“O verdadeiro sucesso é um grande mistério!”

em Dicas & Tutoriais.

Bob Wolfenson, militância virtual, universo digital, fotografia de moda, estúdio Abril, qualidade artística, rose leonel, aula de fotografia sp, focus, cursos de fotografia sp, escola focus, cursos de fotografia

Bob Wolfenson – Texto: Gisele Rossoni

Kátia Borges/ A Tarde

Bob Wolfenson fala sobre a relação com o universo digital, a experiência em Nova York, a militância virtual – seu pai era comunista e ele foi ativista da Var Palmares aos 15 anos – e sobre a relação entre a técnica e a qualidade artística.

“Felizmente, quando quase tudo é exposição pessoal, ainda existem coisas inexplicáveis. E estas são algumas delas, o sucesso é um mistério. E eu digo sucesso não no sentido pejorativo do termo, mas no sentido de se suceder, de continuar”.

Você fotografou algumas das mulheres mais bonitas do país. Sua mulher, Mariza, convive bem com a sua profissão?

Suponho que conviva (risos), para estarmos há tanto tempo juntos!

 Em sua opinião, nos tornamos mais caretas hoje em termos de relacionamentos?

Não sou especialista em relacionamentos, mas acho que as questões de gênero na pauta do dia são uma evolução.

 Seu pai foi comunista até a morte, aos 55 anos, e você também foi ativista na juventude, tendo integrado até a Var Palmares aos 15 anos. Como vê a militância hoje, sobretudo a militância virtual?

Nossa, como você sabe disso? Acho importante alguma militância, desde que não seja dogmática, sendo ela virtual ou presencial. Obviamente, os tempos são outros e não cabe mais a militância dos anos 60/70.

 Voltaria a ser militante hoje em dia? Como vê o cenário político brasileiro? Qual o sonho de Brasil que te mobiliza?

Nos moldes como eu fui, acredito que não, mas acho importante resistir, os dias de hoje no Brasil estão confusos e tristes, há uma descrença generalizada na política. No entanto, parafraseando Caetano Veloso, “vejo uma trilha clara pro meu Brasil apesar da dor”.

 Como a fotografia pintou em sua vida de comunista e estudante universitário?

O meu pai morreu e tive que trabalhar. O único emprego que arrumei foi no estúdio fotográfico da editora abril. De todo modo, a fotografia não veio para mim de uma forma vocacional e escolhida, foi uma contingência da circunstância que comecei a viver.

 Li numa entrevista que você se considerava medíocre como fotógrafo até ir para os Estados Unidos e trabalhar como assistente de Bill King. Quando sentiu que havia superado essa insegurança em relação a seu trabalho?

Hoje, olhando para trás, muitas das minhas imagens dos anos 70, ou seja, do período em que me achava medíocre, figurarão no meu livro de retratos, e são fotografias de que gosto muito. No entanto, quando voltei dos Estados Unidos, me senti mais seguro, pelo fato de a experiência em Nova York ter sido muito mais do que ter trabalhado como assistente para um grande fotógrafo. Foi um desafio muito grande que me impus e, digamos assim, superei. Isso me deixou forte para a volta ao Brasil, e, a partir de então, não parei mais, obviamente com alguns acertos e muitos erros (risos).

 Em sua opinião, falta humildade entre os fotógrafos contemporâneos?

Humildade? Não, acho que não. Seria uma generalização pensar assim. Penso que há em todas as profissões os bons e os ruins. Vejo a fotografia de moda, quando bem realizada, como sempre vi: uma atividade artístico-profissional que convoca o autor e a sua audiência a irem muito além das normas comerciais que os regem quando há o que chamamos de pedido ou encomenda.

 Giorgio Agamben usa a moda como metáfora do contemporâneo. Ainda considera a moda como arte? Em que medida isso vem se transformando?

Sim, sem dúvida, a moda e, por exemplo, a arquitetura são atividades que dependem de investimentos pesados para existir. Imagina todos os interesses existentes nestes campos? Penso que cabe aos artistas inseridos nesse mecanismo aproveitar as brechas e fazer valer os seus olhares e as suas ideias. E isso é atestado pela existência de grandes artistas/estilistas, como Yves Saint Laurent, Balenciaga, Chanel e muitos outros, e por fotógrafos como Richard Avedon, Irving Penn, Steven Meisel e tantos outros.

 Em sua opinião, quanto de técnica é preciso para fazer um bom fotógrafo?

