Mostra “Documental imaginário” destaca o “realismo fantástico” em imagens contemporâneas

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É impossível registrar a realidade. A fotografia, que talvez pudesse dar conta do feito, não consegue: além da tendência a ficcionalizar, transforma o tridimensional em bidimensional.

Por outro lado, como afirma o fotógrafo Eder Chiodetto, o componente ficcional cria uma dialética interessante com a realidade. É a partir dessa proposta que ele trabalha a curadoria da exposição “Documental imaginário”, que o Oi Futuro Flamengo abre hoje, às 19h30m, junto com a mostra “Predicament – Situações difíceis”, do francês Fabien Rigobert (leia mais no quadro à direita).

Em vez de respostas, perguntas

Já no título da mostra, Chiodetto, também pesquisador e curador do Clube de Colecionadores de Fotografia do MAM de São Paulo, quer expor a tensão entre dois âmbitos (o real e o imaginário) que, aparentemente, são, como ele diz, água e óleo. Reunindo trabalhos de nove fotógrafos brasileiros contemporâneos, entre eles Fábio Messias, Gustavo Pellizzon e Fernanda Rappa, ele pretende mostrar como a fotografia se apropria da dimensão ficcional para dialogar com o real.

– A partir do momento em que se constata que a fotografia tende à ficção, e com fotógrafos amadores se apropriando de câmeras e programas de tratamento de imagem, o caráter errático da fotografia começa a ser de domínio público – diz o curador.

Ele afirma que, “quando o caráter documental da foto vai por água abaixo, os fotógrafos passam a explorar mais sua $ística de ficção”.

– Diria que essa fotografia não propõe respostas, mas passa a perguntar – completa.

Entre as imagens da exposição no Oi Futuro, há, por exemplo, registros de uma festa de candomblé feitos pelo paraense Guy Veloso, em que o fotógrafo parece ser parte da situação, sem lançar um olhar estrangeiro sobre ela. Cores, contrastes e pontos desfocados evidenciam o aspecto imaginário da festa. As fotos de Veloso, aliás, foram expostas na última Bienal de São Paulo, em 2010.

– Ele mostra o candomblé com representações orgânicas, instáveis e cheias de movimento, como quem observa de dentro do acontecimento – explica Chiodetto.

Já o trabalho de Fernanda Rappa, nascida em Jundiaí, no interior de São Paulo, e radicada em Berlim, expõe a discussão da apropriação da natureza pelo homem. Na foto “Comum desacordo”, de 2011, ela registra uma construção sendo tomada pela vegetação.

– Há um tom de retorno ao nostálgico nas imagens dela. Parece nos mostrar como nós, urbanos melancólicos, voltamos à natureza de forma fetichista – afirma o curador.

Já o fotógrafo mineiro João Castilho cria um hotel imaginário a partir de imagens de hotéis reais. Em seu mosaico de fotos, as imagens se aproximam pela semelhança das cores. Trata-se, como define Chiodetto, de um “documental oblíquo”, algo como “escrever uma crônica, e não uma reportagem”.

Chiodetto pesquisa fotografia há 15 anos e colabora com importantes coleções do país, como a do banco Itaú. É ele, aliás, quem assina a curadoria da mostra “Coleção Itaú de Fotografia Brasileira”, em cartaz no Paço Imperial até o dia 5 de agosto. Em seus estudos, conta, percebeu que a vertente “documental imaginária” é mais frequente na América Latina e, em especial, no Brasil.

– É muito próprio da cultura nacional fazer essa mistura de elementos. Não vejo muitos europeus trabalhando dessa forma. É uma vertente muito original e brasileira, uma força que vejo surgir aqui e que associo à proximidade com o realismo fantástico da literatura de Gabriel García Márquez ou o cinema do mexicano Alejandro González Iñárritu (diretor de “Babel” e “Amores brutos”).

A discussão proposta por Chiodetto na exposição é o mote da tese de mestrado de Kátia Lombardi na Universidade Federal de Minas Gerais. No dia 28 de agosto, ela, Chiodetto e Milton Guran, coordenador-geral do FotoRio – Encontro Internacional de Fotografia do Rio de Janeiro, debatem o tema, como parte da mostra, no Oi Futuro.

Fonte: http://goo.gl/ZNYaJ 

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