‘The Big Bang Theory’ derruba mito de que Ciência é chato, dizem pesquisadores

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Elenco do The Big Bang Theory

Em sua nona temporada, a série de TV americana faz sucesso entre físicos e astrônomos brasileiros.

Se “The Big Bang Theory” tivesse um fã-clube aqui no Brasil, um de seus fundadores seria o astrônomo Fernando Roig. O pesquisador do Observatório Nacional é daqueles que não perde um episódio sequer. Se desconfia que não vai chegar em casa a tempo de assisti-lo na segunda à noite, deixa gravando.

Quando a série é lançada em DVD, compra a temporada completa para rever tudo de uma vez – no melhor estilo binge watching, como é chamado o costume de assistir a vários episódios de uma só vez. Não satisfeito, Fernando ainda gosta de colecionar itens relacionados à produção da Warner. Como a camiseta com o bordão “Bazinga!” do personagem Sheldon Cooper e uma estatueta em resina dele.

 “O legal da série é que ela tira a áurea de seriedade que costuma pairar sobre os cientistas e ajuda a desmistificar a ideia de que a ciência é uma coisa chata”, acredita. Se a ciência não é chata, “The Big Bang Theory” (“TBBT’, para os íntimos) muito menos.

Em poucas palavras, narra as aventuras acadêmico-científicas de dois físicos – um teórico, Sheldon Cooper (Jim Parsons), e outro experimental, Leonard Hofstadter (Johnny Galecki). Os dois trabalham no Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech) e dividem um apartamento em Pasadena, na Califórnia. Integram a trupe a aspirante a atriz Penny (Kaley Cuoco), o engenheiro aeroespacial Howard Wolowitz (Simon Helberg) e o astrofísico Rajesh Koothrappali (Kunal Nayyar).

No fã-clube imaginário fundado por Roig, o astrônomo Alexandre Cherman, da Fundação Planetário, seria forte candidato a presidente. Admirador confesso de Sheldon, Leonard & cia, diz que, graças a eles, virou “cool” ser cientista. E credita boa parte do sucesso de TBBT ao seu rigor científico.

“Para uma série de comédia, é bem mais precisa do que muito filme sério de ficção, como Interestelar, de Christopher Nolan, e Gravidade, de Alfonso Cuarón. Mas, claro, licenças poéticas são necessárias e até bem-vindas. Se não, deixa de ser entretenimento e vira aula”, pondera.

Rigor científico

Se “TBBT” é uma série “cientificamente precisa”, o mérito é do físico americano David Saltzberg, da Universidade da Califórnia (UCLA). É ele que, entre outras tarefas, revisa as falas dos personagens, propõe discussões científicas e formula as equações na lousa de Sheldon Cooper.Apesar de toda a consultoria, “TBBT” não está livre de eventuais “incorreções”.

O físico Cláudio Furukawa, da Universidade de São Paulo (USP), aponta uma delas. No episódio “The Vengeance Formulation”, o nono da terceira temporada, Barry Kripke (John Ross Bowie) solta gás hélio na sala de Sheldon, que fica com a voz fina durante entrevista a uma rádio. “Para Sheldon ficar com a voz aguda daquele jeito, seria necessário que houvesse gás hélio na sala inteira. Bem, se isso acontecesse de verdade, não haveria oxigênio para respirar e Sheldon teria ficado asfixiado”, explica.

Nada que, convenhamos, abale o prestígio da série junto à comunidade científica brasileira. Muito pelo contrário. O fascínio é tanto que, depois de descobrir uma espécie rara de abelha em 2012, o biólogo André Nemésio, da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), decidiu batizá-la de Euglossa bazinga – em alusão ao bordão repetido por Sheldon.

O queridinho dos nerds

Dos protagonistas da série, Sheldon Cooper é, sem dúvida alguma, o mais popular. “Eu me identifico muito com o Sheldon”, admite Cherman, do Planetário.”Não tenho todas aquelas manias, nem tampouco sou um sociopata. Mas sua crença na Física como o caminho para as grandes respostas do mundo me agrada bastante”, esclarece.

Outro que admite soltar umas boas risadas de vez em quando com as idiossincrasias de Sheldon Cooper é Luiz Pinguelli Rosa. O físico da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) ressalva que não chega a se identificar com o personagem, mas diz que conhece alguns cientistas que têm um perfil parecido com o dele. “Sheldon Cooper é o típico gênio incompreendido.

