Muitas das imagens definitivas do século 20 foram feitas numa Leica

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Visitante observa imagem de 1938 “Domingo à Marge do Rio Marne” em exposição do fotógrafo francês Henri Cartier-Bresson, em Paris.

Texto: John Naughton, do “Observer”

O colunista de tecnologia do “Observer” conta a história da câmera que quase morreu, mas renasceu triunfal na era digital

John Naughton comprou sua primeira Leica quando era estudante em Cambridge. Era uma M2 de segunda mão, com lente Summilux de 35 mm, uma extravagância absurda para um estudante jovem e sem dinheiro.

Sou fotógrafo. Ou melhor: eu gostaria de ser fotógrafo. Na realidade, não passo de um obcecado que faz muitas fotos na esperança de que algum dia, uma vez na vida, consiga produzir uma imagem que seja verdadeiramente memorável.

Como as imagens que Henri Cartier-Bresson captou, aparentemente sem esforço, aos milhares. Pense, por exemplo, em sua foto famosa do sujeito pulando sobre uma poça d’água; ou a imagem de dois casais robustos fazendo um piquenique na margem do Marne; ou sua imagem mágica de um garoto de olhar irreverente carregando duas garrafas de vinho tinto na Rue Mouffetard em 1954.

Gosto especialmente desta última porque o garoto na foto tem mais ou menos a idade que eu tinha na época. Me pergunto muitas vezes se ele ainda está por ai e qual será sua aparência hoje.

 Podemos enxergar essa obsessão, essa busca incessante pela imagem perfeita, como uma espécie de doença. Se for, eu sofro dela há mais de meio século. E não sou o único. Faz pouco tempo eu estava lendo o perfil escrito por Larissa Macfarquhar do eminente filósofo de Oxford Derek Parfit, para quem o mundo tem aparência melhor em reproduções que ao vivo. Diferentemente de mim, porém, Parfit se especializou.

Macfarquhar escreve que havia apenas dez coisas no mundo que ele queria fotografar, e todas são edificações: as melhores construções de Veneza -as duas igrejas de Palladio, o Palácio do Doge, as construções que margeiam o Grande Canal-e as melhores de São Petersburgo, o Palácio de Inverno e o edifício do Estado-Maior.Visitante observa imagem de 1938 Domingo à Margem do Rio Marne em exposição do fotógrafo francês Henri Cartier-Bresson, em Paris.

Assim, entre 1975 e 1998 Parfit passou cinco semanas a cada ano em Veneza e São Petersburgo (esse é o tipo de coisa que você pode fazer quando é membro do conselho que governa o All Souls College de Oxford). Como eu, ele não gostava da aspereza do sol do meio-dia, então costumava esperar pela luz do começo da manhã ou início da noite. Ele esperava durante horas, lendo um livro, pelo tipo certo de luz e condições do tempo.

Quando voltava para casa, Parfit revelava suas fotos e as classificava. De mil imagens, ele guardava possivelmente três, Macfarquhar escreve. Quando decidia que uma foto merecia ser guardada, a levava a um processador profissional em Londres e pedia ao profissional que retirasse da imagem, pintando-a manualmente, todos os elementos que não o agradavam, ou seja, todos os sinais do século 20: carros, fios de eletricidade, placas de ruas, e geralmente todas as pessoas.

Então mandava reajustar as cores repetidas vezes, apesar de isso ter um custo altíssimo, até estarem exatamente como ele queria -uma questão não de fidelidade à cena como era na vida real, mas a uma ideia que ele tinha na cabeça. Esse é um caso sério de obsessão. Minha condição está longe de ser tão grave. Mas reconheço esse anseio pela perfeição. Parfit contraiu a doença porque um tio rico lhe deu uma câmera cara (a marca não é especificada).

Eu a contraí através de um encontro casual quando tinha 13 anos.  Cresci na Irlanda rural, que na década de 1950 era uma sociedade bastante séria, infestada de padres e pobre, um pouco como a Polônia antes da queda do Muro de Berlim. Nas tardes de domingo meus pais insistiam que a família saísse para um passeio de carro, algo que eu achava um tédio, como seria o caso de adolescentes em qualquer lugar do mundo.

