“O FOTÓGRAFO QUE VIROU MÉDICO”

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Ken Iti Sakurai é reumatologista. E já foi fotógrafo profissional (Foto: Edson Martins)

Carla Olivo/Chico Ornellas/O Diário

Reconhecido reumatologista que há quase 50 anos clinica na Cidade, Ken Iti Sakurai não costuma revelar, aos seus pacientes, as muitas histórias vividas antes de ingressar, no início de 1969, na segunda turma da Faculdade de Medicina de Mogi das Cruzes.

Discreto, este emigrante japonês chegou ao Brasil, com a família, para trabalhar na agricultura. Desde criança sonhava ser médico. Por sugestão do pai, que idealizava para ele uma profissão sem perigo, foi aprender fotografia. Com os melhores profissionais que então havia em São Paulo.

Aprendeu de baixo para cima: antes de empunhar uma câmera, fazia faxina no estúdio, limpava tanques de imersão, colocava fotos em varais para secar. E observava, observava muito.

O suficiente para, na segunda metade da década de 1950, reservar parte do casarão que a família alugava na Rua Paulo Frontin e montar, com a irmã, o Foto Ideal. O casarão pertencia à professora Jovita Franco Arouche e, antes dela, fora residência dos sogros Henrique Batalha e José Arouche de Toledo. O Foto Ideal foi um sucesso, mudou o paradigma desse serviço na Cidade.

O suficiente para, em três anos, assegurar recursos para comprar o imóvel na mesma rua, na confluência com a Rodrigues Alves. Havia capricho em tudo, nas vitrines, nos envelopes plásticos que embalavam as fotos, nos arquivos, na iluminação, nas câmeras. Foi esse capricho que despertou a atenção do jornalista Tirreno Da San Biagio, fundador de O Diário.

Tote então lhe propôs: Ken Iti faria serviços para o jornal e, em troca, teria o crédito das fotos e anúncios. “Foi um período muito rico, Tote era uma figura especial, um batalhador que me ajudou muito nesse período”, diz o médico, hoje com 80 anos.

Eles chegaram a ser colegas, por quatro anos, na primeira turma da Faculdade de Direito Braz Cubas. Isso antes de Ken Iti ingressar na Medicina e fazer carreira em clínicas particulares e nas secretarias de Saúde do Estado e do Município.

Quando a família veio para o Brasil?

A família Sakurai, formada por 10 pessoas, chegou ao Porto de Santos em 19 de novembro de 1939, após 40 dias de viagem no compartimento de carga do navio japonês La Plata Maru, sem privacidade, só constrangimento. Ficamos na então Casa do Imigrante, hoje Museu do Imigrante, em São Paulo, até as famílias de imigrantes serem distribuídas nas fazendas de café, conforme contrato dos governos do Japão e Brasil, que era de três anos. Mas era difícil cumprir isso porque, quanto mais se trabalhava, mais a dívida aumentava. As escolas rurais ficavam a até quatro quilômetros das moradias e íamos a pé. Comecei o primário na Escola Mista Rural da Fazenda Santa Elza, em Morro Agudo, depois fui para a Escola Mista Rural da Fazenda Santa Ana, em Guará, cidade onde também conclui o Grupo Escolar. Em seguida, fiz o Ginásio Estadual e Escola Normal de São Joaquim da Barra, até chegar a São Paulo, em 1956, e estudar no Colégio Paulistano.

Quando o senhor veio para Mogi?

Meu pai veio uns 5 anos antes e trabalhava como agricultor. Eu vim para cá em 1958 e estudei na Escola Técnica de Comércio Braz Cubas, onde me formei auxiliar de escritório em 1960. Mas um ano antes, em 15 de novembro de 1959, montei o Foto Ideal na Rua Dr. Paulo Frontin, no prédio da professora Jovita Franco Arouche, ao lado da farmácia do Mário Ottoni. Morávamos ali porque a casa era grande e tinha até porão. Depois, fui para a mesma rua, no prédio da loja do Geraldo, filho do dono da BBC, e em três anos adquiri a prestações o prédio com pastilhas azuis da Paulo Frontin, em frente à Rua Presidente Rodrigues Alves, ao Pedro Bonelli, ao Paulo Tone e ao Shizuo.

Como foi a aproximação com O Diário?

O Tote precisava de um fotógrafo para as reportagens porque até O Diário montar um laboratório de fotografia demorou uns 2 anos. Quando precisava, ele me buscava com um fusquinha verde. Eu estava no começo da profissão e o Tote, por cortesia, colocava o nome do Foto Ideal na legenda. Isso foi muito bom como propaganda e ajudou a alavancar a loja. Como eu fazia este serviço de fotografia, ele me deu, há 58 anos, uma assinatura do jornal.

O senhor se recorda de algumas reportagens?

Uma vez, eu e o Tote fomos a um matadouro clandestino na Serra do Itapeti. Ele escreveu e eu fotografei. Também fiz fotos vários acidentes, principalmente com os ônibus da Samavisa, da Viação Santa Maria, que era do Waldemar Scavone e ficava na Flaviano de Melo. A foto, dependendo do ângulo, dá a impressão de que o outro é que está errado, então, se o Scavone me contratava, eu fazia a foto mostrando que a Santa Maria estava certa. O Diário estava no tempo do chumbão, com os lonotipos montados um a um. Tudo muito artesanal e o chefe da oficina era o João do Prado.

