"O IMPORTANTE É TERMINAR O DIA COM SEIS FOTOS IMPECAVEIS”

em Artigos e Entrevistas, Dicas & Tutoriais, Notícias.

J.R. Duran Fotografia Publicitaria Escola Focus Enio Leite Entrevistas com Fotografos

Duran veio para o Brasil em 1970 e nove anos depois já fotografava em seu estúdio em São Paulo

Texto: Liana Rocha / Agência A Tarde

O famoso fotógrafo J. R. Duran

Entrevista: J. R. Duran.  O famoso fotógrafo das capas da Playboy, Elle e Vogue mostra quesua vida vai muito além do estúdio

Invejado por ser o sortudo responsável por 115 estonteantes capas da Playboy e inúmeros ensaios com as mais belas modelos do mundo, o catalão J.R. Duran parece indiferente ao fascínio que exerce. A idéia de que ele vive num mundo superglamouroso, apesar de acertada, é bastante incompleta.

O fotógrafo amigo de celebridades, que passeia pelos lugares mais chiques do planeta, é o mesmo que investe em  projetos autorais que vão em busca  de aspirações de infância.

Ele já fotografou a guerra civil de Angola, os guerreiros masai do Quênia, a nossa buliçosa feira de São Joaquim, a famosa feira de Abril, em Sevilha, e o povo etíope. Aliás, a África é uma de suas paixões: terra de aventuras e exotismo, mas com clima suportável. Sim, porque o fotógrafo não se importa com o sol de meio-dia, mas tem problemas em “suar à meia-noite”.

 Outra peculiaridade? Como sensual literato,  Duran adora aspirar profundamente entre as páginas de um livro novo, repletas de promessas.

J. R. Duran tem a gana de um eterno menino vidrado em aventuras, que planeja brinquedinhos sérios e busca trabalhos divertidos. Sem nenhum estrelismo, bonachão e bem-humorado, ele conversou com a repórter Liana Rocha no intervalo do trabalho que realizou no último final de semana para a campanha outono-inverno do Shopping Iguatemi ,  falou sobre seus novos projetos e mostrou um pouco do seu jeito curioso e entusiasmado de levar a vida.

A TARDE  |  Como é que você pensa seu trabalho?

J. R. Duran | É uma triangulação: tem uma pessoa que está sendo fotografada, tem alguém que encomendou essa fotografia, seja o Shopping Iguatemi, seja um revista, e tem eu, que estou fotografando. Cada um tem uma expectativa. Obviamente que a mais importante para mim é a minha [risos]. Mas sei que a minha maneira de enxergar as coisas tem que surpreender não só a um cliente como à pessoa fotografada. E não pela bizarrice, ou porque mandei plantar bananeira. Surpreender apenas pelo jeito, que a pessoa se descubra um pouco mais também,vendo as fotos.

AT | O que é mais importante no trabalho?

JRD | Equipamento não é importante. O que é importante é a equipe, a conjuntura de pessoas que envolve um trabalho. Principalmente nesse tipo de trabalho, onde sozinho eu não consigo fazer nada. Mesmo quando eu estou na África fotografando, tem alguém que me botou lá.

AT | Vi que você tem uma espécie de alte rego, o Rigel Dantas. Quando é que ele surge?

JRD | Isso foi uma brincadeira, quando fiz a exposição em São Paulo eu juntei as duas personalidades e pareceu um fotógrafo esquizofrênico [risos]. Por muito tempo eu puxei o cenário de fotografia para dentro das áreas de aventura que gostava. Teve um dia que fotografando uma matéria de moda no Quênia, num acampamento, à noite vi que a editora de moda estava indo jantar de salto alto, com uma saia lápis, superproduzida, mas não tinha nada a ver com o lugar. Aí percebi que não adiantava puxar as pessoas para o meu universo, que nem todo mundo tem a leitura, o mesmo pensamento ou a visão de mundo que eu. Comecei a separar e criei esse personagem, que é baseado num livro que eu li.

 AT | E ele ainda aparece?

JRD | Em junho sai um livro meu, o Cadernos etíopes, pela Cosac Naify, uma viagem que fiz a um lugar afastado, que é puro Rigel Dantas.

AT | Você gosta muito da África, já foi para Etiópia, Quênia, fotografou a guerra civil em Angola…

JRD | Fui para Angola, Ruanda, Namíbia, Congo, Tanzânia. Eu sou muito influenciado pelos livros que li quando eu era pequeno, ou pelos sonhos que tive na minha juventude. Decidi que, até onde pudesse, iria perseguir todos eles. Eu piloto carros de corrida, piloto helicóptero. Eram coisas que eu queria fazer, numa época que  não podia e agora as coisas parecem que são mais fáceis.