É muito orgulhoso de si e vive tratando os colegas com certo desprezo, por se dedicarem a assuntos menos quentes da Física”, analisa. Na hora de eleger seu personagem favorito, a astrônoma Duília de Mello, do Goddard Space Flight Center (GSFC), um dos mais importantes centros de estudo da Agência Espacial Norte-Americana (NASA), não pensa duas vezes: a neurocientista Amy Farrah Fowler (Mayim Bialik) e a microbiologista Bernardette Rostenkowski-Wolowitz (Melissa Rauch).

Um detalhe curioso é que Mayim não é neurocientista só na ficção. Fora dela, é PhD pela UCLA. “As duas são excelentes fontes de inspiração para as meninas que querem fazer ciência quando crescer”, justifica. Por falar em inspiração, Duília elogia a iniciativa dos produtores de convidar cientistas famosos, como Stephen Hawking, Brian Greene e Neil deGrasse Tyson, entre outras mentes brilhantes, para fazer participações especiais.”

Além de despertar no público adolescente o gosto pelo conhecimento científico, ajuda a reduzir o preconceito contra os CDFs, vítimas constantes de bullying nas escolas”, complementa Furukawa, da USP. 

Caricatura de cientista

O físico e astrônomo Marcelo Gleiser, do Dartmouth College (EUA), é outro assíduo espectador da série. “No espectro entre invenção completa e precisão científica, eu diria que ‘The Big Bang Theory’ está mais próxima da precisão científica, com alguns exageros e eventuais distorções”, analisa. Gleiser só teme que Sheldon, Hofstadter, Howard e Raj reforcem o estereótipo do cientista como um nerd socialmente inepto, incapaz de ter relacionamentos saudáveis com o sexo oposto.

“A caricatura é engraçada. Espero apenas que o público não acredite que todos os cientistas são assim. De nerds, Brian Greene e Neil deGrasse Tyson, que conheço bem, não têm nada. E eu também não!”, enfatiza.

Fernando Roig até concorda que a série recorra a estereótipos muito acentuados, mas pondera que, sem eles, “The Big Bang Theory” não faria tanto sucesso.”A maioria das pessoas enxerga o mundo da ciência como algo estranho, misterioso ou até bizarro.

Não se pode negar que todo cientista tem, lá no fundo, certo grau de loucura ou mania”, entrega. Bazinga!

Fonte: http://goo.gl/FpNxZm

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AUTOR DO PROJETO e MEDIADOR DESSE BLOG: Prof. Dr. Enio Leite Alves, nascido em São Paulo, SP, 1953. PROF. DR. ENIO LEITE:
Área de atuação: Fotografia educacional, fotografia autoral, fotojornalismo, moda, propaganda e publicidade. Pesquisador iconográfico. Sociólogo, jornalista, físico, fotoquímico, inventor e docente universitário. Fotografo de imprensa desde 1967, prestando serviços para os Diários Associados e professor do Sesc e do Curso de Artes Fotográficas Senac Dr. Vila Nova, São Paulo. Fotografo do Jornal da Tarde em 1972 -1973.
Em 1975, funda a FOCUS – ESCOLA DE FOTOGRAFIA, primeira instituição de ensino técnico e tecnológico da AMÉRICA LATINA.

No mesmo ano, suas fotos são premiadas na 13ª Bienal Internacional de São Paulo, quando a fotografia passa a reconhecida pela primeira vez como obra de valor artístico.
Fundador do MOVIMENTO PHOTOUSP no início dos anos 70, com Raul Garcez e Sergio Burgi, entre outros, no centro acadêmico da Escola Politécnica, na Cidade Universitária, São Paulo-SP.

Professor de fotografia publicitária da Escola Superior de Propaganda e Marketing, (ESPM), 1982 a 1984. Mestre em Ciências da Comunicação em 1990, pela Escola de Comunicação e Artes, USP.
Doutor em História da Fotografia, Fotoquímica, Óptica fotográfica e Fotografia Publicitária Digital, em 1993, pela UNIZH, Suíça. No ano de 1997 obteve Livre Docência na Universitá Degli Studi di Roma Tre. Professor convidado pela Miami Dade University, Flórida, 1995.
Pesquisador e escritor, publicou o primeiro livro didático em língua portuguesa sobre fotografia digital, Editora Viena, São Paulo, maio 2011, já na quarta edição e presente nas principais universidades brasileiras portuguesas.

Colabora com artigos, ensaios, pesquisas e títulos sobre fotoquímica, radioquímica, técnica fotográfica, tecnologia digital da imagem, semiótica e filosofia da imagem para publicações especializadas nacionais e internacionais. (Fonte: Agência Estado – 17/10/2017)

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