Ficaram outras histórias?

O colunista social era o Mutso Yoshizawa e, na época, a coluna era em preto e branco, em espaço pequeno e não saía todos os dias, mas ele era muito solicitado para jantares e festas. Todos os anos, ele elegia as 10 mais elegantes de Mogi, que geralmente eram a Cida Briquet, Roberta Dias Cardoso, Glória Rossi, as irmãs Miriam e Marina Chaves e outras da sociedade. Isso movimentava a Cidade e eu as fotografava, mas desde aquela época sempre me preocupando com a alta definição. Tirava estas fotos com máquina grande, especial e filme de 9×12. No primeiro ano, o Mutso não tinha ideia da repercussão, mas no dia seguinte, choveu de telefonemas na casa dele de mulheres reclamando que elas não estavam entre as 10 mais elegantes. Então, no segundo ano, eu entregava as fotos para ele, que as levava ao Diário de Mogi e ficava fora daqui uns quatro dias. No final dos anos 60, também fiz uma produção do Dia dos Namorados no Clube de Campo e todos os que participaram se casaram depois. Fotografei, ainda, muitos bailes de debutantes organizados pela Cida Briquet.

Como surgiu a ideia do Foto Ideal?

Eu sou o caçula e só tenho uma irmã, a Setuko, que está com 82 anos. Meu pai queria que eu tivesse uma profissão que não fosse perigosa e insalubre, então, sugeriu a fotografia. Não tinha escola, comecei como aprendiz, limpando chão e lavando banheiro durante os quatro anos de aprendizado em São Paulo. Para a colônia japonesa, o melhor fotógrafo era o Takayama, com quem eu estudei. Já para os brasileiros era o Kojima. O Japão mandava companhias de dança e mágica para o Brasil e quem tirava as fotos era meu patrão, então tive um bom aprendizado.

Havia muita procura por fotografia?

Em Mogi havia fotógrafos do tipo caseiros e eu fiz um estúdio lindo, com vitrines expondo fotos, balcão de vidro, então inovei a fotografia na Cidade e era muito procurado para trabalhos em Mogi e na Região. Comecei a entregar as fotos 3×4 naquelas carteirinhas de plástico e tudo isso foi conquistando o pessoal.

Quando o senhor saiu do Foto Ideal?

Fiquei lá até 1969, quando entrei no curso de Medicina, que era o que eu queria estudar, mas não tinha condições quando cheguei aqui. Trabalhei 10 anos como fotógrafo até conseguir fazer meu pé de meia para pagar a faculdade. Deixei o Foto Ideal com minha irmã e meu cunhado, mas já com um nome no mercado e estrutura para que eles trabalhassem ali e eu tirasse o dinheiro para pagar a faculdade. Pela manhã eram as aulas teóricas, à tarde havia a parte prática e à noite era preciso estudar mais para o dia seguinte. O Foto Ideal fechou nos anos 80.

Por que a opção pela reumatologia?

No quinto ano, todo estudante de Medicina passa pelo questionamento sobre a área em que vai atuar. Nem dorme direito porque ali está sendo decidida a vida dele. Meu chefe, diretor da Faculdade, era o Dr. Castor Jordão Cobra, um dos mais famosos reumatologistas da América do Sul e que recebe pacientes até da Argentina. Quando eu estava no terceiro ano do curso, ele escolheu três alunos da turma, incluindo eu, para dar aulas no segundo ano. E foi assim, até me formar. Cada um formulava 10 perguntas para as provas e depois ele as selecionava. Por toda esta confiança e convivência com ele, optei pela reumatologia.

No início da carreira na Medicina já havia o domínio dos convênios médicos?

Não havia, era mais o médico de família ou o Inamps (Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social). Comecei a trabalhar nos hospitais Mãe Pobre, Santa Casa e Ipiranga, tinha consultório particular e muitas vezes atendia pacientes às 5 horas da manhã, que trabalhavam em São Paulo e precisavam sair cedo de Mogi. O primeiro consultório foi na Flaviano de Melo, perto da NGK, onde dividia as despesas com o Dr. Esteves. Depois, montei meu próprio consultório, fiz concursos na Prefeitura de Mogi e no Estado. Lembro que, nos concursos, quando o vizinho queria colar e me perguntava a alternativa correta, eu sempre falava a errada, porque ele era meu concorrente.

Aos 80 anos, o senhor ainda atende no consultório?

Sim, mas agora estou um pouco parado para fazer exames. Vou voltar no início do mês que vem. Não penso em parar porque senão vou envelhecer e morrer mais rápido. A mente precisa estar ocupada com alguma coisa. A paciente mais antiga está há quase 30 anos comigo, mas já atendi a avó, a filha e a neta de muitas delas e estou na terceira geração das primeiras pacientes.

Fonte: https://goo.gl/aduxej

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