 AT | Para você o continente das grandes aventuras é África. Você devia ler muito Tarzan, As Minas do Rei Salomão…

JRD | Não, lia os clássicos. Me lembro que o primeiro livro que me impactou foi O Vermelho e o Negro, do Stendhal, que eu descobri com 13 anos. Acho que aprendi muito mais coisas nos livros, sobre a vida, do que levando porrada. Aliás, acho que os livros me ajudaram a não levar muitos tombos na vida, porque as coisas já estavam escritas e aprendi muita coisa sem ter que levar o tombo. Acho que os livros servem pra isso.

AT | Leitura é uma das suas paixões e você escreveu dois romances, Lisboa e Santos. Os dois são policiais?

JRD | Tem um amigo meu que fala que são noir existenciais, mais que policiais. Acho que lá é que o lado negro da força aparece. O primeiro escrevi pra saber se conseguia. Acho que a obra de um escritor tem que se provar através de um seqüência literária. Aliás, é o mesmo que um fotógrafo. Fazer uma foto boa, isso não quer dizer que você é um bom fotógrafo. Tem que ter uma continuidade. Essa continuidade, esse equilíbrio, que faz com que ele tenha uma obra. Então, por enquanto, estou fazendo minha obra.

AT | Então você ainda não se considera um escritor?

JRD | Acho que sou um fotógrafo que faz um monte de coisas. Meu ponto original ainda é a fotografia. Mentira: o ponto original é o leitor. A fotografia te ajuda na escritura. E para mim é o contrário. Primeiro eu comecei escrevendo e minha fotografia sofre influência de literatura. Geralmente o fotógrafo sofre influência de outras imagens, de outros fotógrafos, e para mim a influência sempre foi ou da literatura, ou do cinema, ou da música. Mundos paralelos que não são exatamente as trajetórias óbvias que todo mundo percorre.

AT | Como é seu processo criativo na hora de escrever ?

JRD | Tenho que ter vários dias em seqüência, então me proponho a escrever três horas por dia, que são dez laudas, durante cinco dias. Sei que depois tenho que ter 50 páginas, que ficam guardadas um pouquinho, eu leio, corrijo, depois mais 50 e por aí vai, vou editando e fazendo. Isso me toma um ano mais ou menos. Mas tem que ter uma seqüência, no momento que eu mergulho no universo do livro eu preciso me concentrar.

AT | Dos livros de fotos que fez, qual foi o que você  gostou mais?

JRD | Esse que vai sair agora, Cadernos etíopes. Outro dia eu via algumas provas e vai ser espetacular, como livro de viagens. E é muito engraçado, porque é uma coisa que eu nunca pensei e saiu um livro de viagens. É um livro de retratos, só tem pessoas. Então, mesmo quando eu saio por aí, meu ponto de vista em fotografar no meio da África é o mesmo com que eu fotografei as pessoas daqui. É praticamente a mesma câmera, a mesma lente, a mesma objetiva, a mesma aproximação, a mesma metodologia.

AT | E fotografando pessoas? Já teve alguma mais difícil?

JRD | A colocação não é o que é mais difícil e o que é mais fácil. Não tem nada fácil. Nada cai do céu. Outro dia me perguntaram: ‘Qual é a maneira mais fácil de fotografar?‘ Não tem maneira mais fácil. Tem uma maneira certa, que é a maneira certa, o resto faz parte do processo. Hoje, umas pessoas vão ser mais fáceis e outras menos fáceis. Mas isso não é um problema. O importante é terminar o dia com seis fotos impecáveis.

 AT | E qual é o segredo para deixar o fotografado à vontade?

JRD | O truque é deixar pensar que não tem direção. É como com as mulheres. O negócio com as mulheres é deixar que elas façam o que elas acham que querem fazer [risos].

AT |Você tem parcerias longas, com a agência de propaganda DPZ, com as revistas Playboy, Vogue, que se renovam. Tanto que você afirma só ser tão bom quanto seu último trabalho. É assim?

JRD | É. Na Playboy acho que já trabalhei para uns sete diretores. Você não pode ficar olhando para trás, não se pode dirigir olhando para o retrovisor, tem que ser sempre olhando para frente.

