Quando devo trocar de equipamento?

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Entenda por que a frase “vão-se as câmeras, ficam as lentes” tem seu fundo de verdade

Texto: Cleber Medeiros, Revista P&I, Edição 83

Certa vez, Tio Expedito, um conhecido fotógrafo de aniversários infantis em Brasília, cansado do ar de superioridade dos fotógrafos de jornais durante os eventos (filho de socialite também é celebridade), resolveu trocar suas Nikon D100 (eram quase atuais na época) por Canons 5D e 1D acompanhadas pelas maravilhosas lentes brancas da marca.

O notório ganho qualitativo custou na época o equivalente à reforma de sua casa e mais um carro. Pouco tempo depois, ele percebeu que para seu cliente não fazia a menor diferença o resultado obtido com as velhas Nikon ou com as então modernas Canon, que ele poderia ter atualizado seu equipamento e investido melhor o dinheiro excedente comprando melhores lentes e atualizando a câmera anualmente, mas ainda na categoria semiprofissional.

As grandes lojas que produzem photobooks já descobriram isso há muito tempo: geralmente seus estúdios estão munidos apenas das reflex de entrada das principais marcas, como as Rebel da Canon e D3100 da Nikon, todas apenas com as lentes básicas 18-55mm. O importante para o cliente nesses casos é o resultado plasticamente agradável.

Ao contrário dos fotógrafos de eventos, os fotógrafos publicitários precisam estar sempre atualizados, com o máximo de megapixels possível, e a primeira aquisição da maioria é uma ou mais lentes claras, f/2.8 ou mais claras, estas sim um grande investimento. É comum, ao fazerem a cotação de fotos de alguma campanha, as agências de publicidade exigirem uma resolução mínima e essa resolução aumentar a cada dia. O fotógrafo de eventos que está de olho no mercado publicitário deve optar pelos equipamentos top, sendo praticamente um pré-requisito para fotografar campanhas publicitárias.

Depreciação X Custo de atualização

Todo equipamento ao sair da loja sofre uma depreciação de cerca de 10 a 15% em relação ao preço de mercado. As câmeras, além dessa depreciação, continuam desvalorizando 30% a cada ano, ou seja, uma câmera comprada por R$ 5 mil, após três anos de uso, valerá cerca de R$ 1,5 mil a R$ 2 mil caso esteja muito conservada.

Considerando esses dados, podemos concluir que câmeras não devem ser consideradas um investimento, devendo ser utilizadas durante aproximadamente um ano e substituídas enquanto ainda estão em linha de produção ou logo que anunciem um novo modelo (esse é um dos principais fatores de estabilidade no preço das câmeras usadas, o fato de elas ainda estarem sendo fabricadas).

Objetivas e flashes costumam ter apenas a desvalorização de 30% no primeiro ano e depois têm seus valores estabilizados (menos quando saem de linha). A frase “vão-se as câmeras, ficam as lentes” deveria ser a mais falada entre os profissionais da área que não desejam perder tanto dinheiro com a compra e venda de seus equipamentos de trabalho.

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