O Valor da Fotografia

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Esse post fala sobre a hipocrisia e alienação da sociedade brasileira, com relação à fotografia. E o que estamos perdendo com isso

Quando me perguntam a minha profissão e eu respondo que sou fotógrafa, a reação das pessoas é a melhor possível: “Uau! Fotógrafa?! Que legal!!!”

Eu me pergunto quantas delas são hipócritas, na verdade. E posso apostar que seja a maioria.

Fotografia, sem dúvida é um trabalho lindo! Mas por algum motivo, nesse país ela é tratada como uma coisa qualquer.

O fato de hoje ser tão fácil conseguir uma foto, tornou o ato de fotografar chato e desnecessário. A ideia do filme, do complexo e do raro valorizava a fotografia. Os poucos momentos registrados eram emoldurados no porta-retratos ou no álbum de família e pagava-se caro para se ter isso.

Pobres aqueles pobres que, hoje, chegaram à certa altura da vida achando que não tiveram estória, porque não tem nenhuma foto para se lembrar dela.

E pobres serão estes que não terão estória para lembrar, por opção.

Sou de uma geração burra, que acredita que a velhice, a desgraça e a doença nunca a atingirá. De pessoas que não sabem como é carregar o retrato das pessoas amadas na carteira e rasgam suas poucas lembranças, na primeira discórdia que acontece.

São essas pessoas que imaginam que ser fotógrafo é legal, mas depois de meia hora de conversa, diz a ele que não gosta de ser fotografado. São aquelas que dizem que não precisam pagar por uma foto, porque qualquer um pode apertar um botão e fazer isso. Mas ao mesmo tempo, são pessoas que estão passando por momentos importantes, mas que não são capazes de pegar o celular e tirar uma foto deles.

E posso dizer que são essas pessoas, dessa geração, que inspiram tantos fotógrafos a dizerem que um bom fotógrafo é aquele que sabe fotografar com câmeras analógicas. No fundo, eles só pegam de referência aqueles profissionais do passado, que eram valorizados de verdade. Porque os fotógrafos, dos últimos anos, sentem saudade daquilo que nunca tiveram e precisam inventar argumentos para convencer todo o resto do mundo de que seu trabalho também tem valor.

Sinceramente, admiro quem seja um jovem fotógrafo de sucesso, no Brasil. É difícil lutar contra padrões de pensamentos. Afinal, quantas vezes na vida as pessoas se vêem dependentes de um fotógrafo? Algumas, nenhuma. Outras, em casamentos. Outras em casamentos e aniversários. E, se tivermos sorte, podemos adicionar um ou outro batizado.

Mas e quando você quer registrar algo a mais? Quando você quer capturar a personalidade, os sentimentos ou sonhos que alguém tem no dia-dia? E quando você gostaria de fazer alguém se expressar através de uma imagem e deixá-la guardar isso para o resto da vida, como lembrança daquilo que ela realmente foi?

Acho estranho que eu sinta a necessidade de fazer isso pelas pessoas, sendo que elas mesmas não se interessam, nem quando oferecemos a oportunidade de mão beijada.

Sou o tipo de pessoa que nunca cobrou para fotografar parentes e amigos. Quando eu via que determinado momento poderia ser importante para se recordar, lá ia eu com a minha câmera, de peito aberto. Mas os fotógrafos tem o defeito do “olhar”, que acaba incomodando muita gente. Então, invés de um “muito obrigado pelo FAVOR”, você recebe reclamações de “como você é devagar; de como você é detalhista; de como você é fresco; de como você é exagerado etc”.

Se eu pudesse dar um conselho a um jovem fotógrafo que está lendo esse texto, seria que não tente eternizar os momentos daqueles que não os enxergam. Isso vai atrapalhar a sua carreira, porque vai impedi-lo de encontrar as poucas pessoas que são capazes de entender o significado disso. Se um dia as pessoas amadas virem a envelhecer ou adoecer, terão que saber lidar com o desaparecimento lento de sua estória. Enquanto isso, você seguirá em frente.

Entenda de uma vez por todas: Nós sabemos que seu trabalho é importante, mas se você não o valorizar, ninguém fará isso por você.

Fonte: http://goo.gl/OSeHu


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