Num desses domingos, acabamos indo a Killarney, a versão irlandesa do Lake District inglês e estávamos caminhando pelo parque belíssimo de Muckross House quando topamos com uma moça sentada num banco. Ela devia ter 30 e poucos anos, era bem arrumada e tinha ar sereno. Nós nos sentamos no banco ao lado e, para meu constrangimento, meu pai começou a conversar com a moça. Ficamos sabendo que ela era inglesa e estava visitando a Irlanda pela primeira vez. Meu pai perguntou se ela estava gostando. Muitíssimo, ela respondeu.

O que ela gostava no país? Essa é fácil, ela respondeu: as nuvens. Ela explicou que era fotógrafa e que a Irlanda tinha luz muito interessante, por causa do modo como a luz do sol era filtrada pelas nuvens.  Nesse momento eu me endireitei e comecei a prestar atenção. Eu nunca antes tinha ouvido esse tipo de conversa.

Que tipo de câmera você tem?, perguntei. Ela explicou que tinha duas: Uma para cores e uma para preto e branco. Fiquei assombrado: em nosso mundo, as famílias tinham (no máximo) uma câmera, e quaisquer fotos que fizessem seriam em preto e branco. Vendo meu espanto, ela indagou se eu queria ver uma de suas máquinas. Fiz um gesto de sim, ansioso.

Ela pôs a mão dentro da bolsa, tirou um objeto e o colocou em minha mão estendida.  Eu quase o deixei cair! Estava esperando algo com o peso de uma câmera Brownie pequena. Em vez disso, tinha nas mãos um objeto metálico cinza prateado que se parecia mais com um instrumento científico que com qualquer máquina fotográfica que eu já tivesse visto. É uma Leica, ela falou. É fabricada na Alemanha.

Os detalhes do resto daquela tarde perderam nitidez em minha memória. Me lembro de ouvir a moça falando que devemos usar um filtro amarelo ao fotografar paisagens em preto e branco (isso aprofunda o azul do céu e faz as nuvens se destacarem), sobre moldura e composição, e alguma coisa sobre comprimentos de foco.

Mas saí de lá com duas ideias na cabeça: uma, que a fotografia era algo desafiador, interessante e realizador, e a outra, que, se você quisesse fotografar corretamente, precisaria de equipamento sério.

Esse equipamento foi inventado cem anos atrás em Wetzlar, uma cidade pequena da Alemanha, onde um técnico de 35 anos criou uma câmera que iria moldar nosso modo de enxergar o mundo pelo resto do século 20. Seu nome era Oskar Barnack e ele trabalhava para uma empresa chamada Leitz, que fabricava microscópios para pesquisas científicas.

Tinha sido contratado pelo proprietário da empresa, Ernst Leitz, em 1911, e em 1913 já era seu diretor de pesquisas e desenvolvimento.

Mas sua paixão principal não era a microscopia e sim a fotografia, um gênero artístico que, na época, exigia não apenas habilidade técnica, mas também um físico suficientemente forte para carregar uma grande câmera de chapas e sua carga de chapas de vidro de 16,5 cm por 21,6 cm.

Barnack sofria de asma aguda, e o peso do equipamento lhe provocava dificuldade de respirar. Por isso ele se propôs a reduzir o peso. Inicialmente tentou fazer quatro imagens caberem numa única chapa de vidro, mas abandonou essa abordagem porque a qualidade das imagens não era boa.  (Na época, as cópias fotográficas eram produzidas principalmente pela impressão de contatos a partir do negativo, de modo que a qualidade era diretamente proporcional ao tamanho do negativo: quanto maior a chapa de vidro, melhor o resultado.)

Barnack concluiu que a fotografia de peso leve teria que ser feita com algo menos denso que chapas de vidro e com câmeras menores e mais leves.  Nesse momento ele teve um golpe de sorte.

Um de seus colegas, Emil Mechau, estava trabalhando sobre um projeto para melhorar o desempenho de projetores de cinema, especialmente o tremulado irritante das imagens quando eram projetadas sobre uma tela. Ele estava trabalhando com um rolo de filme de celuloide de 35 mm -um formato inventado por Thomas Edison na década de 1890 e que acabaria por tornar-se o padrão usado pela indústria cinematográfica emergente. Barnack tinha encontrado a mídia de gravação de peso leve que procurava.