Fonte: http://www.atarde.com.br/cultura/noticia.jsf?id=860153

 

Sobre o autor

ATENÇÃO: OS TEXTOS, MATÉRIAS TÉCNICAS, APRESENTADAS NESSE BLOG SÃO PESQUISADAS, SELECIONADAS E PRODUZIDAS PELOS ALUNOS, PROFESSORES E COLABORADORES DA FOCUS PARA USO MERAMENTE DIDÁTICO E COMPLEMENTAR ÁS AULAS DE FOTOGRAFIA NAS MODALIDADES DE CURSOS PRESENCIAIS OU A DISTÂNCIA EAD, MANTIDOS PELA FOCUS ESCOLA DE FOTOGRAFIA, SEM QUALQUER OUTRO TIPO DE PROPÓSITO, RELEVÂNCIA OU CONOTAÇÃO. PARA MAIORES INFORMAÇÕES CONSULTE https://focusfoto.com.br A Focus é a única escola de fotografia no Brasil, que oferece ao aluno o direito de obter seu REGISTRO LEGALIZADO DE FOTÓGRAFO PROFISSIONAL, emitido pelo Ministério do Trabalho, por meio de cursos com carga horária total de 350 horas, incluindo períodos de estágio, preparo e defesa de TCC OS CURSOS DA FOCUS ESCOLA DE FOTOGRAFIA SÃO RECONHECIDOS PELA LEI N. 9.394, ARTIGO 44, INCISO 1 (LEI DE EDUCAÇÃO) O REGISTRO DE FOTÓGRAFO PROFISSIONAL é unificado, sendo o mesmo obtido pelas melhores Universidades Públicas do Estado de São Paulo. E você poderá obtê-lo EM QUALQUER MODALIDADE DE CURSOS DA FOCUS, presenciais ou a distância EAD em menos de 6 meses de curso. O aluno obterá seu REGISTRO DE FOTÓGRAFO PROFISSIONAL diretamente nas agências regionais do Ministério do Trabalho e Emprego. Este registro é fundamental para o exercício legal da profissão, constituição de seu próprio negócio, ingressos em concursos públicos e processos admissionários em empresas de fotografia, públicas ou particulares, bancos de imagens, agências de notícias, jornalismo e consularização de seu registro de fotógrafo, caso queira trabalhar em outros países ou Ongs. Internacionais, como "FOTÓGRAFOS SEM FRONTEIRAS" entre outras modalidades. SEJA FOTÓGRAFO DEVIDAMENTE REGULAMENTADO. QUALIDADE E EXCELÊNCIA EM EDUCAÇÃO FOTOGRÁFICA É NOSSO DIFERENCIAL HÁ MAIS DE QUATRO DÉCADAS. Os alunos recém-formados pela Focus competem em nível de igualdade com fotógrafos profissionais que estão no mercado há mais de 30 anos. Na FOCUS, o aluno entra no mercado de trabalho pela porta da frente! Os alunos, após formados, são encaminhados para o mercado de trabalho. Cursos 100% práticos, apostilados e com plantão de dúvidas. Faça bem feito, faça Focus! Há mais de 44 anos formando novos profissionais. AUTOR DO PROJETO e MEDIADOR DESSE BLOG: Prof. Dr. Enio Leite Alves, Professor Titular aposentado da Universidade de São Paulo, nascido em São Paulo, SP, 1953. PROF. DR. ENIO LEITE: Área de atuação: Fotografia educacional, fotografia autoral, fotojornalismo, moda, propaganda e publicidade. Pesquisador iconográfico. Sociólogo, jornalista, físico, fotoquímico, inventor e docente universitário. Fotografo de imprensa desde 1967, prestando serviços para os Diários Associados e professor do Sesc e do Curso de Artes Fotográficas Senac Dr. Vila Nova, São Paulo. Fotografo do Jornal da Tarde em 1972 -1973. Em 1975, funda a FOCUS – ESCOLA DE FOTOGRAFIA, primeira instituição de ensino técnico e tecnológico da AMÉRICA LATINA. No mesmo ano, suas fotos são premiadas na 13ª Bienal Internacional de São Paulo, quando a fotografia passa a reconhecida pela primeira vez como obra de valor artístico. Enio Leite, fundador do MOVIMENTO PHOTOUSP no início dos anos 70, com Raul Garcez e Sergio Burgi, entre outros, no centro acadêmico da Escola Politécnica, na Cidade Universitária, São Paulo-SP. Professor de fotografia publicitária da Escola Superior de Propaganda e Marketing, (ESPM), 1982 a 1984. Mestre em Ciências da Comunicação em 1990, pela Escola de Comunicação e Artes, USP. Doutor em História da Fotografia, Fotoquímica, Óptica fotográfica e Fotografia Publicitária Digital, em 1993, pela UNIZH, Suíça. No ano de 1997 obteve Livre Docência na Universitá Degli Studi di Roma Tre. Professor convidado pela Miami Dade University, Flórida, 1995. Pesquisador e escritor, publicou o primeiro livro didático em língua portuguesa sobre fotografia digital, Editora Viena, São Paulo, maio 2011, já na quarta edição e presente nas principais universidades brasileiras portuguesas. Colabora com artigos, ensaios, pesquisas e títulos sobre fotoquímica, radioquímica, técnica fotográfica, tecnologia digital da imagem, semiótica e filosofia da imagem para publicações especializadas nacionais e internacionais. (Fonte: G1 - 12/03/2020)

Deixe seu comentário

  • (não será mostrado)