Acho importante o processo técnico como um instrumento viabilizador das ideias pensadas pelo fotógrafo. Muitas vezes, a técnica não se resume apenas à câmera ou às luzes, mas a todo um modo de dirigir e de performar em um set fotográfico. Explico-me, acho que a técnica fotográfica é uma necessidade, sim, contudo eu diria que alguém que seja muito técnico não estará garantido como um bom fotógrafo, enquanto um outro, sem técnica alguma, também não conseguirá sê-lo.

 Alguns retratos assinados por você são clássicos instantâneos, como o do escritor pernambucano João Cabral de Melo Neto. Como traduzir um ser humano em imagem?

Não se preocupar com isso. Seguir, ao sabor dos acontecimentos, e ver o que vai dar. Não pensei, quando fotografava o João Cabral de Melo Neto, que estava fazendo um clássico (para usar um termo seu) e, sim, o retrato de alguém que eu admirava.

 Como distinguir, em meio a tantas imagens, aqueles que realmente podem alcançar um patamar maior, mais artístico e estético?

Felizmente, quando quase tudo é exposição pessoal, ainda existem coisas inexplicáveis. E estas são algumas delas, o sucesso é um mistério. E eu digo sucesso não no sentido pejorativo do termo, mas no sentido de se suceder, de continuar. Penso que uma fotografia não nasce relevante, mas que ela vai se tornando relevante com o tempo, ou segue rumo à vala comum. Um dos paradoxos da fotografia é este: ela retém o tempo e, no entanto, com o passar deste, ela pode adquirir um sentido ainda muito maior.

Como você se relaciona com o universo digital? Como a manipulação pode ser usada em favor da arte na fotografia?

Eu aderi completamente ao mundo digital. As pessoas tentam hierarquizar, dizendo que fotografia mesmo era a analógica, e que manipulação é um crime. Bom, acho que a questão analógico x digital é bizantina e já está fora da nova ordem mundial. E a manipulação é um recurso que, quando mal usado, vira uma barbárie, mas, quando bem usado, constitui uma soma às ideias do autor. Lógico que em setores da fotografia, como o fotojornalismo e o documentário, a manipulação é impensável, uma farsa, e é facilmente descoberta.

 Aos 63 anos, sente que é o momento ideal para um balanço? Falo por conta do fato de estar retrabalhando neste momento seu acervo dos anos 1970 até o momento.

Acredito que sempre há momentos de balanço mesmo quando se é jovem. A questão agora, para mim, é que tem gente que se interessa em me expor e publicar. Mas sigo adiante. Estou ocupado atualmente com duas publicações da mesma ordem, um livro da editora Terra Virgem, com um texto saboroso do escritor Reinaldo Moraes, sobre as mulheres fotografadas por mim. Desde a minha primeira namorada até hoje, passando pela época áurea das grandes estrelas da revista Playboy. O outro trabalho é um livro de retratos, que reúne trabalhos do gênero de toda a minha vida.

 Um dos princípios da fotografia de arte é o descondicionamento do olhar. O que costuma nortear um master class de Bob Wolfenson?

A única coisa que tenho autoridade para falar é sobre minha trajetória e sobre as histórias que estão acopladas a ela. O master class sou eu (risos). Com arte e sem arte.

Fonte: https://goo.gl/FNMyjv

 FOCUS Escola de Fotografia –  http://focusfoto.com.br
Conheça os novos cursos da Focus: http://focusfoto.com.br/cursos/

Confira opinião de Ex-Alunos: https://goo.gl/yRlkM9
Fale com a Focus: cursos@focusfoto.com.br

Seja fotografo regulamentado
Obtenha seu registro Mtb de fotografo profissional
Referência em ensino de fotografia