Só era preciso uma câmera capaz de trabalhar com ela. Ele começou a projetar e construir a câmera. O protótipo que criou era feito de metal (até então as câmeras eram feitas à mão com madeira de lei, e muitas vezes eram obras belíssimas).

A câmera fazia uma foto de cada vez, sendo o filme enrolado manualmente com a ajuda de uma roda dentada que engrenava com os furos nas laterais do rolo de filme.  Como o filme se movia horizontalmente -não verticalmente, como numa câmera de cinema, ele decidiu que as dimensões de cada imagem seriam 36 mm por 24 mm e que um rolo de 36 imagens caberia no corpo da câmera.

Assim foram definidos os parâmetros básicos da fotografia em 35 mm. Restava um problema, contudo. Como as imagens de 36 mm por 24 mm eram minúsculas pelos padrões da época, a única maneira de produzir imagens maiores de qualidade aceitável seria imprimi-las através de um ampliador.

 As imagens minúsculas teriam que ser tremendamente nítidas, exigindo lentes de qualidade ótica incomum. Mais uma vez Barnack teve sorte: um de seus colegas na Leitz era um gênio da óptica chamado Max Berek. Ele criou uma lente de 50 mm (a primeira Elmar) capaz de produzir o tipo de performance óptica necessária para a câmera de Barnack.  Os três primeiros protótipos da câmera foram produzidos no final de 1913 e início de 1914. Ela foi chamada a Ur-Leica (Lei de Leitz e Ca de câmera).

Era uma máquina surpreendentemente pequena, que cabia comodamente na mão, tinha obturador de duas velocidades, contador automático de quadros e a a lente Elmar f/3.5 de Berek (que se fechava quando não estava sendo usada, tornando a câmera ainda mais compacta).

Era um artefato revolucionário, de tirar o fôlego e que transformaria a fotografia para sempre.  Mas ainda se passaria algum tempo até o mundo tomar conhecimento dele. Uma das primeiras fotos que Barnack fez com a câmera mostra um soldado alemão com capacete de espigão que acaba de colar num edifício público uma cópia da ordem de mobilização total lançada pelo Imperador.

A Alemanha e o resto da Europa estavam mergulhando na Primeira Guerra Mundial.  A Leitz sobreviveu à guerra e à depressão que a seguiu. A primeira Leica comercial, a Leica I, foi lançada na Feira de Leipzig em 1925. Já era muito mais sofisticada que os protótipos. Tinha visor óptico embutido, velocidades de obturador que variavam de 1/20 a 1/500 de segundo, um calço acessório e as lentes Elmar, de Berek.

Foram produzidos um pouco menos de 59 mil unidades da Leica I, e as que sobrevivem estão entre os objetos colecionáveis mais cobiçados do mundo da fotografia. Cinco anos mais tarde foi lançada a primeira Leica com lentes intercambiáveis.

A revolução tinha começado.   As câmeras Leica transformaram o gênero embrionário do fotojornalismo.

 Jornalistas vinham usando câmeras desde o nascimento da fotografia: basta pensar em Roger Fenton documentando a guerra da Crimeia, em Matthew Brady fazendo o mesmo para a guerra civil americana ou nas fotos feitas por Jacob Riis da vida de moradores pobres de cortiços em Nova York na década de 1890.

Esses pioneiros sofriam limitações devido ao peso do equipamento, e por esse motivo suas reportagens eram estáticas e formais.

Na maioria dos trabalhos em campo, os candidatos a fotojornalistas tinham que ficar rígidos e estáticos como os tripés que eram obrigados a usar.

 A Leica mudou tudo isso. De repente, tornou-se possível ser discreto. A câmera cabia num bolso de paletó. Prescindia de tripé; podia ser operada com rapidez e em silêncio. Assim, a fotografia tornou-se fluida, informal, íntima, e a tecnologia deixou de atrapalhar a história que se queria contar. Surgiram novos tipos de relatos, que eram publicados nas novas revistas ilustradas como Picture Post e Life.

