O CORPO REAL

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Capa da Revista Time de Jodi Bieber, prêmio World Press Photo Contest

Já não é nenhuma novidade o fato de haver uma distância entre as imagens de corpos ideais frequentemente mostradas nos meios de comunicação e a forma real dos corpos das pessoas comuns.

Mas a perturbação psicológica decorrente dessa distância torna-se cada vez mais um motivo de preocupação.

Trata-se de uma questão que está exatamente no centro do debate sobre o poder que as imagens têm de afetar os indivíduos e a ética da representação fotográfica.

Parece evidente que a publicidade e a propaganda têm o poder de afetar o comportamento, o pensamento e as ações das pessoas- a análise semiótica é, aliás, um método de revelar como determinadas imagens “falam” conosco.

No entanto, isso não quer dizer que as pessoas sejam geralmente estúpidas, que absorvem tudo sem nenhuma avaliação prévia ou que ajam de acordo com as mensagens transmitidas pelos meios de comunicação. Como sugerido pelo modelo interpretativo da semiótica, na prática somos geralmente os negociadores ativos de significado, e não consumidores passivos.

Porém, é claro que algumas pessoas são, por qualquer motivo, mais vulneráveis a manipulação do que outras – tem-se sugerido uma relação, por exemplo, entre o uso de modelos de baixo peso e a ocorrência de distúrbios alimentares. A falta de representação de determinados tipos étnicos e corporais também  pode ser vista como forma de discriminação com consequentes  danos à autoestima das pessoas.

A evidente falta de conexão entre o corpo ideal, tipicamente representado na publicidade, e o “real” dos consumidores foi muito bem explorada pela Dove em sua campanha “Retratos da real beleza”. Lançados em 2004, os anúncios, fotografados por Rankin, apresentavam uma série de mulheres “comuns” de diferentes tamanhos, retratadas contra um fundo branco do estúdio.

Em resposta à campanha da Dove, a fotógrafa Jodi Bieber fez sua própria série de retratos chamada Real Beauty [Real Beleza].

Trabalhando com mulheres genuinamente comuns na África do Sul, Bieber as fotografou em suas casas, posando como elas mesmas escolhessem. Conforme explica a fotógrafa, “o trabalho lida com a realidade… A foto criou um espaço em que cada mulher podia explorar sua própria identidade em relação à beleza e viver por algumas horas em um ambiente de fantasia.

Aproveite para rever mais dicas nas suas apostilas, bibliografias e vídeos das aulas de fotografia dos cursos profissionalizante da Escola Focus.

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