Sobre o autor

ATENÇÃO: OS TEXTOS, MATÉRIAS TÉCNICAS, APRESENTADAS NESSE BLOG SÃO PESQUISADAS, SELECIONADAS E PRODUZIDAS PELOS ALUNOS, PROFESSORES E COLABORADORES DA FOCUS PARA USO MERAMENTE DIDÁTICO E COMPLEMENTAR ÁS AULAS DE FOTOGRAFIA NAS MODALIDADES DE CURSOS PRESENCIAIS OU A DISTÂNCIA EAD, MANTIDOS PELA FOCUS ESCOLA DE FOTOGRAFIA, SEM QUALQUER OUTRO TIPO DE PROPÓSITO, RELEVÂNCIA OU CONOTAÇÃO. PARA MAIORES INFORMAÇÕES CONSULTE https://focusfoto.com.br A Focus é a única escola de fotografia no Brasil, que oferece ao aluno o direito de obter seu REGISTRO LEGALIZADO DE FOTÓGRAFO PROFISSIONAL, emitido pelo Ministério do Trabalho, por meio de cursos com carga horária total de 350 horas, incluindo períodos de estágio, preparo e defesa de TCC OS CURSOS DA FOCUS ESCOLA DE FOTOGRAFIA SÃO RECONHECIDOS PELA LEI N. 9.394, ARTIGO 44, INCISO 1 (LEI DE EDUCAÇÃO) O REGISTRO DE FOTÓGRAFO PROFISSIONAL é unificado, sendo o mesmo obtido pelas melhores Universidades Públicas do Estado de São Paulo. E você poderá obtê-lo EM QUALQUER MODALIDADE DE CURSOS DA FOCUS, presenciais ou a distância EAD em menos de 6 meses de curso. O aluno obterá seu REGISTRO DE FOTÓGRAFO PROFISSIONAL diretamente nas agências regionais do Ministério do Trabalho e Emprego. Este registro é fundamental para o exercício legal da profissão, constituição de seu próprio negócio, ingressos em concursos públicos e processos admissionários em empresas de fotografia, públicas ou particulares, bancos de imagens, agências de notícias, jornalismo e consularização de seu registro de fotógrafo, caso queira trabalhar em outros países ou Ongs. Internacionais, como "FOTÓGRAFOS SEM FRONTEIRAS" entre outras modalidades. SEJA FOTÓGRAFO DEVIDAMENTE REGULAMENTADO. QUALIDADE E EXCELÊNCIA EM EDUCAÇÃO FOTOGRÁFICA É NOSSO DIFERENCIAL HÁ MAIS DE QUATRO DÉCADAS. Os alunos recém-formados pela Focus competem em nível de igualdade com fotógrafos profissionais que estão no mercado há mais de 30 anos. Na FOCUS, o aluno entra no mercado de trabalho pela porta da frente! Os alunos, após formados, são encaminhados para o mercado de trabalho. Cursos 100% práticos, apostilados e com plantão de dúvidas. Faça bem feito, faça Focus! Há mais de 44 anos formando novos profissionais. AUTOR DO PROJETO e MEDIADOR DESSE BLOG: Prof. Dr. Enio Leite Alves, Professor Titular aposentado da Universidade de São Paulo, nascido em São Paulo, SP, 1953. PROF. DR. ENIO LEITE: Área de atuação: Fotografia educacional, fotografia autoral, fotojornalismo, moda, propaganda e publicidade. Pesquisador iconográfico. Sociólogo, jornalista, físico, fotoquímico, inventor e docente universitário. Fotografo de imprensa desde 1967, prestando serviços para os Diários Associados e professor do Sesc e do Curso de Artes Fotográficas Senac Dr. Vila Nova, São Paulo. Fotografo do Jornal da Tarde em 1972 -1973. Em 1975, funda a FOCUS – ESCOLA DE FOTOGRAFIA, primeira instituição de ensino técnico e tecnológico da AMÉRICA LATINA. No mesmo ano, suas fotos são premiadas na 13ª Bienal Internacional de São Paulo, quando a fotografia passa a reconhecida pela primeira vez como obra de valor artístico. Enio Leite, fundador do MOVIMENTO PHOTOUSP no início dos anos 70, com Raul Garcez e Sergio Burgi, entre outros, no centro acadêmico da Escola Politécnica, na Cidade Universitária, São Paulo-SP. Professor de fotografia publicitária da Escola Superior de Propaganda e Marketing, (ESPM), 1982 a 1984. Mestre em Ciências da Comunicação em 1990, pela Escola de Comunicação e Artes, USP. Doutor em História da Fotografia, Fotoquímica, Óptica fotográfica e Fotografia Publicitária Digital, em 1993, pela UNIZH, Suíça. No ano de 1997 obteve Livre Docência na Universitá Degli Studi di Roma Tre. Professor convidado pela Miami Dade University, Flórida, 1995. Pesquisador e escritor, publicou o primeiro livro didático em língua portuguesa sobre fotografia digital, Editora Viena, São Paulo, maio 2011, já na quarta edição e presente nas principais universidades brasileiras portuguesas. Colabora com artigos, ensaios, pesquisas e títulos sobre fotoquímica, radioquímica, técnica fotográfica, tecnologia digital da imagem, semiótica e filosofia da imagem para publicações especializadas nacionais e internacionais. (Fonte: Agência Estado - 12/03/2019)

Deixe seu comentário

  • (não será mostrado)