Essas revistas desenvolveram novas maneiras de apresentar histórias, com novos leiautes, criando a narrativa não com blocos de texto, mas com fotos, legendas e pedaços curtos de texto. Libertados pelos rolos de 36 exposições de Barnack da camisa de força imposta pelas chapas de vidro e o filme cortado, de repente os fotógrafos passaram a poder fazer tantas fotos quanto fosse preciso, possibilitando aos editores escolher a partir de suas folhas de contatos as imagens mais adequadas às narrativas que estavam criando.

O auge desse tipo de fotojornalismo se deu entre 1925 e os anos 1960, quando o formato de revista ilustrada começou a perder espaço diante da pressão dos noticiários e matérias de televisão.   A Leica estava no coração do fotojornalismo.

Quase todos os grandes fotojornalistas da época tinham pelo menos uma Leica na bolsa (a única exceção que me vem à mente é Jane Bown, que sempre trabalhou com máquinas japonesas SLR).

Muitas das imagens que viraram ícones desse tempo foram feitas com Leicas: Richard Nixon, irado, enfiando o dedo quase na cara de Nikita Khruschev; a foto de Che Guevara feita por Alberto Korda; as fotos de Robert Capa dos desembarques do Dia D; a foto de Henri Cartier-Bresson da pira funerária de Gandhi; a imagem feita por Bert Hardy da rainha Elizabeth na Ópera de Paris em 1957; a foto de Cartier-Bresson de uma informante da Gestapo sendo exposta publicamente por uma mulher que tinha traído. E assim por diante.

A Leica penetrou fundo na cultura popular, de tal maneira que, quando foi pedido a Dorothy Parker que escrevesse uma resenha de I Am a Camera, de Christopher Isherwood, ela respondeu Me no Leica (eu não ser Leica), e todo o mundo entendeu a brincadeira.

As Leicas nunca custaram pouco (o modelo mais recente na série M custa cerca de US$ 6.000, só pela parte principal), mas quando você tem uma nas mãos, você entende o porquê. Elas são instrumentos de precisão trabalhados lindamente, e esse tipo de precisão custa dinheiro.

A Leica tem uma solidez tranquilizadora, e as ações de seu obturador são primorosamente calibradas e silenciosas (mesmo hoje, alguns tribunais americanos definem o nível aceitável de barulho da fotografia na tribunal tendo como critério o nível de ruído de um obturador de Leica).

E as Leicas duram para sempre (minha venerável M4-P data de 1980 e ainda parece nova), sem falar que a Leitz as conserta e faz manutenção, no caso de apresentarem algum problema.

Até o início dos anos 1970 as câmeras não continham componentes eletrônicos, nem mesmo um medidor de exposição, o que significava que eram surpreendentemente robustas. O dramaturgo Arthur Miller relatou uma ocasião em que ele e sua mulher, a fotógrafa Inge Morath, foram convidados por Fidel Castro para jantar.

Chegano no Palácio da Revolução, Miller recordou, pediram à minha mulher que entregasse sua Leica antes de reunir-se com Castro. O homem que pegou a câmera dela a deixou cair de um lugar alto sobre o chão de pedra. Mas mais tarde nessa noite um assessor entregou a Castro um livro de fotos de Morath.

Ao vê-las, Castro imediatamente mandou um subordinado devolver a câmera a ela. E não fez objeção quando ela o fotografou pelo resto da noite. A Leica continuou a funcionar impecavelmente.

A outra razão pela qual as Leicas custam tão caro são suas partes de vidro. As lentes Leitz são espantosamente boas em termos de nitidez, resolução e reprodução de cores. A lente Noctilux f/0,95 de 50 mm, por exemplo, admite mais luz que qualquer outra do mundo. Mas, por quase US$ 8.000, pode causar um rombo maior em sua conta corrente que qualquer outra lente.

Sei de apenas uma pessoa que possui essa lente, e é alguém que já ganhou tanto dinheiro com empresas de tecnologia que não se dá conta do custo. Mas mesmo uma lente padrão, de 50 mm, Summicron f/2, custa por volta de US$ 1.600.

Esses preços são ironizados por alguns fotógrafos amadores, que os enxergam como prova de que a Leica teria se vendido, abandonando o negócio da fotografia séria pelo universo dos produtos de luxo dominado pela Louis Vuitton, Breitling, etc. -o mundo do nauseante suplemento How to Spend it (Como gastar), do Financial Times.

