O RENASCIMENTO DA FOTOGRAFIA ANALÓGICA ENTRE OS JOVENS JAPONESES

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Minami Sakamoto, 31 anos, fotógrafa de Tóquio que começou a fotografar clubes de cabaré de Shinjuku. Ela fotografa com uma pequena câmera compacta – foto de RYUSEI TAKAHASHI/Japan Times

Matéria recente do
site japonês Japan Times indica que a fotografia analógica está voltando com
tudo no Japão

Fhox/Notícias

Japão é reconhecido como
uma verdadeira terra da fotografia. Afinal, marcas como Fujifilm, Sony, Canon,
Pentax, Olympus e Nikon são japonesas.

E segundo a matéria do
JT, os jovens estão puxando o retorno da fotografia com filme. A artista Minami
Sakamoto (31) usa a tanto a fotografia digital quanto analógica. Ela cria com
filmes fotográficos para exposições e mesmo na fotografia autoral em projetos
pessoais.

Ela fotografa com uma
câmera 35mm compacta e barata. Ela foi em uma loja de fotografia em Shinjuku e
lá comprou pilha e flash para fotografar com a compacta. Estudante de fotografia
na Escola de Artes Visuais de Tóquio, ela trabalhou em clubes noturnos da
cidade e acabou capturando a vida noturna da cidade. Com fotos publicadas em
revistas, livros e galerias.

Com uma câmera de filme,
você tem menos controle. É mais interessante quando as coisas não saem conforme
o planejado.” diz ela. Por que usar filme em tempos tão digitais? nostalgia?
modinha que retornou? ou uma fixação pelos trabalhos manuais. Contudo, a
fotógrafa reclama do preço do filme e do trabalho que dá para revelar. Mas
parece que os jovens querem fotografar mais com filme por conta da estética
analógica.

O fato de ser tangível,
de poder ser tocado e compartilhado na base do toque. A matéria entrevistou
ainda Bellamy Hunt, criador do blog Japan Camera Hunter. Página que faz sucesso
no mundo todo e que até lançou filmes fotográficos próprios com bons
resultados. Hoje ele vive de vender filmes e de consertar câmeras analógicas.

Com pedidos da Austrália, Canadá, Hong Kong, Peru e África. Hunt atua e trabalha no Japão. Foi em 2016 que Hunt passou a vender um filme batizado de JCH Street Pan. Filme preto e branco que antes era fabricado na Alemanha. Naquele mesmo ano, a Kodak Alaris relançou os filmes Ektachrome e T-Max P3200. A Fujifilm anunciou em junho passado que vai relançar um filme preto e branco para os mercados internacionais. Tudo, claro, vai depender da demanda.

Se por um lado novos
filmes são relançados, por outro lado vários saíram de linhas de diferentes
marcas. Inclusive em janeiro passado a Tetenal anunciou o encerramento das
atividades. Uma fabricante de químicos exclusiva para revelação de fotografia e
papéis. Que caso fechasse de fato traria impactos em marcas como Kodak, Ilford
e outras de papéis e filmes. Parecia que ia fechar, mas um grupo de funcionários
assumiu a administração e os negócios continuam.

Da mesma forma, fábricas
foram reabertas na Europa (caso da italiana Ferrania) e empresas independentes
como o Japan Hunt Câmera apostam em novos filmes para nichos. O problema da
queda do consumo é que os itens disponíveis não tem um preço tão acessível. Ou
seja, na medida que mais consumidores compram filmes o valor poderá cair.

Outra marca famosa que
estava em condições delicadas era a Ilford Imaging, abordada na matéria, a
maior fabricante de filmes preto e branco do mundo conseguiu escapar da
falência em 2005. De novo, graças ao esforço dos funcionários. A Polaroid
também citada no artigo passou por uma reformulação. De um negócio antigo foi
para uma renovação de produtos que agora envolvem câmeras híbridas, filmes com
licenciamento e assinaturas em edições especiais limitadas.

Há uma espécie de crise
de autenticidade com a fotografia nos dias de hoje”, disse Renato Repetto, um
fotógrafo da Austrália que hoje vive no Japão. “Somos bombardeados com imagens
muito mais do que no passado”. Repetto, que recentemente se mudou para o Japão,
é o fundador e diretor do Projeto 400TX.

Uma iniciativa que
começou na Austrália em maio de 2017 e no Japão no ano seguinte, envolve
fotógrafos que usam a mesma câmera e lente que passam para os outros, em um
projeto colaborativo usando o filme da Kodak Tri-X 400TX.

Até agora cerca de 45
fotógrafos na Austrália e no Japão participaram. Quando chegar em 100
fotógrafos usando o rolo de filme, os rolos serão enviados para Repetto. E
depois se tornarão exposição e livro. Um dos participantes é Daikichi Kawazumi
(24) fotógrafo japonês mais jovem do projeto fotografando com um filme 400TX.
Ele comprou a câmera faz três anos e começou a desenvolver um filme
independente.

O fato é que os jovens
fotógrafos no Japão que preferem o filme fotográfico parecem ter uma mistura de
curiosidade e talento artesanal. Pacientes, querem o resultado da surpresa e
não tem a urgência da fotografia digital. E é por conta dessa postura estão
mantendo viva a fotografia analógica.

Fonte: http://tiny.cc/989l9y

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