fiz.

Terra – Desculpa, mas parece loucura encarar um crocodilo desse tamanho. Botelho – Se não me engano, a média das últimas duas décadas é de aproximadamente 700 mortes por ano (de pessoas que topam com esses animais). Ano passado, teriam sido 900 ataques fatais na África, número que fez o crocodilo passar o hipopótamo na lista de predadores que mais matam. Mas é uma expedição de risco calculado. Tem que observar a natureza, o ambiente do animal. Existem protocolos a serem seguidos, desde a escolha da data até a hora de ir para a água.  

Terra – Que protocolos são esses? Qual o melhor período? Botelho – Na transição de junho para julho. A água fria, em torno de 14°C, deixa o crocodilo letárgico. Tanto que antes das 10h nem saíamos para fotografar porque eles nem se moviam. A temperatura é um ponto crucial. Em 2012, um grupo foi fazer isso de forma irresponsável e houve um acidente. Eles foram em setembro, com a água mais quente, em época de reprodução, desconsiderando a questão do territorialismo. Nós (ele foi com mais dois assistentes, um deles cinegrafista) estávamos preparados para cair na água.

Terra – Além da questão do clima, que outras regras devem ser seguidas? Botelho – Nunca ficar na superfície. O crocodilo ataca muito na superfície. E como lá tem muita correnteza, precisamos usar três vezes mais lastro (peso usado para se manter submerso) para ficarmos ancorados no fundo do rio, de tanto que corria. Depois, dentro desse ambiente, não pode ir direto para cima do crocodilo. O mergulhador pode perder o controle e passar por cima do animal. Ele vai se virar e vai morder. Terra – Como foi sua abordagem? Botelho – No caso do crocodilo que eu fiquei cara a cara, perguntei para o cinegrafista, que era da região, qual a melhor forma de me aproximar. Ele disse que era pela cauda. Estava na horizontal e me movia com a ponta dos pés e das mãos, com toda calma, igual se vê em desenhos animados. O fotógrafo tem de entrar em posição de forma imperceptível. E na volta também. Tem de voltar devagar, igualmente na ponta dos dedos.

Terra – Não parece menos perigoso. Botelho – Foi um risco administrável, e com pessoas com conhecimento da região. Mas até o cinegrafista, que é local, disse que jamais conseguiu ficar cara a cara com um crocodilo como eu fiquei.

Terra – Que perfil precisa ter um fotógrafo de predadores? Botelho – Tem que ser um cara que planeja. Que busque uma pauta e veja se ela é jornalisticamente operacional. Tem que montar a logística, saber liderar a expedição. E depois tem a parte técnica da fotografia, e a interação com animal. Cada uma dessas etapas são coisas separadas que o cara tem de desempenhar. Por fim, tem o teu dia a dia com a câmera. A foto de vida selvagem tem uma coisa importante que é o contato visual. A mente humana, quando vê uma foto de animal, busca uma similaridade de olhos, nariz, boca. E a foto não pode ser roubada.

Terra – Como assim? Botelho – Quando fotografei a baleia azul na Califórnia, por exemplo. Não adianta bater perna pra ver se ela se move. Tem toda uma questão de rastrear o animal, de estudar qual vai ser o melhor barco para isso para não perturbá-la. Nesse caso, usei um caiaque e fiquei cinco quilômetros longe do barco de apoio. Passei 15 dias, das 9h às 17h, sentado no caiaque à espera. E ainda precisava de uma bola de cristal: ‘acho que ela vai levantar ali, não aqui’. E um cara atrás remando na direção. Mas também envolve sorte. Se o bicho não quiser, não tem jeito. Com essa baleia, deslizei silenciosamente para a água e comecei a me aproximar. Era uma baleia de 180 toneladas e 35 metros, do tamanho de um edifício. Ela olhou pra mim, ficou com medo, deu meia volta e foi embora. Imagina! Um animal com uma língua do tamanho de um elefante macho, e teve medo de mim. Fui o primeiro brasileiro a ter entrado na água com esses animais.

Terra – E como foi com os tubarões? Botelho – Nadei com tubarões brancos em outubro de 2012. Foi um trabalho para a Disney. Liderei uma expedição de turistas. Fui como safety diver (mergulhador de segurança). Aliás, no meu ramo, tem isso. Para estar nesses lugares, lidero expedições, faço produção para programas de TV (cita Globo, ABC, CNN, BBC, entre outras), participo como diretor de fotografia. E sempre aproveito para fazer minhas fotos. Fonte:http://bit.ly/Z84WiJ  

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