É verdade que o ponto vermelho que foi o distintivo da marca Leica já virou uma espécie de ícone na moda, a tal ponto que fotógrafos sérios começaram a escondê-lo com fita adesiva preta (a Leica abandonou o ponto vermelho em seus modelos recentes).

Mas as pessoas que compram Leicas como acessórios de moda frequentemente se confundem: é preciso saber o que você está fazendo para usar as câmeras da série M. Existe online, por exemplo, uma linda sequência de fotos de Eric Clapton usando uma M8.

Ele faz a foto e então olha para o monitor de LCD e a câmera, confuso, até se dar conta de que não tirou a capa da lente.

Enquanto isso, a rainha Elizabeth usa uma Leica há anos. E sempre tira a capa da lente.   Como outras grandes empresas, a Leica quase perdeu o bonde da revolução digital. Num primeiro momento, a nova tecnologia não pareceu representar um desafio à fotografia de alto nível: as imagens pixeladas produzidas por sensores do tamanho da unha de um bebê eram toscas demais.

Mas os sinos começaram a dobrar para a fotografia analógica em 2003, quando a Canon lançou o EOS 300, a primeira câmera digital competente com lente de reflexo única, e a Nikon a seguiu pouco depois com o D70. Foi apenas uma questão de tempo até sensores maiores começarem a produzir imagens tão boas quanto as que podiam ser obtidas com rolos de filme.

Enquanto as gigantes japonesas mergulhavam numa corrida para lançar sensores que se equiparassem ao tamanho do quadro de 35 mm original de Oskar Barnack, a Leica parecia um coelho imobilizado diante dos faróis de um carro que se aproxima.

Em vez de modernizar sua linha M para introduzir sensores digitais, ficou perdendo tempo em uma aliança com a Panasonic para produzir câmeras de consumidor caras, mas essencialmente derivativas, que na verdade não passavam de versões rebatizadas de originais japonesas.

Por algum tempo pareceu que a Leica seguiria o mesmo rumo que a Kodak, outra empresa que dominou a fotografia analógica mas não conseguiu firmar-se na digital.   No final, a Leica foi salva de sua experiência de quase morte por um empreendedor austríaco rico, Andreas Kaufmann, que entre 2002 e 2006 foi adquirindo uma participação controladora na empresa e imprimiu uma virada nela.

A primeira câmera M digital, a M8, foi lançada em 2006. Era um produto com falhas, mas pelo menos mostrou que era possível combinar a tradicional excelência mecânica da Leica com sensores maiores.

E quando surgiu a M9, em 2009, com sensor 36 x 24, ficou claro que a empresa seria capaz de resistir à tempestade e sair por cima. E é o que ela parece ter feito: no ano passado ela anunciou receita anual de cerca de €300 milhões, e seus 600 funcionários se mudaram de volta para uma sede futurista em Wetzlar, ajudadas, sem dúvida, pelos sacrifícios feitos por fanáticos como eu, que refinanciaram suas casas para comprar uma M9.

Comprei minha primeira Leica quando eu era estudante de graduação em Cambridge. Era uma M2 de segunda mão, com lente Summilux de 35 mm, e foi uma extravância absurda para um estudante jovem, sem dinheiro.

Olhando em retrospectiva, porém, foi uma das aquisições mais justificadas que fiz na vida -não por ser um investimento (se bem que poderia tê-lo sido), mas porque me ensinou tudo o que sei sobre a fotografia.

Ela me obrigou a pensar sobre o que John Berger descreveu como maneiras de enxergar, em vez de simplesmente clicar fotos. E puxou um tapete reconfortante que estava debaixo de meus pés: eu não podia mais atribuir meu trabalho de baixa qualidade às lentes inferiores e câmeras ruins que estavam ao meu alcance na época.

Munido do mesmo equipamento que Henri Cartier-Bresson, se eu fracassasse na busca da imagem perfeita, a culpa seria unicamente minha. Quarenta anos mais tarde, a situação ainda é essa. Mas amanhã será outro dia!

 Fonte: http://goo.gl/PPOFS7

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